Crítica


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Sinopse

Ruth ficou viúva e está grávida de sete meses. Ela acredita escutar a voz de seu bebê, assim como várias outras gestantes. A diferença peculiar no caso de Ruth é que as ordens do seu bebê fazem com que ela inicie uma violenta e sangrenta série de assassinatos.

Crítica

Em Prevenge, Alice Lowe quebra tabus sobre gravidez e maternidade, tanto dentro quanto fora da tela. Frustrada com a perspectiva de ter sua estreia como diretora ameaçada, ela decidiu produzir, escrever, dirigir e estrelar seu primeiro longa-metragem por conta própria, mesmo estando a poucos meses do parto. O resultado é um filme sangrento e repleto de humor negro, que coloca a gestação da personagem principal quase como uma possessão demoníaca. A narrativa acompanha Ruth (Lowe), grávida de oito meses que tenta superar a perda do marido, morto num acidente bizarro durante uma escalada. Ela passa, então, a receber ordens do feto (que se comunica telepaticamente, expondo sua sede de sangue com uma voz angelical) para assassinar brutalmente todos os envolvidos na morte de seu pai.

A originalidade da premissa – este é, afinal de contas, um filme sobre uma serial killer grávida agindo a mando do bebê em formação –, a direção segura e a excelente performance de Lowe são, sem dúvida, os pontos mais fortes do projeto. Tais aspectos garantem uma primeira metade sólida, violenta e engraçada, que funciona como uma eficiente apresentação do universo macabro da história. O pobre desenvolvimento da narrativa, porém, acaba fazendo os 90 minutos de projeção parecerem mais longos do que realmente são.

Ironicamente, este projeto repleto de potencial se beneficiaria de um período mais longo de gestação das ideias. Conforme a narrativa avança, fica evidente que o roteiro acabou sucumbindo a uma estrutura de repetição, que logo cansa o espectador. Acompanhamos Ruth dizimando vítimas sempre de maneira similar, uma atrás da outra, por quase toda a projeção: usando nome falso e uma história inventada, ela se aproxima em maior ou menor grau da presa, até finalmente cometer o crime, conversa com o feto a respeito e segue adiante em sua lista de culpados. Embora a série de homicídios praticados pela protagonista traga ótimos diálogos e atores talentosos (há alguns rostos familiares para os fãs da série Game of Thrones, aliás), ela não funciona particularmente bem como força motriz da trama. Há, ainda, uma porção de ideias interessantes levantadas pelo desfecho, mas que infelizmente não são exploradas ou desenvolvidas pelo roteiro.

De maneira geral, entretanto, considerando o pouco tempo que a criadora teve para produzir sua obra – as filmagens foram realizadas em apenas 11 dias, aproveitando o estágio avançado de sua gravidez –, e a quantidade de acertos para um filme de estreante, o saldo é positivo. Original, divertido e riquíssimo em metáforas, Prevenge precisaria de ajustes aqui e ali, mas definitivamente demonstra o potencial criativo de mulheres como Lowe no horror e na comédia.

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cursa Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo e é editora do blog Cine Brasil.
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