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Sinopse
Em O Telefone Preto 2, pesadelos assombram Gwen, de 15 anos. A garota passa a receber chamadas telefônicas misteriosas em seus sonhos e tem visões perturbadoras de três rapazes sendo perseguidos em um acampamento de inverno. Com a ajuda do irmão, ele próprio sobrevivente de um psicopata que o sequestrou anos atrás, ela deve agora confrontar um assassino que se tornou ainda mais poderoso na morte. Horror.
Crítica
Como dar sequência para aquilo que já foi encerrado? Provavelmente essa foi a questão que tirou o sono dos produtores de O Telefone Preto (2021), terror lançado nos cinemas em pleno período pandêmico e que, mesmo assim, conseguiu arrecadar nas bilheterias mais de dez vezes o valor do seu orçamento! Um feito e tanto que não podia ser desconsiderado. No entanto, o longa sobre um garoto sequestrado que conseguia se comunicar com os mortos por meio de um aparelho telefônico sobrenatural terminava com o algoz morto e o menino livre deste cárcere. Talvez uma prequel – ou seja, algo que se passasse antes dos eventos já vistos – fosse uma possibilidade. Ou investir nesse caráter fantasioso como uma maldição da qual o protagonista não consegue se livrar, mesmo após o último suspiro daquele que tanto o ameaçou. Entre um caminho ou outro, O Telefone Preto 2 optou por ambos. E assim tem-se um filme eficiente em propor continuidade àquilo que havia sido dado como encerrado, ao mesmo tempo em que cansa pelas reviravoltas mirabolantes que força a audiência a comprar sem muitos questionamentos.
Finney (Mason Thames, não mais uma criança, assumindo-se de vez como leading man) segue carregando consigo as cicatrizes do trauma que enfrentou. O espectador o reencontra bem diferente daquele menino frágil e amedrontado de antes. Ele agora é alguém que não leva desaforo para casa. Ao servir de deboche no pátio da escola, parte para resolver a questão no pulso, esmurrando a cara do colega que tentou rir dele. Sem amigos e nem apoio, encontra apenas na irmã algum tipo de compreensão. Gwen (Madeleine McGraw, de Segredos em Sulphur Springs, 2021-2023), no entanto, tem seus próprios problemas com os quais lidar. Atormentada pelo histórico familiar – o pai distante, a mãe suicida, o irmão sobrevivente – ela não tem encontrado descanso nem mesmo ao dormir. Será durante seus sonhos que Grabber, o psicopata que jurou vingança, entra em contato com ela. E não apenas ele: três de suas vítimas mais recentes também reaparecem, porém como num pedido conjunto por ajuda. Mas como teria sido ele o responsável pelas mortes destes garotos, todos assassinados quando o próprio vilão já havia falecido?

É preciso coragem – e ambição – para se entregar um filme como O Telefone Preto 2. Primeiro, pelo desprendimento em abrir mão de qualquer tipo de lógica para investir pesado numa narrativa cada vez mais ambientada por meio de um viés espírita, deixando de lado toda possibilidade de raciocínio concreto. Os heróis – o casal de irmãos, assim como um pretendente da garota (Ernesto, vivido por Miguel Mora) que decide acompanhá-los e aqueles responsável pelo local que serviu de cenários pelos crimes mais recentes – não hesitam em recorrer a rezas ou súplicas, em invocar nomes santos ou mesmo duvidar de conceitos como céu e inferno. Não causa espanto, portanto, ser num acampamento cristão onde os jovens terão que vestir personas detetivescas para descobrir não apenas a ligação do bandido com aquele lugar, como também as suas próprias. Há elementos do passado de todos que os conectam com eventos de anos e até mesmo décadas atrás. O telefone, portanto, segue como elemento de conexão entre situações temporais distintas. Mas não mais como única opção. Tal qual uma releitura do assustador Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo (1984), o mascarado interpretado por Ethan Hawke – que segue sem mostrar o rosto, mais uma demonstração de desprendimento da produção – o assassino volta por meio de uma manifestação onírica não apenas para seguir matando, mas também para causar a maior quantidade de dor nesse processo.
Scott Derrickson não é novato no gênero. Se títulos como o heroico Doutor Estranho (2016) ou mesmo o thriller Entre Montanhas (2025) investiam na aventura e nas relações entre os personagens, suas incursões pelo terror de um jeito ou de outro transitam pelo religioso ou condenatório. Em O Telefone Preto 2 ele deixa de lado maiores ressalvas e abraça esse ponto de vista de forma aberta e declarada. Nesse caminho, não deixa de resvalar em clichês redundantes – como o emprego de tipos latinos, como o interpretado por Demián Bichir, como se essa origem e cultura fosse mais emocional (e menos racional, portanto), e portanto, suscetível a acreditar naquilo que o terreno não oferece explicação. Se faz necessário, portanto, uma suspensão de credibilidade para comprar essas ‘liberdades’, por assim dizer. Isso posto, o confronto entre novos e velhos perseguidos por um algoz capaz de superar um entendimento racional não deixa de apresentar uma ou outra surpresa, assim como sequências de tensão devem satisfazer os mais afeitos a esse tipo de narrativa. Nada tão maniqueísta ou distorcido como um conjunto como esse poderia resultar, mas ainda assim distante da originalidade ou mesmo de uma abordagem criativa que se poderia esperar frente a um campo tão aberto de possibilidades.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 5 |
| Ticiano Osorio | 3 |
| Alysson Oliveira | 3 |
| Francisco Carbone | 7 |
| Ailton Monteiro | 4 |
| MÉDIA | 4.4 |

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