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A Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, que segue em curso até o próximo sábado, 31, recebeu nesse fim de semana a atriz Letícia Sabatella, em passagem pela cidade histórica para divulgar o longa Pequenas Criaturas. Na manhã desse domingo, 25, a atriz participou de um encontro com a imprensa, no qual falou sobre o processo de criação de sua personagem para o filme, o momento pessoal em que aceitou o projeto, a força das relações femininas na narrativa e o papel da arte no enfrentamento das violências estruturais da sociedade. Confira!

LETÍCIA SABATELLA NA MOSTRA DE TIRADENTES 2026

PROJETO EM MOMENTO DELICADO

Letícia revelou que o convite para Pequenas Criaturas chegou em uma fase sensível de sua vida pessoal: “estava saindo com a minha mãe de uma internação hospitalar, praticamente um pós-AVC. A primeira coisa que eu fui fazer foi ir para esse lugar que fala de uma história tão íntima da Anne, sobre a mãe, sobre essa situação de aridez que ela enfrentava naquele momento da vida”.

Ao comentar a construção dramática, Sabatella destacou o jogo de contrastes que organiza a narrativa: “eles vão fazendo esse contraponto com as evoluções das crianças, com os hormônios, com os aspectos mais acerbados”, explicou. Para a atriz, os personagens infantis funcionam como motores de transformação: “o Theo vai descobrindo várias coisas pertinentes à idade, enquanto o Lorenzo transita entre algo meio onírico e meio realista”.

A atriz também chamou atenção para o trabalho visual do filme, especialmente no uso dos espaços e das cores: “o filme tem coisas belíssimas nesse contraste com a arquitetura, com a geometria e com aquela beleza de Brasília, mas também com a aridez. Aparecem cores fortes que contrastam com os personagens principais. É um filme muito bonito”.

Mostra de Tiradentes 2026 :: Letícia Sabatella
Mostra de Tiradentes 2026 :: Letícia Sabatella

ARTE, MULHERES E DESNATURALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Ao ampliar a conversa para além do filme, Sabatella refletiu sobre as relações femininas e o papel da arte na transformação social: “existe uma necessidade de compaixão pelas mulheres. A gente precisa buscar pontos de vista que não estamos acostumados, porque ainda predomina um olhar masculino, patriarcal. A arte precisa desnaturalizar violências muito arraigadas na nossa sociedade”.

Ela ainda defendeu transformações concretas nas estruturas do audiovisual brasileiro: “a gente precisa olhar para as equipes de cinema, para quem ocupa os cargos de poder. Muitas grandes produções no Brasil são lideradas por mulheres. Precisamos ampliar essa presença na direção, na narrativa e nas decisões para mudar esse lugar na sociedade”.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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