Onde Assistir
Sinopse
Reus se passa no mítico bairro homônimo da capital uruguaia. Duas famílias brigam pelo poder nas ruas e a situação para os moradores vizinhos torna-se quase insustentável. Uma morte e a nova droga do momento quebram os velhos códigos de ética do bairro. Tumanes e comerciantes judeus começam a se enfrentar e a guerra no local está prestes a acontecer. Suspense/Crime.
Crítica
O cinema uruguaio é dado a espasmos não muito regulares. De vez em quando, meio que sem avisar, surgem discretamente títulos como Whisky (2004), Gigante (2009), A Vida Útil (2010) ou A Demora (2012), que arrebatam prêmios e aplausos por onde são exibidos, privilegiando públicos seletos que decidem investir num olhar melancólico e diferenciado do fazer cinematográfico. Esta pegada, no entanto, não faz parte de trabalhos que buscam um contato mais comercial com o espectador, como o terror A Casa (2010), o curta-metragem Ataque de Pânico (2009), de Fede Alvarez (que depois foi para Hollywood comandar o remake de A Morte do Demônio, 2013) ou o interessante Réus, uma produção nitidamente latina mas que se relaciona com obras internacionais, como Os Bons Companheiros (1990) ou Gomorra (2008), entre tantos outros. E a causa disso é a abordagem honesta e crua que promove sobre seu tema – a máfia – seja ela institucionalizada ou não.
Réus é também o nome de um dos bairros mais populosos da capital uruguaia, Montevidéu. Localizado na periferia da cidade, é uma zona à margem, que com o passar dos anos foi ficando cada vez mais ausente de lei e ordem, abrindo espaço para o comércio ilegal, violência e degradação social. É nesta região onde se passa a história do longa dirigido com vigor pelos estreantes Pablo Fernández, Alejandro Pi e Eduardo Piñero. A ação começa quando um conhecido morador local sai da prisão, após passar um tempo recluso por uma tentativa frustrada de golpe. Vingativo, ele volta à casa decidido a tomar posse da região, estabelecendo suas ordens e diretrizes, passando por cima de qualquer um que se coloque no seu caminho, sejam amigos, colegas ou até mesmo a polícia.
O que se estabelece são uma série de brigas e confrontos pelo domínio do território, estabelecendo quem manda mais, quem tem mais recursos e qual dos lados é mais forte. Gangues desordeiras, comerciantes lutando por uma vida em paz, meios alternativas de proteção, conflitos familiares, usuários e dependentes de drogas e até aqueles que de lá saíram, fizeram suas próprias vidas e agora buscam oferecer algo de retorno. As diferenças entre os imigrantes – comunidades judaica, espanhola, armênia, italiana, polonesa, russa – que se misturam e aos poucos vão perdendo suas identidades, a chegada do crack como vício poderoso e destruidor, e os antigos valores familiares que não mais encontram espaço para prosperar: tudo acaba sendo cenário de uma guerra sem data para acabar.
Filmado de forma bastante objetiva e sem muitas tramas paralelas que pudessem dispersar o interesse da audiência, Réus apresenta carências técnicas evidentes (trilha sonora exagerada e muito pontual, fotografia básica, sem maiores estudos) que são compensadas por um desejo e uma vontade de contar uma história que parece local, mas possui os elementos certos para repercutir independente da distância. Sucesso de bilheteria no seu país de origem, representa também uma bem-vinda iniciativa de coprodução com o Brasil, países que, apesar de vizinhos, muitas vezes parecem tão estranhos um ao outro. A mensagem – cante sua aldeia e fale com o mundo – está presente, basta agora ser ouvida.
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