Realizado em São Paulo, o BrLab se consolidou como um dos principais espaços de desenvolvimento de projetos audiovisuais da América Latina, reunindo produtores, diretores e agentes da indústria para mentorias, consultorias e conexões estratégicas. Em 2026, o evento mantém o foco na formação e no fortalecimento de narrativas autorais, ampliando o diálogo entre diferentes cinematografias do continente.
Entre os nomes convidados desta edição está Paula Astorga, produtora, cineasta e promotora cultural mexicana com ampla atuação no setor. Ex-diretora da Cinemateca Nacional do México, ela construiu uma trajetória marcada pela criação de festivais, cineclubes e iniciativas de difusão audiovisual. Sua presença no Brasil ocorre como integrante da comissão de seleção do BrLab 2026, contribuindo com sua experiência na curadoria e no desenvolvimento de projetos latino-americanos.

E para falar mais sobre sua atuação no evento, o Papo de Cinema conversou, remotamente, com Paula. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
ENTREVISTA :: PAULA ASTORGA, INTEGRANTE DA COMISSÃO DE SELEÇÃO DO BRLAB 2026
Questionada sobre o panorama do cinema latino-americano e seus principais pontos fortes e desafios, Paula destacou que enxerga mais potencialidades do que fragilidades no cenário atual. “Eu tenho uma resposta particular, porque o que eu penso é que temos muitas fortalezas. Acho que para nós é muito importante entender que nossos cinemas são muitos cinemas ao mesmo tempo. São os cinemas brasileiros, os cinemas mexicanos, os cinemas colombianos. Cada um dos nossos países tem uma diversidade interna maravilhosa”, afirmou.
Para ela, um dos movimentos mais relevantes do presente é o afastamento de visões estereotipadas. “Para mim, o grande momento do nosso cinema latino-americano é uma ideia que está cada vez mais descentralizada de narrativas que nos transformam em algo exótico ou folclórico, ou em um clichê de imaginários tradicionais”.

Ao refletir sobre sua experiência à frente da Cinemateca Nacional do México, a produtora indicou que esse período foi decisivo para consolidar seu pensamento sobre o setor. “São muitas lições dessa experiência, porque, quando nós, como programadores, diretores de festivais ou agentes culturais, trabalhamos para a ideia do cinema, é como se estivéssemos trabalhando apenas para uma parte dele”, explicou.
Segundo ela, há um problema estrutural na forma como muitos realizadores passam a se relacionar com o mercado. “Eu acho muito dramático quando cineastas pensam que, porque passam por muitos laboratórios e mercados e ficam três anos com um filme que não se faz, começam a acreditar que se faz cinema para a indústria”.
Astorga também criticou a centralidade de certos intermediários no processo de circulação das obras. “É como se suas audiências fossem os programadores de festivais, os agentes de vendas ou os distribuidores. Pensamos tanto e investimos tanto tempo nessas ‘audiências’, em nome de viabilizar o filme, que acabamos esquecendo do público”, avaliou. Nesse sentido, ela ressaltou a importância do contato direto com os espectadores. “A minha relação com as audiências na Cineteca foi um marco fundamental”, concluiu.
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