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A 21ª CineOP começou oficialmente nesta quinta-feira, 25, na cidade de Ouro Preto (MG), reafirmando sua vocação como o principal festival brasileiro dedicado à preservação, à história e à educação no audiovisual. Realizada na Praça Tiradentes, a cerimônia de abertura reuniu realizadores, pesquisadores, estudantes e o público em uma noite de celebração da memória do cinema brasileiro. 

CINEOP 2026

HOMENAGEM A HELENA SOLBERG 

O grande destaque da noite foi a homenagem à cineasta Helena Solberg, que recebeu o Troféu Vila Rica em reconhecimento à sua trajetória e contribuição para o audiovisual nacional. A celebração também contou com uma performance artística inspirada no tema desta edição, “Um país existe nas imagens que preserva”, seguida da exibição de dois trabalhos fundamentais da diretora: A Entrevista (1966) e Meio Dia (1970).

Ao receber o reconhecimento, Helena relembrou a importância de retornar às imagens que marcaram o início de sua trajetória no cinema, seis décadas depois da realização de seus primeiros filmes. A diretora destacou o contexto histórico e político que atravessava suas obras, especialmente em um período marcado pela censura e pela repressão.

CineOP 2026. Foto: Leo Lara
CineOP 2026. Foto: Leo Lara

A Entrevista era um filme que fazia uma revisão da minha formação burguesa e dos seus valores. E Meio-Dia, feito em 1966, é uma metáfora sobre a censura e a repressão daquele período. É um filme que gostam de chamar de experimental, anarquista. A censura, na época, nos obrigava a sermos muito criativos, e acho que, enfim, é um filme com o pé na intolerância dos momentos que estávamos vivendo”, afirmou a cineasta.

PRESENÇA DAS MULHERES NA HISTÓRIA DO CINEMA

Já a diretora da CineOP, Raquel Hallak, ressaltou que esta edição do festival volta seu olhar para as mulheres cineastas e para as trajetórias femininas que ajudaram a construir a história do audiovisual brasileiro. Cada mulher que filma, cria e preserva deixa mais do que imagens: deixa caminhos para que outras histórias possam existir. Suas trajetórias revelam que o cinema também é construído pelos olhares, pelas experiências e pelas memórias de mulheres que, ao longo do tempo, transformaram a ausência de espaço em presença, resistência e criação”, destacou.

CineOP 2026. Foto: Leo Lara
CineOP 2026. Foto: Leo Lara

Segundo Hallak, preservar essas histórias significa “reconhecer contribuições fundamentais e garantir que novas gerações encontrem nessas trajetórias inspiração, pertencimento e possibilidades de futuro”.

ENCONTROS E DEBATES REFORÇAM A MISSÃO DA MOSTRA

Além da programação no Cine-Praça, o primeiro dia da 21ª CineOP também marcou o início dos encontros e debates que fazem parte da identidade do festival. Profissionais, pesquisadores e representantes de instituições se reuniram para discutir temas como preservação, memória e educação audiovisual. A abertura reforçou o compromisso da CineOP em revisitar o passado como uma forma de construir reflexões sobre o presente e pensar os caminhos do futuro do cinema brasileiro.

 

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Jornalista formada pela Universidade Feevale, é pesquisadora de cinema e diversidade, com foco no universo LGBTQIAPN+. Possui experiência em rádio e TV e atua como criadora de conteúdo no @ajuklein (TikTok e Instagram).

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