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Nem chegou a esfriar! A série Carrie, a Estranha estreou em 07 de outubro de 2026 e, duas semanas depois, acaba de ser renovada pelo Prime Video para a segunda temporada. Desenvolvida por Mike Flanagan, a adaptação do clássico de Stephen King conquistou espaço no catálogo da plataforma e propõe mudanças importantes em relação às versões anteriores da história, incluindo um desfecho que abre caminho para novos episódios. Mas o que já sabemos sobre a continuação? E como a produção se diferencia dos filmes? Nós investigamos!

CARRIE, A ESTRANHA

De acordo com o anúncio da Amazon MGM Studios, a produção alcançou o primeiro lugar entre os títulos mais assistidos da plataforma em mais de 105 países. Em comunicado, Peter Friedlander, responsável global pela área de televisão da Amazon MGM Studios, afirmou que a adaptação “vem atraindo tanto admiradores antigos de King quanto novos espectadores, especialmente o público jovem e internacional”. Para o executivo, a recepção “demonstra a longevidade da história e o alcance da releitura proposta por Flanagan”.

O próprio criador já havia indicado que gostaria de levar a trajetória de Carrie além dos acontecimentos tradicionalmente associados ao baile de formatura. “Desde o início, imaginamos uma história que vai muito além do baile de formatura, e sou incrivelmente grato pela confiança e apoio de Stephen ao explorar o que vem a seguir”, declarou Flanagan no anúncio da renovação. Por sua vez, King comemorou a possibilidade de continuar acompanhando a personagem: “Mike Flanagan e eu estamos empolgados com o que vem a seguir. Com certeza será eletrizante”.

Até o momento, o Prime Video não divulgou a previsão de estreia, o número de episódios nem os detalhes específicos da trama da segunda temporada. 

QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE A SÉRIE E OS FILMES?

PRINCIPAIS ADAPTAÇÕES

CARRIE: A ESTRANHA (1976)

A primeira e mais célebre adaptação chegou aos cinemas em 1976, dirigida por Brian De Palma, com Sissy Spacek como Carrie White e Piper Laurie como Margaret. O elenco também contava com Amy Irving, William Katt, Nancy Allen e John Travolta. O longa transformou o romance de King em um clássico do horror, impulsionado pelo estilo visual de De Palma e pela atuação de Spacek. O resultado também foi um sucesso comercial: produzido com orçamento estimado em US$ 1,8 milhão, arrecadou cerca de US$ 33,8 milhões mundialmente. A produção recebeu ainda duas indicações ao Oscar, para Spacek e Laurie, nas categorias de Melhor Atriz e Atriz Coadjuvante.

Carrie, a Estranha (1976)
Carrie, a Estranha (1976)

CARRIE 2: A MALDIÇÃO DE CARRIE (1999)

Em 1999, Carrie 2: A Maldição de Carrie levou a história para uma nova geração. Dirigido por Katt Shea, o longa apresentou Rachel Lang (Emily Bergl), meia-irmã de Carrie, também dotada de poderes telecinéticos. Amy Irving retornou como Sue Snell, personagem que havia interpretado no filme de De Palma. A sequência atualizou a premissa para questões adolescentes dos anos 1990, como exploração sexual, bullying e violência masculina. A recepção, no entanto, foi majoritariamente negativa. O longa, até o fechamento desta matéria, pontua 42/100 no Metacritic e 23% de aprovação no Rotten Tomatoes, além de ter sido um fracasso comercial na época: arrecadou cerca de US$ 17,8 milhões ao redor do globo – diante de um orçamento de US$ 21 milhões.

CARRIE (2002)

Em 2002, a personagem voltou em um telefilme da NBC dirigido por David Carson e escrito por Bryan Fuller, com Angela Bettis no papel principal e Patricia Clarkson como Margaret White. A produção procurou se aproximar novamente do romance de King e utilizou uma estrutura de flashbacks para contar a trajetória da protagonista. A exibição original alcançou 12,21 milhões de espectadores nos Estados Unidos. Apesar da audiência expressiva, a recepção crítica foi negativa, principalmente pelas críticas aos efeitos especiais, à duração e à ausência de uma atmosfera de horror mais consistente. As atuações de Bettis e Clarkson, contudo, foram frequentemente apontadas entre os principais méritos da produção.

CARRIE: A ESTRANHA (2013)

A terceira adaptação cinematográfica chegou em 2013, sob direção de Kimberly Peirce, responsável por Meninos Não Choram (1999). Chloë Grace Moretz interpretou Carrie, enquanto Julianne Moore assumiu o papel de Margaret. A nova versão procurou atualizar a história para a era das redes sociais, incorporando o cyberbullying e novas formas de exposição pública à trama. O longa arrecadou US$ 84 milhões mundialmente, diante de um orçamento de US$ 30 milhões. Apesar do desempenho comercial, a recepção crítica foi apenas mediana: atualmente, a produção registra 51% no Rotten Tomatoes e 53/100 no Metacritic, com elogios ao elenco, mas críticas à sensação de que a releitura acrescentava pouco à adaptação de De Palma.

Carrie: A Estranha (2013)
Carrie: A Estranha (2013)

COM A PALAVRA, O SHOWRUNNER

Em entrevista à revista Men’s Health, Flanagan explicou que sua intenção não era simplesmente refazer o clássico de De Palma. “A resposta a que cheguei foi: você não refaz Carrie – faz algo novo e usa Carrie, a estrutura e os personagens que pensamos conhecer como uma maneira de dar vida a essa história”, afirmou.

