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Com distribuição da Capuri, Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira chega aos cinemas misturando comédia, suspense e fantasia. Com direção de Beto Marquez, o elenco conta com inúmeros rostos conhecidos do audiovisual nacional, como Eriberto Leão, Elisa Volpatto, Johnnas Oliva, Otávio Müller e Natália Lage.

Na trama, a pequena cidade de Furnas Fundas enfrenta uma eleição feroz que divide famílias, amigos e vizinhos. Enquanto todos disputam o futuro da cidade, ninguém percebe que um mal muito mais antigo está prestes a despertar. A violência da campanha eleitoral desperta uma força sombria adormecida há gerações.

E para falar mais sobre a aposta, o Papo de Cinema conversou com Eriberto. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA COM ERIBERTO LEÃO, ATOR DE FURNAS FUNDAS

Eriberto destacou a proposta como uma oportunidade de ampliar a diversidade de gêneros e linguagens no cinema nacional. “O cinema brasileiro precisa ser mais diverso, precisa ser mais ousado. A gente não pode esquecer da nossa ancestralidade cinematográfica. Eu sou glauberiano, principalmente pela coragem dele de fazer o que ele fez e de poder quebrar com todos os paradigmas da época, quando surge o Cinema Novo”.

Furnas Fundas
Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira

Eriberto também ressaltou a quantidade de mitos e referências presentes na cultura brasileira que ainda podem servir de matéria-prima para novas narrativas. “Nós somos o país com a maior quantidade de mitos do mundo ainda não trabalhados no cinema. E a gente tem feito filmes muito parecidos ultimamente. Por isso que Furnas Fundas surge como algo que sai do meio do pântano e fala: é possível fazer com uma linguagem diferente, uma linguagem original, que flerta com o Brasil profundo”.

Embora tenha sido filmado no final de 2023, o longa chega ao público em um momento que, para Eriberto, tornou sua dimensão política especialmente evidente. “Eu não tinha ideia de que seria tão perfeitamente conectado com o nosso momento atual. E assim, ninguém poderia prever. Se fosse um filme que tivesse sido feito agora, às pressas, você ia falar: ‘Pô, os caras pensaram em tudo, nos detalhes todos. Esse personagem representa fulano, outro ciclano’. E esse é o poder da arte, porque quando a gente trabalha com os arquétipos, que são eternamente humanos, e eles se revelam em determinados ciclos, acontecem momentos mágicos”.

A partir dessa relação entre fantasia, arquétipos e realidade, Eriberto define a experiência de Furnas Fundas como um mergulho em uma espécie de realismo fantástico profundamente brasileiro. “Vejo Furnas Fundas como entrando num portal de um realismo que é fantástico pela natureza do Brasil mesmo. Porque o que está acontecendo no Brasil… é surreal”.

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Furnas Fundas, Eriberto Leão

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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