O DOCSP: Encontro Internacional está de volta a São Paulo para sua 12ª edição, marcada para acontecer entre os dias 12 e 15 de outubro de 2026, desta vez ocupando pela primeira vez o MIS: Museu da Imagem e do Som. Entre os destaques da programação está Peter Mettler, diretor de cinema e diretor de fotografia suíço-canadense. No evento, Mettler exibirá o filme Enquanto a Grama Verde Cresce: Um Diário em Sete Partes e ministrará uma masterclass.
Segundo os responsáveis, a atividade propõe observar “motivações, obsessões, processos, experiências e caminhos do artista”. Frequentemente interessado na relação entre natureza, tecnologia e transcendência, Mettler acumula retrospectivas e premiações em eventos como TIFF, Locarno, Visions du Réel e Hot Docs. A masterclass do DOCSP acontece em 14 de outubro
E para falar mais sobre a iniciativa, o Papo de Cinema conversou com Peter. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
DOCSP 2026 :: ENTREVISTA COM O CINEASTA PETER METTLER
Mettler chega ao DOCSP com uma obra de mais de sete horas construída a partir de experiências vividas ao longo de três anos. “É um filme que surgiu da experiência de vida, de acompanhar coisas que apareceram durante um período de três anos, interpretá-las cinematograficamente e criar uma espécie de fluxo cronológico em torno disso”. Para o cineasta, a longa duração faz parte da própria proposta: “O objetivo é levar o espectador a uma jornada que é, às vezes, muito meditativa e filosófica, e algo de que o espectador também participa, trazendo suas próprias experiências e pensamentos”.

A duração, naturalmente, pode parecer um desafio para o público, mas Mettler percebe um paradoxo na maneira como lidamos atualmente com o tempo diante das telas. “A coisa difícil é conseguir que as pessoas vejam um filme de sete horas. Mas é estranho, porque acho que todos nós assistimos, fazemos maratonas de séries na Netflix e ficamos diante de televisores por mais de sete horas, e sentamos em computadores por mais de sete horas. Então é um paradoxo”.
Nas sessões que já realizou pelo mundo, porém, a resposta tem sido estimulante: “Fui muito recompensado pelas respostas do público, porque me disseram que o tempo passa, que até poderiam assistir mais, que é uma espécie de espaço em que entram e gostam, talvez comparável ao livro”.
No DOCSP, além da exibição do longa, Mettler conduzirá uma masterclass dedicada ao próprio processo criativo, marcado pela abertura ao acaso e pela improvisação. “Eu gosto de improvisar e estou aberto a ver o que eles querem trazer, mas acho que muitas das discussões serão sobre o meu processo particular, que é muito exploratório e improvisacional, o que é bastante incomum para a realização cinematográfica, porque geralmente você precisa definir seu filme antes mesmo de fazê-lo”. Essa liberdade também está presente na maneira como desenvolve suas obras: “Alguns dos meus filmes são muito viagens por ideias e temas, descobrindo coisas ao longo do caminho”.
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