NARRATIVA RECUPERA ESTRUTURA DO LIVRO

Uma das diferenças está na maneira de contar os acontecimentos. Enquanto o filme de 1976 apresenta a história de forma predominantemente linear, a série incorpora notícias, depoimentos e registros posteriores à tragédia, aproximando-se da estrutura documental utilizada por King no romance. A escolha permite reconstruir o caso de diferentes perspectivas e explorar não apenas os acontecimentos que culminam no baile, mas também as circunstâncias sociais e familiares que contribuem para a tragédia. O formato televisivo ainda oferece espaço para desenvolver situações e personagens que, nos filmes, recebem menos atenção.

BULLYING GANHA DIMENSÃO DIGITAL

A atualização para a contemporaneidade é outro elemento central. Na série, a violência contra Carrie não se limita aos corredores da escola, às provocações presenciais e às humilhações sofridas diante dos colegas. As redes sociais ampliam a exposição da adolescente e transformam seu sofrimento em conteúdo compartilhado por outras pessoas. A personagem Chris Hargensen, interpretada por Alison Thornton, utiliza a internet para intensificar a perseguição. Embora a versão cinematográfica de 2013 já incorporasse a tecnologia, a produção de Flanagan dedica mais espaço à circulação de imagens e à amplificação do bullying no ambiente digital.

PASSADO FAMILIAR DE CARRIE É MODIFICADO

Nas adaptações mais conhecidas, o pai de Carrie morre antes de seu nascimento. Na série, Ralph White, vivido por Tahmoh Penikett, participa da criação da filha, que cresce isolada do mundo exterior. Sua morte é o acontecimento que leva a adolescente a frequentar a escola pela primeira vez. A mudança interfere diretamente na construção da protagonista. A educação restritiva, o isolamento e os traumas familiares passam a integrar de maneira mais explícita a formação emocional da jovem e sua dificuldade de estabelecer relações fora de casa.

MARGARET GANHA OUTRA COMPLEXIDADE

Interpretada por Samantha Sloyan, Margaret White continua sendo uma figura religiosa e controladora, mas sua relação com Carrie recebe um tratamento diferente. Em vez de funcionar somente como uma antagonista que manifesta rejeição pela filha, ela também é apresentada como alguém cujo amor é intenso e sufocante. Flanagan abordou essa escolha na entrevista à Men’s Health. Segundo o cineasta, a equipe quis “explorar uma relação construída a partir de um vínculo afetivo real, embora marcado pela incapacidade de Margaret de proteger a filha sem restringir sua liberdade”. A abordagem não elimina a violência e o abuso, mas acrescenta contradições à personagem.

EMALINE E UNIVERSO SOBRENATURAL SÃO NOVIDADES

Outra mudança significativa é a introdução de Emaline, personagem interpretada por Thalia Dudek. Ausente do romance original e das principais adaptações cinematográficas, ela estabelece uma relação com Carrie que amplia a dimensão sobrenatural da narrativa. A presença de Emaline, ao lado de outras figuras introduzidas ao longo dos episódios, sugere que os poderes de Carrie não são necessariamente um fenômeno isolado. Essa possibilidade se torna especialmente importante no desfecho da temporada, que abre espaço para uma história sobre outras pessoas com habilidades extraordinárias.

Carrie, a Estranha
Carrie, a Estranha

O DESFECHO MUDA O DESTINO DE CARRIE

A diferença mais decisiva aparece no final. No romance de King e nas versões cinematográficas mais conhecidas, Carrie morre em decorrência dos acontecimentos ligados ao baile. Na série de Flanagan, ela sobrevive e deixa Chamberlain ao lado de Emaline. A mudança transforma o sentido da narrativa: em vez de encerrar a trajetória da personagem com a tragédia, a produção estabelece as bases para acompanhar suas escolhas posteriores e as consequências dos poderes que ainda está aprendendo a compreender. A série também amplia o alcance da destruição provocada pelas habilidades telecinéticas e apresenta figuras como Adelaide, interpretada por Kate Siegel, associadas a uma realidade sobrenatural mais abrangente. 

O QUE ESPERAR DA 2ª TEMPORADA?

Na mesma entrevista, Flanagan foi questionado sobre os caminhos possíveis para a personagem. O cineasta ressaltou que suas ideias ainda eram “especulativas” naquele momento, mas apontou uma direção que considera especialmente promissora: a posição de Carrie entre outras mulheres com habilidades extraordinárias. “Só vimos a ponta do iceberg de seu lugar nesse legado de outras mulheres dotadas de poderes, e acho que é aí que estaria o foco”, afirmou.

A VIDA DE CARRIE DEPOIS DA TRAGÉDIA

A primeira possibilidade é acompanhar Carrie fora de Chamberlain, tentando reconstruir a própria vida depois dos acontecimentos traumáticos. Em entrevista ao Inverse, Mike Flanagan explicou que a sobrevivência da protagonista foi “uma escolha deliberada”, enquanto Summer H. Howell manifestou o desejo de “explorar a recuperação emocional da personagem longe da cidade que nasceu”. A renovação abre espaço para desenvolver essa trajetória. 

AS MULHERES COM PODERES

Outra possibilidade envolve Adelaide e a comunidade de mulheres com habilidades extraordinárias. Voltando ao material da Men’s Health, Flanagan destacou o “potencial ainda inexplorado de Carrie e sua relação com outras mulheres dotadas de poderes”. Isso abre caminho para investigar as motivações de Adelaide e os objetivos desse grupo, mas a produção ainda não confirmou qual será o papel dessas personagens na continuação. 

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