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Os tradicionais Casamentos de Santo Antônio, em Lisboa, estão em decadência. Carmo e Valentim, funcionários da prefeitura que organizam a festa há mais de 25 anos, recebem um ultimato: dar algum jeito de reinventar o evento ou perder o emprego. Com um grupo francês prestes a assumir o controle do evento, os dois decidem criar a edição mais memorável de todas. 

Esta é a trama de Santo Antônio: O Casamenteiro de Lisboa, mais nova aposta do diretor Ruben Alves e destaque do Festival do Rio 2026. A empreitada conta com nomes como Rita Blanco, Joaquim Monchique, Paco León, Pedro Nercessian e Maria João Bastos no elenco. Segundo os responsáveis, trata-se de uma “vibrante comédia” que é “uma carta de amor a Lisboa e uma celebração da comunidade, da tradição e da resistência cultural”. 

E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Ruben e Maria João. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

SANTO ANTÔNIO :: ENTREVISTA COM RUBEN ALVES & MARIA JOÃO BASTOS

Ruben parte de uma figura profundamente ligada à identidade portuguesa para construir Santo Antônio: O Casamenteiro de Lisboa, filme que usa a divindade como uma espécie de herói nacional. “Eu acho que em Portugal é o nosso grande super-herói. Como eu digo sempre, não há o Homem-Aranha, nós não temos os Vingadores, mas temos o Santo Antônio em Portugal. Então, eu queria fazer um filme sobre esse super-herói”. 

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Santo Antônio: O Casamenteiro de Lisboa

A tradição dos casamentos de Santo Antônio, realizada em Lisboa desde 1958, serve como ponto de partida para uma reflexão sobre aquilo que permanece e aquilo que desaparece diante da globalização. “Essa tradição, que é meio vintage, continua a ter uma certa força em Lisboa. E como o filme fala sobre tudo o que está desaparecendo da identidade de um povo, de uma cidade, com esta globalização, encaixa bem falar dessa tradição dos casamentos e do que está acontecendo hoje em dia”.

No centro dessa transformação está Beatriz, personagem de Maria João Bastos, uma mulher que deixou Portugal para viver em Madrid e construiu uma vida distante das próprias origens. “Ela meio que se afastou da família e renega um pouco as origens dela. Já não se identifica, não quer voltar a ter essa relação com o bairro onde nasceu. Ela tem uma relação conturbada com a irmã, a mãe e a irmã estão aprontando tudo, toda hora”. 

O retorno a Lisboa acontece contra sua vontade, até que a mãe decide inscrevê-la nos casamentos de Santo Antônio. Para a atriz, esse percurso permite que a personagem reencontre aquilo que tentou abandonar. “O que é bonito nesse arco do personagem é a transformação, que, através do amor, ela vai recuperando na relação com a mãe, descobrindo tudo o que a mãe está passando. Então, aqueles valores de família, de amor, falam mais alto do que o resto, a imagem, a vida que ela construiu. A verdade é que ela entende que as origens dela são fortes, a família, a origem, e acaba recebendo de novo a família, a sua origem, a tradição”.

Essa Lisboa em transformação também aparece na presença brasileira, representada no filme por Pedro Nercessian. Ruben conta que o personagem funciona, ao mesmo tempo, como elemento de humor e como observação sobre a imigração. “Este personagem que ele está representando é um pouco sátira deste movimento que agora, tipo, brasileiro está chegando. É meio para sorrir, mas ao mesmo tempo denunciando um pouco o pensamento de algumas pessoas que veem a imigração”. 

A experiência, porém, é vista pelo diretor também de maneira muito positiva. “O Pedro é maravilhoso, eu adorei trabalhar com ele, e realmente não podia faltar essa parte. É o espanhol, o francês, mas essa parte que agora está muito envolvida com os brasileiros na cultura lisboeta. À minha volta, todos os meus vizinhos são brasileiros, e isso dá uma energia à cidade incrível. Eu acho que o Brasil trouxe a Lisboa uma energia incrível”.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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