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Sinopse

Heitor e Julia brigam violentamente, ocasião que ameaça seu namoro duradouro. Ele pega o carro e decide encontrá-la para resolver as coisas. Nas ruas engarrafadas de São Paulo, o amor é entendido num contexto bem maior.

Crítica

Segundo longa da diretora paulista Lina Chamie, A Via Láctea estreou sob fortes aplausos numa mostra não-competitiva do Festival de Cannes de 2007. Agora, quase um ano depois, finalmente chega às telas do Sul do país. E a conclusão é de que valeu à pena esperar! Este é um belo exemplo de um cinema mais autoral, mas que mesmo assim consegue se comunicar com o público - a inventividade e ousadia demonstrada na forma não esconde a objetividade e simplicidade do conteúdo. Estamos diante de uma história de amor, e não há dúvida alguma quanto a isso.

Marco Ricca, um dos mais interessantes atores do cinema brasileiro atual, é um professor quarentão em crise com a namorada mais jovem. Após uma discussão telefônica aparentemente banal que termina atingindo extremos, decide largar tudo o que estava fazendo para ir ao encontro da amada, do outro lado de São Paulo, e tentar uma reconciliação. O trânsito caótico da grande cidade interfere de forma decisiva neste processo, provocando atrasos, encontros inesperados, situações conflituosas e gerando inestimáveis oportunidades de reflexão. Nestes momentos temos a oportunidade de descobrir como eles se conheceram, como se comportavam, como estas duas vidas aos poucos se transformaram em uma... até onde estão agora, prontas - ou não - para seguirem caminhos opostos.

No outro lado da linha está a bela e talentosa Alice Braga, que depois de despontar em sucessos como Cidade de Deus e Cidade Baixa - e antes de partir para o estrelato internacional de Eu Sou a Lenda - aceitou marcar presença nesta obra tão singela e singular. Alice é um frescor de juventude, uma personalidade maleável, sexy e inocente, madura e ansiosa por novidades. Ela compõe um ótimo contraponto ao modo sisudo e recluso vivido por Ricca. E, da mesma forma que achamos natural o envolvimento dos dois, concluímos que não serão poucas as forças que tentarão separá-los - externas e, acima de tudo, internas.

O primeiro filme de Lina Chamie, Tônica Dominante, de 2000, era ainda mais radical nesta proposta de se guiar mais por sensações, impressões e sonhos do que por uma lógica fechada e organizada. A Via Láctea, por outro lado, é dotado de mais elementos para agradar tanto os que buscam expressões mais únicas quanto àqueles atrás apenas de uma forma de entretenimento adulta e inteligente (como se fosse pedir pouco!). Se em determinadas passagens a diretora e roteirista parece exagerar na dose, criando um hermetismo desnecessário, no final somos presenteados com uma conclusão surpreendente e inesperada, mas que combina perfeitamente com tudo dito anteriormente. Mais um sinal de respeito - com a história, com os envolvidos e, claro, com o espectador. E isso sim é grande coisa!

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.
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