O cineasta, escritor, roteirista e gestor cultural Orlando Senna morreu na tarde dessa terça-feira, 09, aos 86 anos. A informação foi confirmada por uma sobrinha do diretor, Indra Rocha, por meio das redes sociais. A causa da morte não foi divulgada. Nome de destaque do cinema brasileiro, Senna ganhou reconhecimento nacional e internacional ao codirigir, ao lado de Jorge Bodanzky, Iracema: Uma Transa Amazônica (1975), considerado um clássico do audiovisual nacional e uma das obras mais importantes sobre a Amazônia durante o regime militar. A seguir, relembre sua trajetória.
ORLANDO SENNA
INÍCIO E FORMAÇÃO
Nascido em 25 de abril de 1940, no distrito de Afrânio Peixoto, em Lençóis, Orlando Senna participou ativamente da vida cultural de Salvador antes de se dedicar ao cinema. Atuou na Escola de Teatro da Bahia, no Centro Popular de Cultura e escreveu críticas de cinema. Sua entrada no audiovisual ocorreu como assistente de direção de Roberto Pires em Tocaia no Asfalto (1962).
CINEMA E CONSAGRAÇÃO
Após se mudar para o Rio de Janeiro no fim dos anos 1960, dirigiu seu primeiro longa-metragem, A Construção da Morte (1969). Poucos anos depois, alcançou projeção nacional e internacional com Iracema: Uma Transa Amazônica (1975), obra híbrida entre ficção e documentário que retrata a realidade amazônica durante a construção da rodovia Transamazônica. O filme enfrentou censura no período da ditadura e, posteriormente, tornou-se referência do cinema político brasileiro.

Também dirigiu Gitirana (1975) e Diamante Bruto (1978), que concorreu ao Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado em 1978. Em 1980, Iracema: Uma Transa Amazônica venceu o Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília, consolidando o reconhecimento crítico da obra.
ROTEIROS E PARCERIAS
Além da direção, Senna escreveu roteiros para cineastas importantes do país. Entre os trabalhos de maior destaque estão O Rei da Noite (1975), de Hector Babenco; Coronel Delmiro Gouveia (1978), de Geraldo Sarno; e Ópera do Malandro (1985), de Ruy Guerra.
ATUAÇÃO INTERNACIONAL E GESTÃO CULTURAL
Nos anos 1990, passou uma longa temporada em Cuba, onde foi professor e diretor da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños. De volta ao Brasil, atuou no Instituto Dragão do Mar, em Fortaleza, e ocupou cargos públicos ligados ao audiovisual. Em 2003, assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. Em 2007, tornou-se diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação, participando da criação da TV Brasil. Também trabalhou como consultor de roteiro em projetos como Glauber: O Filme, Labirinto do Brasil (2003), de Silvio Tendler, trabalho que lhe rendeu o Troféu Coxiponé de Melhor Roteiro no Festival de Cuiabá.
LEGADO
Orlando Senna deixa uma contribuição que ultrapassa sua filmografia. Foi um dos nomes associados ao Cinema Novo, ajudou a fortalecer o cinema brasileiro em diferentes frentes e atuou na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Sua trajetória combina criação artística, reflexão crítica e compromisso com a democratização da cultura, tornando-o uma figura central na história do cinema nacional.
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