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Ao longo da 21ª CineOP, a preservação audiovisual voltou a ocupar o centro das discussões do festival. Criada com esse propósito, a mostra reuniu pesquisadores, realizadores, estudantes e instituições para refletir sobre a importância de preservar a memória do cinema brasileiro e garantir que esse patrimônio permaneça acessível às futuras gerações. Para a diretora da CineOP, Raquel Hallak, preservar o audiovisual significa muito mais do que conservar filmes. Trata-se de proteger a história, a identidade e a memória de um país. A preservação das imagens é a preservação da nossa história. Preservar o audiovisual é preservar quem nós somos, a nossa identidade e a possibilidade de as próximas gerações conhecerem o passado que construiu o presente.”

CINOP 2026

PRESERVAÇÃO COMO ACESSO À MEMÓRIA

Segundo Hallak, a preservação só se completa quando as obras voltam a circular e alcançam novos públicos. Um dos objetivos da CineOP é justamente aproximar estudantes e jovens espectadores de filmes que marcaram diferentes momentos da história do cinema brasileiro. Quando exibimos filmes restaurados para uma plateia jovem, não estamos apenas mostrando obras antigas. Estamos despertando o interesse pelas nossas origens, pelos costumes, pelas tradições e pelas histórias que formam a nossa sociedade“.

MULHERES NO CENTRO DA HISTÓRIA

Um dos principais eixos desta edição foi a valorização das mulheres cineastas, com uma programação dedicada aos primeiros longas-metragens dirigidos por realizadoras brasileiras. A proposta buscou revisitar a história do cinema nacional a partir de perspectivas que, durante décadas, receberam pouca visibilidade. É quase aprender a reescrever a história do cinema brasileiro a partir das mulheres e dos seus olhares, que durante muito tempo foram silenciados em um campo historicamente masculinizado“.

CineOP 2026. Foto: Leo Lara
CineOP 2026. Foto: Leo Lara

Hallak ressaltou que revisitar essas trajetórias também é uma forma de ampliar o entendimento sobre a própria história do cinema brasileiro. “Essas mulheres abriram caminhos em um campo historicamente masculinizado. Conhecer suas trajetórias é também compreender a história do cinema brasileiro por uma outra perspectiva”.

Ao reunir realizadoras de diferentes gerações, a CineOP promoveu encontros entre experiências, memórias e diferentes formas de fazer cinema, fortalecendo o diálogo entre quem abriu caminhos e quem continua escrevendo essa história. “Reunir mulheres de diferentes gerações faz com que a gente conheça um pouco desse cinema feito por mulheres e entenda a importância dos seus olhares para a nossa história”.

TEMA QUE ECOOU NA MOSTRA COMPETITIVA

A discussão sobre a presença feminina no audiovisual também encontrou reflexo na Mostra Competitiva. A única cineasta mulher entre os longas selecionados, Luiza Lindner, conquistou o principal prêmio da 21ª CineOP com Irritante Prodígio, vencedor do Troféu Vila Rica de Melhor Filme. O reconhecimento dialoga com uma das principais reflexões propostas pelo festival nesta edição: ampliar a visibilidade das mulheres no cinema brasileiro e reconhecer a diversidade de olhares que constroem sua história.

Encerrando a reflexão, Hallak reforçou que preservar o cinema também significa garantir que essas histórias permaneçam em circulação e continuem inspirando novas gerações. “Preservar não é apenas guardar o passado. É garantir acesso, fazer os filmes circularem e conectar passado, presente e futuro para que novas histórias continuem sendo contadas.”

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Jornalista formada pela Universidade Feevale, é pesquisadora de cinema e diversidade, com foco no universo LGBTQIAPN+. Possui experiência em rádio e TV e atua como criadora de conteúdo no @ajuklein (TikTok e Instagram).

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