20260414 paula astorga papo de cinema 800

Realizado em São Paulo, o BrLab se consolidou como um dos principais espaços de desenvolvimento de projetos audiovisuais da América Latina, reunindo produtores, diretores e agentes da indústria para mentorias, consultorias e conexões estratégicas. Em 2026, o evento mantém o foco na formação e no fortalecimento de narrativas autorais, ampliando o diálogo entre diferentes cinematografias do continente.

Entre os nomes convidados desta edição está Paula Astorga, produtora, cineasta e promotora cultural mexicana com ampla atuação no setor. Ex-diretora da Cinemateca Nacional do México, ela construiu uma trajetória marcada pela criação de festivais, cineclubes e iniciativas de difusão audiovisual. Sua presença no Brasil ocorre como integrante da comissão de seleção do BrLab 2026, contribuindo com sua experiência na curadoria e no desenvolvimento de projetos latino-americanos.

BrLab
BrLab

E para falar mais sobre sua atuação no evento, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Paula. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: PAULA ASTORGA, INTEGRANTE DA COMISSÃO DE SELEÇÃO DO BRLAB 2026

Questionada sobre o panorama do cinema latino-americano e seus principais pontos fortes e desafios, Paula destacou que enxerga mais potencialidades do que fragilidades no cenário atual. “Eu tenho uma resposta particular, porque o que eu penso é que temos muitas fortalezas. Acho que para nós é muito importante entender que nossos cinemas são muitos cinemas ao mesmo tempo. São os cinemas brasileiros, os cinemas mexicanos, os cinemas colombianos. Cada um dos nossos países tem uma diversidade interna maravilhosa”, afirmou. 

Para ela, um dos movimentos mais relevantes do presente é o afastamento de visões estereotipadas. “Para mim, o grande momento do nosso cinema latino-americano é uma ideia que está cada vez mais descentralizada de narrativas que nos transformam em algo exótico ou folclórico, ou em um clichê de imaginários tradicionais”.

BrLab 2026 :: Paula Astorga
BrLab 2026 :: Paula Astorga

Ao refletir sobre sua experiência à frente da Cinemateca Nacional do México, a produtora indicou que esse período foi decisivo para consolidar seu pensamento sobre o setor. “São muitas lições dessa experiência, porque, quando nós, como programadores, diretores de festivais ou agentes culturais, trabalhamos para a ideia do cinema, é como se estivéssemos trabalhando apenas para uma parte dele”, explicou. 

Segundo ela, há um problema estrutural na forma como muitos realizadores passam a se relacionar com o mercado. “Eu acho muito dramático quando cineastas pensam que, porque passam por muitos laboratórios e mercados e ficam três anos com um filme que não se faz, começam a acreditar que se faz cinema para a indústria”.

Astorga também criticou a centralidade de certos intermediários no processo de circulação das obras. “É como se suas audiências fossem os programadores de festivais, os agentes de vendas ou os distribuidores. Pensamos tanto e investimos tanto tempo nessas ‘audiências’, em nome de viabilizar o filme, que acabamos esquecendo do público”, avaliou. Nesse sentido, ela ressaltou a importância do contato direto com os espectadores. “A minha relação com as audiências na Cineteca foi um marco fundamental”, concluiu.

Gostou do conteúdo? Pois bem, então, fique ligado no Papo de Cinema para saber tudo, e mais um pouco, sobre o que acontece no mundo do cinema, da TV, dos festivais, das premiações e muito mais! Também recomendamos que siga nossos perfis oficiais nas redes sociais, a fim de ampliar ainda mais a sua conexão com o mundo do entretenimento. Os links estão todos aqui abaixo. Fique por dentro!

PAPO NAS REDES
Tik Tok | Instagram | Facebook
Letterboxd | Threads | BlueSky | Canal WhatsApp

A todo momento, todos os dias, tem conteúdo novo chegando e você não pode ficar de fora de nada. Então, nos siga e ative todas as notificações de cada plataforma!

A Mulher Que Chora, George Walker Torres

As duas abas seguintes alteram o conteúdo abaixo.
avatar
Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *