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X-Men Origens: Wolverine

26/07/2013    

 

Crítica

Após o sucesso da trilogia X-Men no cinema, nada mais natural que o integrante mais popular de toda a turma ganhasse uma aventura solo na tela grande. Pois bem, em X-Men Origens: Wolverine, é quase isso que acontece – se o mutante com garras de adamantium é o protagonista, a profusão de outros heróis e vilões na tela é tão grande que por alguns momentos chega a ser difícil manter o foco. A proposta era simples: contar como surgiu um dos personagens mais famosos do universo das histórias em quadrinhos. Mas a impressionante bilheteria do terceiro filme da série – X-Men 3: O Confronto Final (2006), justamente o que possui a maior quantidade de seres fantásticos – influenciou decisivamente na formatação desta nova aventura. Assim, além de Wolverine, temos ao seu lado figuras fundamentais do seu passado, como Dentes de Sabre e o general William Stryker, ao mesmo tempo em que aparecem outras que até este momento não possuíam relação alguma, como os habilidosos Gambit e Ciclope! Essa aparente confusão se reflete também na própria avaliação do filme: é bom, mas poderia ter sido muito melhor.

Quem é habituado com os gibis não irá estranhar muito o que é visto em cena. O início, por exemplo, é idêntico ao que foi mostrado na série Origens, que relatava exatamente a primeira manifestação dos poderes do jovem James/Logan (Wolverine) – ainda adolescente, ele descobre não ser filho do próprio pai, possuir um meio-irmão (Victor Creed, o Dentes de Sabre, que possui dons similares) e ser capaz de feitos espetaculares, como auto-regeneração e projetar garras assassinas de suas mãos. Com sede por sangue, ele e o novo irmão partem para uma vida repleta de violência – como não envelhecem, acabam se envolvendo, sem maiores danos, nos maiores conflitos bélicos dos dois últimos séculos (a Guerra Civil Norteamericana, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, Vietnã). E assim seguem até que se deparam com o militar William Stryker, que os convoca a participar de um grupo de seres igualmente poderosos. Porém, ao invés de lutarem pelo bem, acabam se envolvendo em chacinas ainda maiores, o que termina por provocar o afastamento de Logan e uma consequente briga entre ele e Victor – a partir deste momento eles estarão em lados opostos.

Logan parte para o Canadá, se apaixona e tenta levar uma vida normal. Mas a tragédia está em seu caminho, e Stryker reaparece com um novo convite: participar de uma experiência inovadora, que só alguém como ele poderá sair vivo dela – revestir todo o seu esqueleto com adamantium, um metal ultra-resistente e praticamente indestrutível. Só que por trás de tudo isso há uma conspiração ainda maior, envolvendo a captura de outros seres mutantes e a possível extração dos poderes destes para a criação de um ser invencível, uma verdadeira máquina de guerra que estaria a serviço de Stryker. E só um homem poderá impedi-lo, mesmo que isso signifique se colocar contra o próprio irmão: Wolverine!

É fácil fazer duas listas, de prós e de contras, sobre X-Men Origens: Wolverine. De um lado temos Hugh Jackman, que pela quarta vez dá vida ao personagem que nasceu para interpretar – ele É Wolverine! O humor, a ferocidade, a garra, a paixão – está tudo ali, mais uma vez, de uma forma que só ele consegue fazer e como muito bem já havia demonstrado nos longas anteriores da série. Outro fator é a surpreendente revelação de Liev Schreiber (Um Ato de Liberdade, 2008), que, como o antagonista Dentes de Sabre, consegue criar um contraponto perfeito ao herói, assustador e dominado pela violência, numa composição memorável. Ao mesmo tempo, outros atores, como Dominic Monaghan (O Senhor dos Anéis) e Ryan Reynolds pouco conseguem acrescentar, seja pelo escasso tempo em cena, seja pela caracterização pouco convincente. Danny Huston (Um Louco Apaixonado, 2008) é outro ponto forte no elenco, oferecendo um Stryker tão alucinado quanto o exibido por Brian Cox em X-Men 2 (2003).

