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Sinopse
Em Conspiração e Poder, nos dias que antecederam as eleições presidenciais em 2004 nos EUA, a equipe de reportagens da CBS News divulgou documentos que colocaram em dúvida se o presidente Bush havia ou não prestado Serviço Militar. A produtora Mary Mapes acreditava, porém, que esse não era um caso isolado, e que muitos outros jovens com bons contatos conseguiram o mesmo privilégio. Em função de denunciar esses esquemas, ela e o âncora Dan Rather tentaram criar uma matéria, que os colocou como alvos principais do governo. Drama/Jornalismo.
Crítica
Em 1976, Robert Redford eternizou nas telas a figura do jornalista Bob Woodward, repórter do Washington Post e um dos responsáveis pela investigação que culminou no escândalo político norte-americano conhecido como Watergate, no cultuado Todos os Homens do Presidente. Em 2003, no subestimado O Custo da Coragem, Cate Blanchett interpretou a destemida jornalista irlandesa Veronica Guerin, que expôs os nomes dos grandes chefões do crime e das drogas de Dublin durante os anos 1990. Os dois excepcionais atores retomam suas vertentes politizadas em mais uma narrativa inspirada em fatos reais que tem o jornalismo como pano de fundo, desta vez no interessante Conspiração e Poder (2015).
Nos bastidores do programa 60 Minutos da CBS, a jornalista investigativa Mary Mapes (Blanchett) é uma das produtoras mais consagradas, sendo até mesmo premiada por desvendar o escândalo de abuso e tortura de prisioneiros de guerra em Abu Ghraib. Dedicada a uma nova história, ela descobre sérias irregularidades que privilegiaram o jovem George W. Bush durante seu período de serviço militar. Depois de uma minuciosa averiguação de dados e informações ao lado de sua equipe, que inclui o âncora Dan Rather (Redford), o programa vai ao ar e logo é seriamente questionado por se basear em documentos potencialmente manipulados.
Verdade. Este é o título original da estreia de James Vanderbilt na direção de um longa-metragem, depois de construir um currículo que tem entre outros trabalhos o crédito do intrincado roteiro de Zodíaco (2007). Considerando uma ficção que tem os bastidores do jornalismo televisivo como ambiente e as prévias das eleições norte-americanas de 2004 como período, é difícil esperar que uma verdade imparcial seja elemento presente em toda esta narrativa, ainda mais quando ela adapta um livro escrito pela própria Mary Mapes. Assim, o nome em português do filme acaba sendo mais adequado: Conspiração e Poder são elementos presentes em toda a trama de Vanderbilt, que funciona melhor como uma instigante história de suspense dramático do que como um retrato inconteste do que efetivamente ocorreu. Basta uma breve pesquisa para descobrir que a verdade é bem mais complexa e nebulosa do que a apresentada pelo filme.
Apesar de contar com performances soberbas de seus protagonistas (mais sobre isso a seguir), Conspiração e Poder acabou à sombra de outra produção que se apoia numa delicada investigação jornalística: Spotlight: Segredos Revelados (2015). Talvez pela atemporalidade e revolta presentes na história retratada no segundo filme ou pela maestria de Tom McCarthy na condução de seu elenco e roteiro, o filme de Vanderbilt não conquistou muita notoriedade e até mesmo passou despercebido pelos cinemas norte-americanos, destino que talvez tenha também no circuito cinematográfico brasileiro.
Uma fraqueza do roteiro também assinado por James Vanderbilt está no didatismo com que apresenta os contextos (de época, politica, televisivo) para situar seus espectadores. Personagens como Mike Smith (Topher Grace), Coronel Roger Charles (Dennis Quaid) e Lucy Scott (Elisabeth Moss) acabam subaproveitados por terem apenas a inglória função de questionar, explicar e exemplificar tudo o que se passa para facilitar a tarefa de quem assiste. Longe da inventividade do texto de Adam McKay no recente A Grande Aposta (2015), que também lida com muitas informações e contextos complicados, Conspiração e Poder acaba dedicando todo seu primeiro ato a esta enfraquecida introdução, que felizmente ganha fôlego durante seu desenvolvimento. O filme se torna realmente interessante (e trágico) quando toda a repercussão da denúncia de Mapes e sua equipe, que poderia influenciar o resultado das eleições à presidência dos EUA em 2004, são suprimidas pelo escândalo de dois documentos potencialmente manipulados que foram utilizados como fonte de informações.
Cate Blanchett, exaltada recentemente por sua performance indicada ao Oscar em Carol (2015), tem desempenho igualmente digno de láureas em Conspiração e Poder. As nuances com que ela constrói esta intrépida mulher, que acaba ameaçada pessoal e profissionalmente por suas denúncias, remetem ao seu desempenho em O Custo da Coragem e reiteram o talento de uma das maiores atrizes em atividade. Robert Redford mantém sua persona recorrente, que geralmente tem os papeis adaptados a si, mas não compromete como o âncora Dan Rather. Os dois atores demonstram uma química cativante, que engrandece o filme sempre que dividem a tela – e em especial nas sequências que revelam a dinâmica “pai e filha” que compartilham. Os coadjuvantes, que carregam o sentido literal do termo, aparecem pouco e não dizem muito, mas as atuações de Topher Grace e Rachael Blake se destacam.
Em algum lugar entre o exaltado Todos os Homens do Presidente (1976) e o esquecido O Custo da Coragem (2003) figura este Conspiração e Poder. Não se trata de um filme essencial ou imperdível, mas eficaz em suas pretensões. Pode não se tornar a primeira referência entre filmes sobre jornalismo, porém garante uma intrigante sessão, ainda mais quando se dedica a delicada e cada vez mais controversa relação entre mídia e política.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Conrado Heoli | 7 |
| Ailton Monteiro | 7 |
| Chico Fireman | 6 |
| Yasmine Evaristo | 7 |
| MÉDIA | 6.8 |




Filme confuso que misturou coisas fora do contexto e abusou de tanta gente discutindo na redação sobre métodos de pesquisa. A câmara apressando os passos; legendas superpostas; textos da NET expostos em inglês; documentos fotocopiados sem autenticação dos originais confessados pelas fontes como incinerados. Saí do cinema achando que teve fundamentos "de fato" sobre a fuga do jovem Bush de combater em Vietnam. Nada obstante o motivo não foi tão relevante para complicar sua ida à Casa Branca. Muito mais comprometedor seria o fato das eleições supostamente fraudadas, quando o farto de cultura e inteligência - Bush assumisse no lugar do Al Gore com muito mais cacife. Entendi também conspiração da mídia comprometedora com o SISTEMA. e mais não digo por me faltar conhecimentos de cinematografia. Julguem-me!