Crítica

A proposta de Emmanuel Benbihy não perde fôlego. Depois de iniciar na capital francesa com Paris, Te Amo (Paris, Je t'aime, 2006), os filmes em homenagens às grandes cidades continuam. Agora foi a vez Nova York, Te Amo, a cidade onde tudo pode acontecer, como ressalta o filme.

Não me parece correto observar esse tipo de trabalho da mesma forma que a um filme, no sentido tradicional da palavra. É de praxe que a junção de histórias distintas relacionadas unicamente pelo lugar em que se passam – e aí sempre me lembro do escritor uruguaio Eduardo Galeano, que diz que o importante não são as cidades mas as pessoas que nelas habitam – apresentem irregularidades, em maior ou menor número. Nova York, Te Amo, entretanto, surpreende neste aspecto. Composto por uma sequência de curtos enredos dirigidos por diversos diretores, o que predomina no novo projeto de Benbihy é o sucesso da grande maioria das investidas.

Podem ser destacadas sequências como a inicial, quando dois homens pegam o mesmo táxi e, na tentativa de decidirem a melhor rota para que se chegue aos destinos de ambos, travam uma cômica situação que vem a incluir a irritação do mais interessado em tudo isso: o taxista.

Outros dois ótimos exemplos são os segmentos que envolvem a luta travada entre dois homens por uma garota e o jovem que a leva ao baile. No primeiro, um elegante e jovem ladrão apaixona-se perdidamente por uma mulher que vê na rua. Segue os passos da moça e, ao encontrá-la no bar, depara-se com seu namorado. Travam uma divertida disputa amorosa moderna e bizarra, na qual ambos demonstram suas "qualidades" e esperteza.  Na segunda delas, um garoto deve levar a bela filha de um senhor ao baile. Empolgado com a beleza da moça, suas expectativas desaparecem por completo ao perceber que ela precisa de cadeira de rodas. As cenas posteriores são de uma comicidade vergonhosa, mas que se justificam plenamente no desembocar de um desfecho incrível. Marca da imprevisível situação que só é possível acontecer nessa cidade, terra das oportunidades.

Superando as expectativas deixadas por sua antecessora, Nova York consegue impor um ritmo agradável a tantas histórias distintas de forma a se sair muito bem quando compondo um conjunto narrativo, nesses retalhos do inimaginável. Suas temáticas estão presentes e não surpreendem a qualquer pessoa que viva em outra metrópole mundial: a cidade que nunca dorme, os encontros furtivos, as paixões avassaladoras. Todas representadas não pelo comum, mas pelo excêntrico e divertido.

Para os entusiastas da série, no calendário do idealizador da série estão em pré-produção o terceiro longa, agora em Xangai e, mais adiante, deve continuar a franquia em Jerusalém e aqui mesmo no nosso Rio de Janeiro.

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é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, e da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Tem formação em Filosofia e em Letras, estudou cinema na Escola Técnica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Acumulou experiências ao trabalhar como produtor, roteirista e assistente de direção de curtas-metragens.
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