O Justiceiro: Uma Última Morte

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Sinopse

Em O Justiceiro: Uma Última Morte, Frank Castle tenta se afastar de seu passado violento em busca de um novo propósito. No entanto, uma força inesperada o leva de volta ao confronto, obrigando-o a retomar a identidade que tenta abandonar. HQs.

Crítica

Não dá para fingir ingenuidade aqui. O Justiceiro: Uma Última Morte não nasce como tributo espontâneo ao personagem, mas como peça calculada dentro da engrenagem maior da Marvel Television. Depois de ser deixado em suspensão no ciclo da Netflix, entre 2017 e 2019, e absorvido pelo ecossistema Disney+, Frank Castle reaparece menos como retorno triunfal e mais como preparação de terreno para sua entrada no UCM, com Homem-Aranha: Um Novo Dia, que logo mais estará por aí. É um episódio de aquecimento, claramente interessado em reposicionar o anti-herói para novos públicos. Portanto, se a ideia é “reintroduzir” o Justiceiro, por que não fazê-lo com aquilo que sempre o definiu melhor? Tensão moral, brutalidade e profundidade psicológica. Um pouquinho de cada um destes elementos está por aqui. 

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Não há muito tempo para firulas. Em cerca de 50 minutos, o episódio recapitula Frank Castle (Jon Bernthal), ex-fuzileiro naval marcado pelo assassinato da família e consumido por impulso permanente de vingança. A dor não é apenas memória: é motor de ação. Em paralelo, surge Ma Gnucci, figura clássica das HQs, que mobiliza o submundo de Nova York em uma caçada direta ao Justiceiro. A estrutura é simples, quase direta demais. O que move tudo é o choque imediato entre perseguição e resposta – sem grandes desvios.

Nesse recorte enxuto, Bernthal reafirma por que é, até agora, a versão mais consistente do personagem no audiovisual. Antes dele, passaram pelo papel Dolph Lundgren em O Justiceiro (1989), Thomas Jane em O Justiceiro (2004) e Ray Stevenson em Justiceiro: Zona de Guerra (2008). Todos com a mesma dificuldade central: equilibrar violência e densidade dramática sem reduzir Castle a um arquétipo vazio de vingador com flertes à extrema-direita. Bernthal, por outro lado, encontra ponto de contato mais humano dentro do colapso. Há peso no olhar, desgaste físico e sensação constante de alguém que já ultrapassou o próprio limite há muito tempo.

O ator, vale lembrar, pode até não ser um daqueles intérpretes camaleônicos, mas vive claramente seu auge de intensidade. Basta observar o que entrega em O Urso e, principalmente, no episódio especial Gary, lançado há pouco, com o personagem Michael (que, aliás, lhe rendeu um Emmy). Aqui, ele se move com a mesma energia contida, mas aplicada a um contexto de brutalidade explícita. Frank não é herói, e o episódio não tenta suavizar isso. Ele mata, e mata sem hesitação – algo que o diferencia de qualquer tentativa de aproximação com outros heróis sem poderes super-humanos, como o Batman. Nesse tipo de papel, ou se cai na caricatura, ou se encontra alguma verdade. E Jon parece à vontade nele.

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No fim das contas, O Justiceiro: Uma Última Morte não reinventa o personagem nem pretende isso de fato. Funciona mais como ponte do que como destino. Reinaldo Marcus Green, do interessante Monstros e Homens (2018), conduz tudo com segurança, mas sem grandes riscos, claramente alinhado ao controle mais amplo da Marvel sob Kevin Feige. É um produto competente, bem executado… mas contido. No frigir dos ovos, mais funcional do que duradouro. 

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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