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Sinopse
Em Minhas Tardes com Margueritte, Germain Chazes, um homem iletrado leva uma vida pacata. Mas tudo muda quando ele conhece no parque, que frequenta diariamente, a Sra. Vandeveld, uma velhinha que começa a ler para ele em voz alta. Drama/Comédia.
Crítica
Se na França o público é educado o suficiente para tornar campeão de bilheteria um filme chamado Cabeça Ociosa, provavelmente aqui no Brasil o mesmo não se repetiria. É por isso que o delicioso La tête en friche foi rebatizado como Minhas Tardes com Margueritte, um título tão simpático quanto o longa em si. Com mais de um milhão de espectadores, o novo trabalho do conceituado diretor Jean Becker (Élisa, 1995) estreou no Brasil em maio de 2011, com pouquíssimas cópias e apenas em cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro. O que aconteceu foi um verdadeiro fenômeno de boca a boca, e com as salas lotadas ficou difícil garantir a exibição da obra nos outros estados. É por isso que somente agora, seis meses depois, os gaúchos ganharam a chance de conferi-lo na tela grande. O bom, no entanto, é que o lançamento é simultâneo em DVD, possibilitando o acesso em qualquer lugar do país.
Estruturado num formato semelhante ao explorado no anterior Conversas com o meu Jardineiro (2007), em que Daniel Auteuil largava a vida cosmopolita em Paris para redescobrir o prazer das pequenas coisas ao lado do simplório Jean-Pierre Darroussin, o que muda aqui é a ordem desses encontros. Gerárd Depardieu aparece como o bronco e iletrado Germain Chazes, um faz-tudo que vive de pequenos bicos e do trabalho na própria horta. Ele é meio que o bobo da vila, um tipo grandalhão e meio lento, do qual todos fazem piada, mas que ao mesmo tempo está sempre à disposição para ajudar. Um dia, passeando pela praça, ele encontra Margueritte (Gisèle Casadesus, vista há pouco também em A Chave de Sarah), uma senhora de 95 anos que passa suas tardes lendo consigo mesma à sombra das árvores, enquanto alimenta os pombos. Os dois logo se encantam um pelo outro, e a amizade entre eles surge naturalmente.
O melhor de Minhas Tardes com Margueritte é a excelente dinâmica que se estabelece entre os dois protagonistas. O filme é curto – tem cerca de 80 minutos – e se sustenta basicamente na relação entre os dois. Os diálogos são prazerosos, e o fato deles se ligarem através da paixão pela leitura é ainda mais importante. Margueritte é uma cientista, solteira, que viajou o mundo e hoje, sozinha e sem companhia, se refugia no mundo dos livros para seguir desbravando fronteiras. Isso é tudo o que Germain precisa, ir além dos próprios horizontes e, finalmente, sonhar. Cada momento em que estão juntos ela passa lendo para ele clássicos e novidades, e o modo como o apredizado muda a maneira dele encarar seus relacionamentos é precioso. Tudo muda, ganhando mais cor, vivacidade e energia. E até o que era difícil, triste e desprezível agora passa a ter significado.
Premiado como Melhor Filme pelo Público no Festival de Newport, nos Estados Unidos, Minhas Tardes com Margueritte é também mais uma prova do gigante talento de Depardieu, um dos grandes nomes do cinema europeu. Sua presença aqui é repleta de nuances, e um mero olhar oferece uma gama impressionante de interpretações, mostrando a cada contato – com a mãe que o despreza, com a namorada apaixonada, com os amigos que debocham dele e, principalmente, com Margueritte, pela qual ele se ilumina – uma nova persona, única e plenamente verossímil. É um filme acima de tudo humano, que envolve de modo irremediável, levando até o mais sisudo dos espectadores às lágrimas. E o melhor, de felicidade e contentamento.
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