Onde Assistir
Sinopse
Em Zona Zero, uma conferência de biotecnologia é interrompida quando um vírus de rápida mutação é liberado, levando ao isolamento imediato do local. Com a contaminação se espalhando em ritmo acelerado, os sobreviventes ficam presos enquanto os infectados passam a evoluir de maneiras cada vez mais imprevisíveis, tornando a luta pela sobrevivência ainda mais perigosa. Horror.
Crítica
Qualquer novo projeto de Yeon Sang-ho desperta curiosidade. Afinal, foi ele quem entregou Invasão Zumbi (2016), um dos melhores – se não o melhor – filmes de zumbis do século XXI. Batalhas frenéticas, personagens interessantes e uma tensão que parecia não dar descanso fizeram daquele longa um exemplar especialmente vigoroso do gênero. E talvez o que mais lhe conferisse charme fosse justamente aquilo que ele se recusava a explicar. De onde veio o vírus? Como parar a epidemia? Pouco importa. A cultura pop já incorporou essas criaturas de tal maneira que, diante de novo apocalipse, parte do público parece dizer: certo, pulemos logo a aula de ciências e vamos à ação. Em Zona Zero, no entanto, Sang-ho parece ter esquecido a própria fórmula. Ao tentar construir algo mais ramificado e professoral, acaba soterrando justamente aquilo que sabia fazer de melhor.

A trama começa durante uma conferência de biotecnologia em Seul, quando a liberação de um parasita de rápida mutação transforma o edifício em zona de contenção. Entre as vítimas está Kwon Se-jeong (Jun Ji-hyun), professora da área, que precisa entender a infecção para encontrar uma saída. Só que os contaminados não permanecem restritos ao comportamento animalesco convencional. Conforme evoluem, passam a agir de maneira como se compartilhassem uma mesma consciência. Do lado de fora, agentes tentam compreender o que aconteceu, enquanto Seo Yeong-cheol (Koo Kyo-hwan), biólogo ligado à criação do micróbio, guarda respostas importantes sobre sua origem. A ideia, no papel, é instigante: transformar o tradicional confinamento de sobrevivência numa espécie de duelo entre esperteza humana e uma ameaça capaz de aprender a cada novo confronto.
Porém, o realizador não parece saber a hora de parar. A premissa dos infectados conectados seria suficiente para sustentar um thriller claustrofóbico, mas o roteiro vai acumulando subtramas, explicações e novas camadas até perder de vista o que havia de mais envolvente. Abre-se espaço para investigação externa, a mitologia ganha proporções cada vez maiores e surgem até elementos próximos de habilidades telepáticas. É como se cada boa ideia precisasse imediatamente de outra para justificá-la. Portanto, nesse processo, a preocupação vai ficando pelo caminho. Aquilo que poderia ser uma história direta sobre pessoas tentando escapar de criaturas que se adaptam passa a exigir atenção para quantidade excessiva de informações. E suspense não combina muito com bula de instruções.

Outro problema está nos personagens. Quase nenhum deles ganha complexidade suficiente para que realmente nos importemos com o que acontecerá. E aqui é inevitável voltar a Invasão Zumbi. Queríamos que Seok-woo (Gong Yoo) sobrevivesse. Queríamos acompanhar Sang-hwa (Ma Dong-seok) em mais uma demonstração de força física. Mesmo os secundários carregavam algum traço capaz de despertar identificação. Em Zona Zero, porém, a sensação é de que quase todos podem ser descartados a qualquer momento. A aposta até funciona em momentos isolados, sobretudo quando Sang-ho coloca os sobreviventes para correr ou cria ataques em que os contaminados demonstram essa capacidade de adaptação. Fora deles, a narrativa perde boa parte do impulso. E as mais de duas horas pesam. Um corte significativo de duração provavelmente faria bem à experiência.
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Grade crítica
| Crítico | Nota |
|---|---|
| Victor Hugo Furtado | 4 |
| Maria Caú | 3 |
| Celso Sabadin | 5 |
| Chico Fireman | 6 |
| MÉDIA | 3.5 |

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