Mortal Kombat 2

Crítica


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Sinopse

Em Mortal Kombat 2, forças do Plano Terreno enfrentam a ameaça de um governante que busca dominar os reinos e romper o equilíbrio entre os mundos. Diante do avanço do inimigo, guerreiros de diferentes origens se unem para um confronto decisivo que pode definir o destino de todos. Ação.

Crítica

Após o relativo sucesso do reboot Mortal Kombat (2021), nada mais provável do que a encomenda de uma sequência. E faz sentido esse apontamento com reticências pois não é a primeira vez que se tenta levar o fenômeno dos videogames para a tela grande, e mesmo o impacto desse projeto atual deve ser observado com cuidado. Afinal, o primeiro foi lançado em meio à pandemia de Covid 19, e ainda que tenha faturado nas bilheterias mundiais mais do que o seu orçamento, o desempenho não chegou a ser digno de aplausos entusiasmados – mas entende-se, claro, que as condições sanitárias não eram favoráveis para melhores resultados. E também não exigia muito esforço para se sair melhor do que o Mortal Kombat (1995) de três décadas atrás. Se até o filme protagonizado por Christopher Lambert conseguiu uma continuação (Mortal Kombat: A Aniquilação, 1997), por qual motivo não teríamos um Mortal Kombat 2 agora? E se por um lado essa mais recente abordagem segue a lógica atual de fan service, se dirigindo quase que na sua totalidade aos já iniciados nesse universo, também não encontrarão portas fechadas os recém-chegados. Eis, portanto, uma obra que entrega o que promete, para o bom e para o ruim que isso pode significar.

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Interpretado pelos desconhecidos Linden Ashby (Continência ao Amor, 2022) e Chris Conrad (DTF St. Louis, 2026) nos longas dos anos 1990, mas ignorado no título de 2021, Johnny Cage é a grande novidade de Mortal Kombat 2. E se antes havia ganho os rostos de intérpretes pouco marcantes, dessa vez quem o defende é Karl Urban, astro em alta por ter participado de franquias como O Senhor dos Anéis e Star Trek, além de ser um dos protagonistas da série The Boys (2019-2026). A escolha se mostra acertada, uma vez que seu charme de estrela, assim como o carisma envelhecido e até mesmo exagerado de alguém que está sempre à beira da canastrice, se encaixa nesse personagem que se apresenta como um verdadeiro ‘estranho no ninho’. Ou seja, após ser convocado para uma luta milenar em um outro plano astral como um dos representantes da Terra, o até então galã de cinema se vê tendo que levar a sério aquilo que há poucos instantes era visto por ele apenas como encenação. Eis a porta de entrada para o espectador se aproximar, da mesma forma, de um universo mágico e repleto de possibilidades.

É uma pena que essas não sejam tão exploradas como poderiam. Afinal, por mais que não tenha sido uma produção barata – o orçamento ficou em torno dos US$ 70 milhões – também não se está diante de um megainvestimento de Hollywood. Mortal Kombat 2 se situa em uma posição intermediária, e tais limites se fazem presentes. Os efeitos visuais são convincentes, ainda que comedidos. Os cenários impressionam, mas só num primeiro momento, uma vez que se mostram rapidamente redundantes. E o próprio elenco, a despeito de um ou outro nome de maior impacto, é repleto de coadjuvantes sem históricos que chamem atenção. Ainda assim, não em grande número. Cenas que exigiriam multidões oferecem apenas figurantes pontuais – grande parte da trama envolve a disputa por um reino praticamente desabitado (quem mais, além dos guerreiros, se importa com tal lugar?). Tentou-se, e isso está nítido, aumentar o escopo da produção, mas ainda está longe de ser algo do primeiro time.

Dito isso, sobre o que trata essa parte 2? Bom, é quase como uma transcrição literal do título: um combate mortal para decidir quem se consagra – mais uma vez – campeão. Shao Kahn (Martyn Ford, de Velozes e Furiosos 9, 2021) é o vilão da vez, e após ter eliminado um oponente em uma luta sangrenta, da qual apenas um seguiu em pé, assume a criação da filha do derrotado como sua legítima herdeira. É claro, porém, que a garota não irá aceitar tal submissão sem um plano de vingança para chamar de seu. Agindo como agente infiltrada, ela acabará se aliando a um movimento de resistência que, entre outros, contará com a ajuda de última hora de… Johnny Cage! Figuras como Hanzo Hasashi (interpretado por Hiroyuki Sanada, vencedor de dois Emmys), Liu Kang (Ludi Lin, de Power Rangers, 2017), Jax (Mehcad Brooks, de And Just Like That, 2025) e Sonya Blade (Jessica McNamee, de Megatubarão, 2018) seguem fazendo a alegria dos admiradores, ao mesmo tempo que novos rostos foram agregados, como os de Tati Gabrielle (The Last of Us, 2025) e Adeline Rudolph (Hellboy e o Homem Torto, 2024), que promovem diferentes dinâmicas nesse eterno jogo de poder.

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Simon McQuoid tem feito da saga Mortal Kombat sua vida – não só é produtor e diretor dos dois filmes recentes, como não se envolveu em mais nada entre um e outro – e seu comprometimento com o projeto se confirma com as dimensões adquiridas e levadas adiante em Mortal Kombat 2. Por mais que compartilhe da mesma deficiência de quase toda adaptação de videogame para o cinema – como transformar algo tão interativo em uma experiência unicamente visual? – e contexto tem se modificado nos últimos tempos, e a receptividade do público tem se mostrado atenta a esse tipo de restrição. Assim, mais uma vez jogando para um público na sua maioria convertido, o que se vê é uma aventura com pouca relação com a realidade ou mesmo interesse em aprofundar suas eventuais camadas de interpretação. Nada contra uma aposta de escapismo, mas se contentar em ser não mais do que o esperado é não apenas confortável, como também preguiçoso. Ou seja, cumpre o propósito de manter a proposta viva. E nada além disso.

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

Grade crítica

CríticoNota
Robledo Milani
5
Alysson Oliveira
3
MÉDIA
4

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