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Dirigido pelo canadense Xavier Tera, A Cor do Sol fez sua estreia mundial no Festival de Veneza 2026, de onde saiu com o troféu FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) da seção Orizzonti. Agora, a obra desembarca na Competição Novos Diretores da 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Coproduzido por Canadá, Itália e Japão, o filme nos transporta para a principal ilha de Okinawa, onde Kamei e seus amigos refletem sobre o futuro durante as férias de verão, antes do último ano do ensino médio. Tudo muda quando Colin, um adolescente criado na base militar dos EUA, entra na vida deles. 

Em meio às primeiras experiências sexuais, lealdades incertas e traições, a vida dos jovens se desenrola sob o som constante dos helicópteros. Os sutis jogos de poder entre os habitantes locais e os residentes da base, os conflitos e as semelhanças entre Kamei e Colin revelam uma crua história de amadurecimento que questiona o que significa pertencimento. E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Xavier. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

A Cor do Sol, de Xavier Tera
A Cor do Sol, de Xavier Tera

A COR DO SOL :: ENTREVISTA COM O DIRETOR XAVIER TERA

Em A Cor do Sol, Xavier Tera explora pertencimento, identidade e descoberta pessoal em uma narrativa sensorial, marcada pela relação entre imagem e música. A questão do tem uma dimensão pessoal para ele, que cresceu em Quebec, no Canadá, em meio a uma cultura marcada pela história da colonização.  “Crescer em Quebec significava, de certa forma, que minha família me impunha a necessidade de ter orgulho de ser quebequense. Isso é normal, porque você nasce em um país e acaba incorporando certas ideias. Mas, quando você tem 16 anos, é muito difícil estar ligado a alguma coisa, porque ainda está tentando descobrir quem é como pessoa”.

Essa inquietação continuou ao longo de sua trajetória. Xavier deixou Quebec ainda jovem, morou em Londres e Nova York e, posteriormente, foi para o Japão. A experiência de viver em diferentes lugares ampliou suas dúvidas, questões que permanecem presentes em seu cinema. “Manter viva a cultura franco-canadense é ótimo, mas eu sentia que também precisávamos dar atenção à cultura das Primeiras Nações, que nós marginalizamos completamente. Todas essas questões permaneceram comigo. Passei por essa jornada tentando descobrir onde pertenço, e não tenho certeza se já consegui encontrar a resposta”.

A experiência com fotografia e videoclipes também teve influência direta na linguagem de A Cor do Sol. Embora reconheça a importância dessa trajetória para sua formação, Xavier procurou evitar que o longa tivesse a aparência de um comercial ou de um videoclipe. “Uma grande parte do meu trabalho é a fotografia. Mesmo nos videoclipes, gosto de trabalhar com a narrativa e com uma câmera que não se movimenta muito. Gosto de trabalhar quase contra a música, de uma maneira em que ela não conduza a imagem. Essa experiência certamente define minha personalidade e meu trabalho como cineasta, mas eu queria fazer algo que não parecesse um comercial ou um videoclipe.”

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A Cor do Sol, Xavier Tera

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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