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Sinopse
Em O Que Há Entre Nós?, após 18 anos de casamento, Alice se confronta com o fato de que seu marido Frank se sente cada vez mais atraído por homens. Tanto Frank quanto ela e seus três filhos passam por uma mudança irreversível. Drama.
Crítica
A rotina familiar segue a mesma de sempre. No entanto, está justamente nesta aparente normalidade a provável origem dos problemas que serão enfrentados em O Que Há Entre Nós?, drama suíço que aborda a temática da descoberta homossexual sob um ponto de vista geralmente não muito explorado: o da mulher que é abandonada. Afinal, será o homem que, quando confrontado, decidirá assumir sua homossexualidade, deixando o lar para dar início a uma nova etapa de sua história. Ele que está enfrentando um processo mais brusco, de saída de casa, desligamento da companheira e dos filhos, e abraçando uma nova realidade diferente da anterior. Este viés aparentemente rico em possibilidades é deixado de lado pela diretora e roteirista Claudia Lorenz, que foca seu olhar no ocaso ao qual a esposa é jogada. Uma escolha corajosa, e nem sempre feliz.
Frank (Dominique Jann, Melhor Ator no Swiss Film Prize – o Oscar da Suíça – por Luftbusiness, 2008) e Alice (Ursina Lardi, Melhor Atriz na mesma premiação por Traumland, 2013) estão há dezoito anos juntos. O sexo é raro, e quando existe é quase como uma obrigação, uma atividade a menos a ser riscada da lista. A filha menor dorme repetidamente na mesma cama que eles, o garoto e a menina já adolescentes entram a toda hora no quarto dos pais – pois é lá onde está o computador da casa – e o beijo rápido dado no início ou no final do dia parece estar ali apenas para constar. Mas além disso, pequenos sinais de distúrbio começam a aparecer, como o esquecimento das próximas férias ou uma irritação repentina durante uma brincadeira com as crianças. Detalhes que ganham contorno de suspeitas quando ela se depara, ao navegar pela internet, com um site pornô gay. Quem teria passado por ali horas antes?
A suspeita inicial recai ao filho mais velho, que nega com veemência a possibilidade, inclusive fazendo graça. Resta uma única opção, e Alice não desvia da verdade: aquilo tem a ver com o marido. Quando questionado, surpreendentemente, ele não evita o debate, confirmando como algo menor, uma mera questão de curiosidade. Mas ela sabe que há algo além. Poderia, por um lado, simplesmente deixar de lado o assunto e seguir em sua feliz e acomodada ignorância. Mas insiste e vai atrás, em busca de uma resposta. E essa vem na forma do abandono. Sim, Frank tem um amante. Sim, Frank está apaixonado por ele e, bom, já que as coisas foram colocadas desse jeito, ainda que tivesse lutado consigo mesmo para não chegar a esse ponto, talvez o melhor seja abraçar essa nova vida e tentar ser feliz de outro modo. Pensando nele. E deixando-a com seus próprios demônios.
O que se vê a partir desse ponto não difere do que qualquer um imaginaria para o caso descrito. Depressão, falta de motivação, descaso com os filhos, com sua saúde e higiene, com o trabalho e com a casa. Mas assim como tudo cai, uma hora é preciso voltar a olhar para frente. Pinta-se o quarto, muda-se a decoração, volta-se ao jogo. Quando vê, está novamente saindo com homens. Não é um processo imediato, mas, sim, necessário. Alice é uma mulher como qualquer outra, que não esperava levar um tropeço como esse a essa altura da vida, mas tem sua autonomia, sua beleza, sua inteligência. O Que Há Entre Nós? não faz pouco caso disso, e explora esse potencial. Talvez o filme fosse mais rico em contradições e reviravoltas se acompanhássemos o drama vivido pelo marido, que está, de fato, vivendo uma experiência mais transformadora. Mas essa originalidade na abordagem tem um preço. E como resultado tem-se algo talvez não muito estimulante, mas ainda assim bastante verdadeiro.
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