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Sinopse
Em O Jogo do Predador, uma mulher enfrenta os desafios extremos da natureza ao explorar regiões isoladas da Austrália, colocando à prova sua resistência. Nesse cenário hostil, ela também se torna alvo de um perseguidor letal, intensificando a luta pela sobrevivência. Suspense.
Crítica
A primeira sequência, ainda antes dos créditos iniciais, dá o tom do que virá a seguir. Sasha (Charlize Theron, dominando a cena com uma presença magnética) e Tommy (Eric Bana, cumprindo o pouco que lhe é exigido) formam um casal praticante de esportes radicais. Os dois estão escalando uma parede rochosa particularmente difícil, e as condições climáticas adversas tornam a subida ainda mais complicada. Após muito insistirem, precisam desistir e se abrigar para a noite. Mas a parada é momentânea. Assim que o sol volta a nascer, retomam o intento. Ela determinada a alcançar o topo, ele um tanto relutante – pois o cenário não está muito diferente daquele enfrentado no dia anterior. Uma tragédia acontece, e ela precisa seguir sozinha. Sabe-se, a partir desse momento, que Sasha não é alguém fácil de ser manipulada, convencida ou mesmo controlada. A analogia animal está no próprio título. Tanto Apex – o batismo em inglês – quanto o nacional O Jogo do Predador propõem uma relação entre caça e caçador. Porém, se o segundo emula um conceito até mesmo lúdico, estará na proposta original aquela em que o filme, de fato, está interessado: numa disputa que aponte para quem está mesmo no comando.

Se o processo percorrido até que sua tese seja colocada à prova é por vezes por demais esquemática, ou até mesmo fácil de antever reviravoltas e mudanças de rumo, está menos no formato de videogame e mais no desempenho dos talentos envolvidos – tanto em frente, quanto atrás das câmeras – em que a atenção da audiência irá residir. Afinal, sabe-se de antemão quem irá sobreviver ao final, que haverá passagens nas quais as expectativas parecerão perdidas, e que surpresas deverão pontuar os momentos de virada. Então, se a estrutura percorre uma fórmula conhecida, é mais em como os atores irão se apropriar destes estereótipos, e em como o condutor conseguirá revertê-los e transformá-los, que O Jogo do Predador guardará suas verdadeiras ‘cartas na manga’.
Seis meses após o acidente que a deixou viúva, a protagonista está novamente em campo, em busca de mais uma aventura. Dessa vez, no entanto, decide percorrer uma mata de vegetação quase virgem, cavernas e grutas inexploradas e corredeiras prestes a serem domadas no interior da Austrália. É lá que Sasha irá se deparar com Ben (Taron Egerton, resvalando no clichê do psicopata com maior frequência do que o desejado), que até tenta disfarçar no começo, mas assim que se vê sozinho com aquela estranha não hesita em revelar suas intenções: ele agora irá persegui-la e matá-la, dando-lhe apenas alguns minutos de vantagem para fugir e se esconder. Não basta o terror da destruição e a violência do assassinato: o prazer, para ele, está na perseguição. Ao espectador, não se aconselha buscar razões para o que acontece a partir deste ponto e nem motivações para que essa lógica macabra se estabeleça: essas são, quando oferecidas, por demais frágeis. Tanto é que, por vezes, chegam mesmo a ser ignoradas.
O longa do islandês Baltasar Kormákur, escrito por Jeremy Robbins (The Purge, 2018-2019) – dois homens, portanto – por vezes de aproxima de uma lógica que vem sendo explorada com impressionante constância recentemente, como visto em Casamento Sangrento: A Viúva (2026) ou Eles Vão Te Matar (2026) – apenas para citar dois exemplos recentes: a da mulher que sofre incontáveis violências e agressões do início ao fim da trama, para vencer seus oponentes (e escapar com vida) apenas no final de tamanho sofrimento. Porém, ainda que se ameace tal trajeto, Theron é forte o bastante para impor outro tipo de percurso, tal qual fora feito, há mais de três décadas, por Meryl Streep em Rio Selvagem (1994) – não só pela similaridade do cenário, mas também pelos entraves dramáticos entre protagonista e antagonista percebidos em ambos os títulos. Ben/Taron até pode se imaginar no controle em um momento ou outro, mas ninguém duvida que é Sasha/Charlize quem irá cantar vitória no final.

Produção feita e pensada para o streaming – e com cara de uma tela com proporções diminutas, ainda que algumas sequências, principalmente aquelas envolvendo montanhas, pudessem se beneficiar de uma visualização mais ampla – O Jogo do Predador é não mais do que uma brincadeira de gato-e-rato com toques sádicos que, por mais que esses assustem em determinadas apresentações ou mesmo em suas ameaças, o conjunto não chega a emular suspense na audiência dado o seu caráter previsível e de baixa provocação. Eis uma jornada mais atenta ao durante – o seu desenrolar e em como o roteiro irá lidar com as obviedades impostas pelo caminho – do que em seu desfecho, uma vez que desse se mostra difícil desviar, tamanha sua previsibilidade. Por fim, eis um atestado do tamanho de Charlize Theron em Hollywood, que mesmo em tempo de maré baixa – como essa proposta descartável e quase irrelevante – consegue mostrar poder e exibir carisma, provando estar acima de qualquer intempérie. Seja na ficção, como no controle de suas decisões enquanto artista.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Robledo Milani | 5 |
| Leonardo Ribeiro | 5 |
| Daniel Oliveira | 6 |
| Ticiano Osorio | 2 |
| Chico Fireman | 2 |
| MÉDIA | 4 |

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