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Sinopse
Em Meu Querido Assassino, uma mulher com tipo sanguíneo raro vive sob ameaça constante ao ser caçada e mantida em cativeiro. Ao lado do assassino por quem se envolve, ela decide enfrentar um antigo inimigo que ressurge, colocando em risco qualquer chance de futuro. Suspense.
Crítica
Você já ouviu falar de Pimchanok Luevisadpaibul? Pois então, por mais que esse nome absolutamente fora dos padrões brasileiros se mantenha desconhecido para a maior parcela da audiência mainstream nacional, trata-se de uma das maiores celebridades do momento no outro lado do mundo, mais especificamente na Tailândia. Tanto é que a jovem possui um “nome ocidental”, digamos – se tornou popular também pelo apelido de Baifern, mais fácil de ser pronunciado pelos falantes de idiomas latinos, entre outros – e ela se encontra em um status que até mesmo uma gigante como a Netflix tem se preocupado em desenvolver projetos específicos para repercutir o seu estrelato. Como é o caso desse Meu Querido Assassino, que tem feito sucesso entre os espectadores do Brasil. Mas o projeto merece essa audiência toda? Nem tanto ao céu, muito menos ao inferno. Eis um título convencional para os padrões do gênero, cuja trama se confirma previsível, mas que ao mesmo tempo, justamente por sua simplicidade, se mostra adequado à tarefa de servir como cartão de visitas da atriz para novas audiências – que era, desde o início, sua intenção maior. Chute dado e gol feito, portanto.

O thriller dirigido por Taweewat Wantha – o mesmo por trás de Ataque 13 (2025) e Quando a Morte Sussurra (2023), também disponíveis na mesma plataforma de streaming – já começa de modo a obrigar a qualquer um na audiência a sustentar todo tipo de credibilidade. Afinal, o enredo parte da ideia de que existiria, além dos oito tipos conhecidos (A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-) um nono tipo sanguíneo, supostamente chamado de “sangue dourado”, o mais raro e, portanto, valioso de todos. A partir da revelação de que uma garota, vinda de família humilde no interior do país, seria a portadora mais próxima, sua vida passa a disputada por aqueles que querem dela fazer uso e dos demais que estão dispostos a protegê-la no que for preciso – até mesmo para tê-la como moeda de troca no futuro, provavelmente. Nesse processo, duas gangues rivais entram em conflito, um milionário tem sua sobrevivência em risco e os pais da menina são mortos. Sozinha, precisa acreditar que aqueles que a livraram de um destino supostamente pior assim o fizeram por querer seu bem. Isso, é claro, até o momento em que se sinta confiante o suficiente para caminhar com as próprias pernas.
O tempo passou, e Lhan, a protagonista agora vivida por Baifern/Pimchanok, passou os últimos anos da infância, a adolescência inteira e o começo da idade adulta sendo mantida em cativeiro por uma família de assassinos profissionais. Porém, como é de praxe em produções do gênero, a situação é por demais edulcorada, a ponto dela nunca se reconhecer como prisioneira. Quer dizer, por todo esse período esteve presa dentro de casa e nunca lhe foi permitido sair à rua, mas por qual motivo ela reclamaria, se possui a companhia não de um, mas de dois jovens como ela? Os rapazes – o filho do chefe do clã e um agregado – são tão cordatos que nem mesmo a tensão de um eventual (e óbvio) triângulo amoroso consegue se sustentar por muito tempo. Quando a garota, acompanhada pelos amigos, decide escapar “e conhecer o mundo lá fora”, isso se dá de forma quase mágica, como num conto de fadas. Não há represália, punições ou castigos, apenas falas duras que atentam para uma verdade mantida em segredo deles mesmos pelos mais velhos, algo que não exigirá muito esforço da audiência para que essa descubra por qual razão a portadora do sangue precioso é mantida sob tantos cuidados e ao lado do único herdeiro daquela tradição familiar.
Uma das medidas do impacto desse projeto, tanto na Tailândia quanto no Brasil – e assim como em grande parte do mundo contemporâneo – é analisar o quanto o mesmo tem repercutido pelas redes sociais. No caso de Meu Querido Assassino, tal medição foi facilitada por meio do intuito original dessa iniciativa, pensada para alcançar esse desdobramento. Assim, todos os trechos de ação, assim como os momentos românticos, são coreografados, editados e marcados em movimentos calculados, como se formatados para se encaixarem dentro de uma lógica das redes sociais. Eis, portanto, um verdadeiro “filme TikTok”, do qual pouco se exige da audiência no sentido de alcançar um entendimento amplo do conjunto, uma vez que o seu desenrolar se mostra propositalmente fragmentado para ser consumido aos poucos, em pedaços que podem ou não funcionar se conectados uns aos outros. É como se de um produto, se fizessem dois: o todo, para o espectador que persegue uma lógica já consagrada, e os cortes, para uma audiência incapaz de se concentrar por mais de alguns minutos em uma única tela.

Se cada revelação é anunciada com antecedência, se os inimigos anunciados lá no começo se mantém resistentes a ponto de estarem presentes até mesmo numa cena durante os créditos que aponte para uma eventual continuação, e se o drama amoroso parece ter tanto peso – e implausibilidade – quanto os combates físicos, Meu Querido Assassino se mostra mais interessante por tudo que abrange além da ficção e menos por aquilo que consegue agrupar em cena ao longo de suas mais de duas horas de duração. É quase como um caso a ser estudado capaz de antever tendências futuras, hoje já postas em prática e com relativos ganhos a serem contabilizados. Se seu alcance se confirmará massificador a ponto de eliminar ruídos contrários, só o tempo dirá. Mas que faz parte de um fenômeno a ser visto com cuidado – e preocupação – disso não há muitas dúvidas.
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