Onde Assistir
Sinopse
Em Acusado, à primeira vista, Henrik, Nina e sua filha Stine parecem uma família perfeita. Henrik é professor de natação e Nina trabalha como secretária do marido. Stine é uma adolescente de 14 anos de idade que um dia faz uma revelação que surpreende a todos. Ela conta à polícia que o pai cometeu um crime, o que irá alterar os rumos dessa família. Drama.
Crítica
O cinema contemporâneo dinamarquês é rapidamente associado a Lars Von Trier, Thomas Vinterberg, Susanne Bier e toda a trupe que questionou a sétima arte com o manifesto Dogma 95. No entanto, uma vertente ainda mais recente de realizadores vem fazendo proveito dos muitos incentivos que o país oferece à produção cinematográfica e constantemente se destaca entre a programação de festivais e mostras ao redor do mundo.
Sem pensar muito sobre a categoria supracitada, destacam-se Annette K. Olsen e seu excepcional Pequeno Soldado (2008), o sucesso internacional da trilogia Millenium (2009) nas mãos de Niels Arden Oplev e também Nicolas Winding Refn, que tem no currículo Drive (2011) e a igualmente cultuada trilogia Pusher (1996, 2004 e 2005). A partir de agora deve-se considerar no mesmo grupo Jacob Thuesen, nome que ganhou considerável expressão a partir de Acusado (2005), suspense indicado ao Urso de Ouro em Berlim.
Thuesen, que curiosamente desenvolve inúmeros trabalhos como montador, já havia dirigido curtas-metragens e documentários, e Acusado é seu primeiro longa. O suspense dramático explora um período crítico na vida do casal Henrik e Nina, que possui uma complicada relação com a filha adolescente, Stine. A convivência do trio fica ainda mais fragilizada quando a menina acusa o pai de abuso sexual.
Antes mesmo do argumento central do filme se tornar compreensível, a fotografia de Sebastian Blenkov se faz notar com um duro jogo de luz e sombra, que muitas vezes sequer revela as expressões dos atores. O que pode causar desconforto no início revela-se pactual à maneira comedida com que Thuesen apresenta seus personagens, em especial Henrik – que passa a sofrer as consequências da acusação e do rígido sistema legislativo e penitenciário da Dinamarca. Ainda que o intrigante roteiro de Kim Fupz Aakeson pressuponha a inocência de Henrik, sua face poucas vezes revelada pela fotografia de Blenkov se une a ótima interpretação de Troels Lyby para criar uma atmosfera ambígua acerca de seu personagem, tornando difícil poder afirmar qualquer coisa.
Enquanto o modelo narrativo whodunit? apresenta uma história na qual o principal mistério é descobrir quem é o culpado, Aakeson demora, mas afirma seu roteiro sobre um artifício que poderia ser intitulado hedunit?, onde a questão central está em conhecer a culpa ou inocência de seu protagonista. Tal questionamento, felizmente, dá espaço para o desenvolvimento da trama, que se aprofunda com uma série de problematizações advindas da acusação da garota, que gradualmente mina e transforma em caos a vida de seus pais.
Ainda que cometa alguns deslizes em sua resolução, Acusado tem um fechamento bastante climático e refinado, sem os excessos que um cineasta mais descuidado poderia causar em um filme de tema tão delicado. Fica a expectativa de que Jacob Thuesen deixe as moviolas – ou o que quer que as tenha substituído numa sala de edição – para se dedicar mais vezes à direção e às câmeras que ele parece orquestrar tão bem.
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