Crítica


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Sinopse

Uma jovem jornalista é encarregada de cobrir uma pauta sobre a monarquia durante o Natal. Ao ser enviada para cobrir a história de um príncipe prestes a se tornar rei, ela nem imagina que receberá o maior presente natalino de sua vida.

Crítica

Pouco mais de duas semanas depois de lançar em seu catálogo outra produção original, a Netflix postou em sua conta no Twitter: “Às 53 pessoas que assistiram a O Príncipe do Natal todos os dias nos últimos 18 dias: quem machucou vocês?”. Ora, é sempre bom lembrar que mesmo os piores filmes do Adam Sandler têm um público cativo, que adora aquelas bobagens cheias de mensagens machistas, homofóbicas, etc. É por isso, aliás, que não é papel da crítica ficar dizendo “assista isso” ou “não veja aquilo”, pois dela se espera uma posição de análise, não de guia de consumo – e dizer que um filme é bobo e inconsequentemente cheio de mensagens caducas não deveria ser a mesma coisa que afirmar que o seu público divide com ele as mesmas características.

Dito isso: às 53 pessoas que assistiram a O Príncipe do Natal todos os dias em 18 dias: mas que po**a?

Não que o filme seja um ataque às estruturas base do cinema (ele não chega perto dessa relevância), mas falamos aqui de uma obra tão empacotada comercialmente que, na verdade, é uma surpresa ela não se revelar ao fim uma propaganda de alguma marca de margarina. Tudo começa quando a jornalista Amber (Rose McIver), uma Zé Ninguém de certa publicação sobre celebridades, é mandada para cobrir a coroação do Príncipe Richard (Ben Lamb) no país de Aldovia. Uma vez lá, para conseguir uma exclusiva com o futuro Rei, ela se passa pela tutora da Princesa Emily (Honor Kneafsey), que sofre de uma doença rara que a impede de andar sem o auxílio de muletas – e, obviamente, elas logo se tornam amigas e Amber se apaixona pelo monarca.

Então deixe logo de lado o impulso de apontar todos os furos de roteiro, é realmente um esforço inútil. Pois O Príncipe do Natal é daquelas comédias com a fotografia lavada em iluminação de estúdio e tão branca que dói os olhos – e não estou falando da neve. Aliás, o filme também seria reprovado com desonras no Teste de Bechdel, já que, embora encabeçada por três ou quatro mulheres, sua trama possui diálogos que parecem sempre girar em torno de algum homem: o colunista, o Rei, o Príncipe, o primo dele e por aí vai. Isso, para não citar que Amber cai nas graças de sua Alteza em dois dias de convívio – afinal, como resistir a um Príncipe rebelde que adora crianças, prestes a se tornar Rei?

O longa tem pontos de virada tão previsíveis que, mesmo sem ter assistido, você já sabe quais são e quando eles vão acontecer. E o engraçado é que o filme nem tenta disfarçar isso, ele realmente quer ser essa narrativa bobinha para se deixar reproduzindo na TV durante o dia de Natal enquanto a família almoça – e não duvido que essa tenha sido exatamente a proposta da Netflix ao encomendar o projeto. E se foi, desse ponto de vista, estamos falando daí de um… troço (?) que funciona muito bem, e provavelmente eu mesmo vou deixar isso aqui passando na TV lá em casa durante a ceia também – afinal, como ruído de fundo, O Príncipe do Natal é um filmaço.

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é formado em Produção Audiovisual pela PUCRS, é crítico e comentarista de cinema - e eventualmente escritor, no blog “Classe de Cinema” (classedecinema.blogspot.com.br). Fascinado por História e consumidor voraz de literatura (incluindo HQ’s!), jornalismo, filmes, seriados e arte em geral.
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