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Com produção de Ticiana Augusto, Morte e Vida Madalena chega aos cinemas brasileiros no dia 17 de setembro. Com distribuição da Embaúba Filmes e direção de Guto Parente, a comédia dramática, estrelada por Noá Bonoba, segue Madalena, uma produtora de cinema cuja vida está mergulhada em caos. 

Tendo que lidar com a morte recente do pai, uma gravidez de oito meses e a produção de uma ficção científica B, ela, ainda por cima, enfrenta Davi, o diretor do filme e seu ex-marido, desaparecendo misteriosamente do set. Madalena, agora, precisa fazer das tripas coração para terminar o filme antes do bebê nascer.

E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou com Ticiana. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: TICIANA AUGUSTO, PRODUTORA DE MORTE E VIDA MADALENA

A trajetória de uma produtora de cinema costuma envolver uma série de imprevistos, negociações e soluções criativas para que um projeto consiga chegar ao fim. Em Morte e Vida Madalena, essa realidade aparece ficcionalizada. Para Ticiana Augusto, a identificação com a história foi inevitável.

Morte e Vida Madalena
Morte e Vida Madalena

É sempre assim na nossa vida como produtoras. A gente começa, mas nunca sabe onde vai terminar. E terminar com todo mundo indo para casa bem, são e salvo, vivo, é uma alegria. Morte e Vida Madalena tem várias partes que são livremente inspiradas em diferentes processos que eu vivi, em situações que o Guto já me viu enfrentar com banco, fundo, Secult, com todas essas coisas que fazem parte do nosso cotidiano. Também existem situações que ouvimos de colegas e amigos, medos, sonhos e histórias que chegam até a gente.”

A relação entre ficção e realidade ganha ainda uma camada bastante particular na trajetória da própria Ticiana. Quando realizou Morte e Vida Madalena, ela sequer sabia que estava grávida. A descoberta aconteceu depois das filmagens, e a experiência acabou incorporada de maneira curiosa ao próprio processo do longa.

Saí do filme e descobri depois que estava esperando um bebê. Então, meu processo com o filme foi meio desencontrado. Acho que isso fez parte do ritual, porque a gente sempre trabalha com energias muito específicas quando faz os filmes. Eu estava grávida durante o processo e, na pós-produção, acabamos tendo a participação especial da Pocã, que está lá no último plano do filme. Ela acabou chegando a tempo de fazer parte do elenco.”

A parceria entre Ticiana Augusto e o diretor Guto Parente também é anterior ao longa e já atravessa mais de uma década. A produtora completa 14 anos de atividade em setembro, tendo iniciado sua trajetória justamente ao lado do cineasta em Doce Amianto, de 2013. Foi a convivência profissional entre os dois que também alimentou a ideia original de transformar as dificuldades do cotidiano audiovisual em matéria de ficção.

Ticiana Augusto
Ticiana Augusto

O Guto, há alguns anos, quando me acompanhava em ligações, indo para a Secult ou lidando com essas coisas, falava: ‘Vou começar a filmar. Vou fazer um documentário filmando, porque, se eu colocar isso num roteiro, ninguém acredita’. Quando começou esse projeto, a gente queria olhar para o trabalho, para o trabalhador de cinema, para o trabalhador do audiovisual. A princípio, não era uma produtora. O tempo foi passando, o governo entra, o governo sai, a gente aguarda alguns montes e desmontes dos processos que, às vezes, nós, do cinema, temos que viver. Então, resolvemos atualizar a ideia para uma produtora.”

A escolha por uma personagem produtora também responde a uma lacuna percebida por Ticiana dentro das narrativas metalinguísticas. Embora o cinema tenha retratado diretores e até profissionais de outras funções, a figura de uma produtora ocupa um espaço menos frequente, especialmente quando associada às próprias contradições do fazer cinematográfico.

É um personagem que a gente nunca vê muito. Acho que tem muito filme metalinguístico pelo mundo. Tem muitos diretores, tem até filme de dublê, mas realmente produtor e produtora nessa situação é muito raro. Pelo que eu lembro, o Guto veio com uma sinopse de a gente voltar para essa personagem produtora. Quando li, falei: ‘Nossa, a gente vai fazer esse filme. Amei’. E aí começamos todo o processo de colaboração.”

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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