Fernando Cabral e Aline Zambrini são fundadores da Tomun, empresa brasileira especializada em análise de dados para todas as etapas de um projeto audiovisual. Nos últimos anos, eles vêm se destacando pela produção de estudos que analisam o desempenho do cinema nacional, o consumo de conteúdos nas plataformas de streaming e o comportamento do público, reunindo informações que ajudam a compreender as transformações da indústria. Entre os trabalhos mais recentes está a pesquisa O que o Brasil Assiste, que cruza dados de bilheteria, rankings de streaming e hábitos de consumo para traçar um panorama do audiovisual brasileiro. Em encontro remoto, o Papo de Cinema conversou Fernando e Aline.
No bate-papo, eles comentaram os principais resultados do levantamento, discutiram tendências do setor e refletiram sobre os desafios e as oportunidades para a produção nacional. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
ENTREVISTA :: FERNANDO CABRAL E ALINE ZAMBRINI, FUNDADORES DA TOMUN
Ao comentar a pesquisa, Aline explicou que o estudo buscou analisar, de forma integrada, o comportamento do público tanto nas salas de cinema quanto nas plataformas de streaming. “Essa pesquisa é muito importante para nós porque reúne uma visão bastante abrangente do audiovisual. Analisamos tanto o cinema quanto o streaming e conseguimos comparar o que se destaca em cada um desses meios. Existem muitas semelhanças, mas também diferenças importantes, que ajudam a entender melhor como o público brasileiro consome essas obras”.
Na sequência, Fernando contou que a empresa nasceu da percepção de que boa parte das decisões da indústria audiovisual ainda era tomada com base apenas na intuição. “A ideia da Tomun surgiu durante o desenvolvimento de projetos audiovisuais. Percebemos que muitas decisões eram tomadas muito mais pelo sentimento do que por informações concretas. Isso não é necessariamente ruim, mas muitas vezes acabamos criando percepções equivocadas sobre o mercado. Foi por isso que decidimos começar a coletar dados e entender melhor o audiovisual brasileiro”.
Segundo Cabral, a proposta da empresa nunca foi transformar os números em regras absolutas, mas utilizá-los para ampliar as possibilidades criativas. “A Tomun é especializada em análise de dados para o audiovisual, mas nosso objetivo não é dizer que os dados devem comandar as decisões. Pelo contrário. Queremos desenhar cenários para estimular a criatividade. Quando analisamos um gênero, um tema ou um conjunto de filmes, buscamos entender o que já foi feito, o que funcionou, o que não funcionou e quais caminhos ainda podem ser explorados”.
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