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A sexta noite do 54º Festival de Cinema de Gramado foi marcada pela estreia calorosa de Justino: Nos Bastidores do Reino, novo longa de José Eduardo Belmonte. Baseado no livro homônimo, escrito por Mário Justino, o filme acompanha a trajetória de um pastor que participa da expansão internacional de uma poderosa instituição religiosa até ter sua vida transformada após ser expulso da igreja por causa de uma revelação. Com Christian Malheiros no papel principal, a produção aborda fé, poder, preconceito e as relações construídas em torno das instituições religiosas.

Ambientada entre as décadas de 1960 e 1990, com locações no Brasil e em Portugal, a produção é de Nilson Rodrigues, da Mercado Filmes, em coprodução com a Geração Entretenimento, e tem distribuição da Imovision. Em Gramado, Justino disputa o Kikito na competição de longas brasileiros.

Na manhã desta quinta-feira, 20, Christian Malheiros conversou com o Papo de Cinema sobre a experiência de interpretar um personagem inspirado em história real, a relação pessoal que mantém com a religião e a alegria diante de sua primeira participação no Festival de Gramado.

FESTIVAL DE GRAMADO 2026

HISTÓRIA QUE LHE ERA FAMILIAR

A proximidade de Christian com o universo retratado em Justino começou antes mesmo das filmagens. Criado em uma família ligada à Igreja, o ator conta que a convivência com a religião fez parte de sua formação e ajudou a compreender a dimensão daquela experiência. “Foi o ambiente em que nasci. A gente ia para a igreja com a minha mãe. Eu sou o sétimo filho. A gente entende o que é sentir a energia de uma galera reunida em nome de Jesus, a força de um líder espiritual. Era um universo muito natural para mim”.

Essa relação não ficou apenas no passado. Christian continua acompanhando a mãe à igreja e ressalta o respeito que mantém pela escolha religiosa dela. “Eu vou com a minha mãe à igreja até hoje. De vez em quando ela reúne os filhos e chama para ir à igreja, e a gente vai. Então, basicamente, é isso. A gente está sempre em contato com a religião, uma religião que eu respeito muito. Respeito muito a escolha da minha mãe. E esse filme foi feito para dialogar com a minha mãe também”.

Festival de Gramado 2026 :: Equipe de Justino no tapete vermelho
Festival de Gramado 2026 :: Equipe de Justino no tapete vermelho

“ESTREAR UM FILME EM GRAMADO ERA UM SONHO”

A chegada de Justino ao Festival de Gramado também representa um momento importante para o ator. Christian não escondeu a emoção de apresentar o trabalho em um dos principais festivais de cinema do país e revelou que a experiência já lhe trouxe uma percepção diferente sobre o alcance de sua própria carreira. “A estreia em Gramado, para mim, era um sonho. Estrear um filme aqui, o tão famoso evento, tem sido muito bom porque estou sendo muito acolhido pelo festival, pela cidade. Tenho recebido muito carinho. Não sabia que tantas pessoas gostavam do meu trabalho, que me conheciam. Estou tendo um termômetro disso”.

A recepção também aumenta a expectativa para que o filme encontre o público para além da Serra Gaúcha. Para Christian, a trajetória de Justino tem força justamente por partir de uma experiência individual para abordar temas capazes de alcançar diferentes espectadores.

FÉ, PERDÃO E REDENÇÃO

Inspirado na história real contada por Mário Justino, o protagonista atravessa uma trajetória marcada por transformações profundas. Para Christian, um dos pontos centrais da obra está justamente na possibilidade de reconstrução de um homem negro e periférico que encontra na religião um caminho de transformação e, posteriormente, precisa lidar com as consequências de sua própria história.

Festival de Gramado 2026 :: Justino: Nos Bastidores do Reino
Festival de Gramado 2026 :: Justino: Nos Bastidores do Reino

Espero que esse filme alcance o público e que as pessoas entendam e se sintam muito tocadas por essa mensagem. É a história desse cara, que é um cara preto, periférico, e conseguiu renascer das cinzas para contar o seu testemunho. É um filme que fala sobre o poder do perdão e sobre a redenção também. Espero que o público se sinta emocionado nesse lugar.”

E SE VIER O KIKITO?

Com Justino agora oficialmente na disputa pelo Kikito, Christian também já começa a imaginar a possibilidade de voltar ao palco do Palácio dos Festivais, dessa vez, não para apresentar o filme, mas para receber uma das cobiçadas estatuetas do festival. “Se o Kikito vier, eu estou pronto para ele. Só não tenho roupa para receber. Mas a gente arruma (risos)”.

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