Mas X-Men Origens: Wolverine não é só elenco – há muito mais a ser percebido. Pena que o diretor Gavin Hood – vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo sul-africano Infância Roubada (2005) – não possua a habilidade suficiente para dominar todos os aspectos necessários diante seres tão complexos. E como resultado temos diálogos pouco criativos e soluções previsíveis ao lado de personagens inovadores e fantásticos. E se as cenas de ação não chegam a deixar ninguém de queixo caído, por outro lado a tarefa de narrar como tudo começou é concluída de modo competente e definitivo. Wolverine está aí, sabemos do que é capaz e é possível vislumbrar de forma convincente não apenas tudo o que ele já fez no futuro (na trilogia X-Men) como também o que ainda fará (quem ficar até o final dos créditos poderá conferir um preview da segunda aventura solo do herói). E a avaliação não tem como ser diferente: agrada gregos e troianos, fãs e novatos, mas não chega a passar de um aperitivo, apenas uma amostra de tudo o que ainda está por vir num futuro próximo.

Nota da crítica

3.5/5

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Robledo Milani é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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Ficha Técnica

NOME ORIGINAL: X-Men Origins: Wolverine

PAÍS DE ORIGEM: EUA

ANO: 2009

DIREÇÃO: Gavin Hood

ROTEIRO: David Benioff, Skip Woods

EDIÇÃO: Nicolas De Toth, Megan Gill

FOTOGRAFIA: Donald McAlpine

MÚSICA: Harry Gregson-Williams

DIREÇÃO DE ARTE: Michael Diner, Brian Edmonds, Ian Gracie, Karen Murphy, Mark Robins

FIGURINO: Louise Mingenbach

PRODUÇÃO: Richard Donner, Louis G. Friedman, Hugh Jackman, Stan Lee, Peter MacDonald, John Palermo, Lauren Shuler Donner, Marsha L. Swinton, Whitney Thomas, Ralph Winter

ESTÚDIO: Twentieth Century Fox Film Corporation, Marvel Enterprises, Donners' Company

ELENCO: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will I Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney, Ryan Reynolds, Tim Pocock, Julia Blake, Max Cullen, Troye Sivan, Michael-James Olsen, Peter O'Brien, Aaron Jeffery, Alice Parkinson, Philip A. Patterson, Anthony Gee, Adelaide Clemens, Karl Beattie, Tom O'Sullivan, Myles Pollard, Stephen Anderton, Chris Sadrinna, Septimus Caton, Matthew Dale, Nathin Butler, Peter  Barry, David Ritchie, Asher Keddie, Socratis Otto, Stephen Leeder, James D. Dever, Martin Obuga, Rita Affua Connell, John Shrimpton, Henry Browne, Tahyna Tozzi, Patrick Stewart

Sinopse

A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).

Curiosidades

- Filme com orçamento de US$$ 150 milhões e com um faturamento em bilheterias de US$ 373 milhões;

- Indicado ao MTV Movie Awards como Melhor Luta;

- Indicado na Academia de Cinema de Ficção-Científica, Terror e Fantasia como Melhor Filme de Ficção-Científica;

- Bryan Singer, Brett Ratner, Len Wiseman, Alexandre Aja e Zack Snyder manifestaram interesse em dirigir esse filme antes de Gavin Hood ser contratado;

- Liev Schreiber fora convidado primeiro para o papel do Coronel Stryker, mas ele pediu para assumir o de Victor Creed por considerar mais interessante;

- Ryan Reynolds pediu aos produtores para integrar o elenco, pois há anos sonhava em interpretar o personagem Deadpool nos cinemas;

- Karl Urban e Gerard Butler foram considerados para o papel de Victor Creed.

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  • "O Poderoso Chefinho" (Fox)

    4ªSemana: 372 mil espectadores

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