Traição Entre Amigas

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Sinopse

Em Traição Entre Amigas, Penélope e Luiza enfrentam uma ruptura causada por uma decisão que altera trajetórias e expõe feridas antigas. Entre conflitos, desejos e descobertas, cada uma precisa entender seus limites e reconhecer responsabilidades antes de se reencontrarem. Drama.

Crítica

Traição Entre Amigas nasce como projeto que, à primeira vista, inspira atenção imediata. Do ponto de vista da escrita, Thalita Rebouças já se consolidou como nome confiável quando o assunto é adaptação de suas obras para o cinema, com trajetória que inclui sucessos como Tudo por um Pop Star (2018) e Uma Fada Veio Me Visitar (2023), quase sempre amparada pelo roteiro de Marcelo Saback. Na direção, surge Bruno Barreto, cineasta responsável por marcos incontornáveis do cinema nacional, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), além de uma indicação ao Oscar no fim dos anos 1990 com O Que É Isso, Companheiro?. Os ingredientes, portanto, pareciam compor combinação promissora. No entanto, a nova aposta do diretor se aproxima mais de seus trabalhos recentes, como Crô: O Filme (2013) e Vovó Ninja (2024), distanciando-se do vigor artístico que marcou seus títulos mais celebrados.

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Na trama, Penélope (Larissa Manoela) e Luiza (Giovanna Rispoli, atriz em ascensão no cenário nacional) são amigas inseparáveis desde a infância. Prestes a concluir o ensino médio, Luiza confidencia à amiga que é apaixonada por Vicente (Dan Ferreira) e pretende se declarar para ele durante uma festa. Ao saber que o rapaz não comparecerá, ela desiste da ideia. O que muda tudo é o desenrolar dos acontecimentos naquela mesma noite: Penélope vai à festa, Vicente também, os dois se aproximam e acabam dormindo juntos. A traição é devastadora. Luiza rompe a amizade, enquanto Penélope parte para Nova York em busca do sonho de se tornar atriz. Com o oceano separando as duas, o enredo se pergunta se o tempo será capaz de cicatrizar feridas e permitir o renascimento dessa relação.

A partir da ruptura, o roteiro opta por desenvolver as protagonistas em trajetórias paralelas, cada uma em um país, lidando com seus próprios conflitos sem a presença da outra. É justamente aí que o filme começa a perder aquilo que o título promete explorar: a força da amizade. Pouco se resgata do vínculo que unia Penélope e Luiza, tampouco se constrói, de fato, a dimensão dessa relação para que o rompimento tenha maior impacto dramático. Em pleno 2025, a espinha dorsal do conflito – duas jovens brigando por um homem que claramente não demonstra compromisso com nenhuma delas – soa anacrônica – e talvez devesse ter ficado no ano 2000, quando o livro de Thalita foi lançado. Uma conversa honesta e madura resolveria o impasse com facilidade, mas o roteiro prefere recorrer ao velho artifício da falta de comunicação, conduzindo a narrativa por um caminho previsível.

Mesmo com o empenho evidente de Larissa e Giovanna, é difícil ignorar que ambas ainda não exibem densidade dramática capaz de sustentar plenamente a tela grande. A sensação recorrente é a de estar diante de uma novela das seis da Rede Globo, com expressões exageradas, choros melodramáticos e soluções interpretativas que privilegiam o excesso em detrimento da nuance. As atrizes estão entregues às personagens, é verdade, mas lhes falta a sutileza necessária para conduzir o espectador a uma experiência emocional mais profunda e complexa.

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No fim das contas, Traição Entre Amigas apresenta discurso que tropeça em suas próprias ambições. O filme tenta abarcar temas como paixão, traição, amadurecimento na vida adulta e até aborto, mas a abertura simultânea de tantas frentes narrativas compromete a consistência do conjunto. Falta foco, falta aprofundamento e, sobretudo, falta coragem para conduzir essas questões até consequências mais contundentes. O resultado é um longa irregular, com momentos pontuais de beleza e sensibilidade, mas que deixa no ar a sensação de potencial desperdiçado.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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