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Sinopse
Em La vie d'une femme, Gabrielle, 55 anos, dedica-se integralmente à sua carreira como cirurgiã e chefe de serviço em um hospital público. Sobrecarregada por responsabilidades profissionais e pessoais, ela tenta equilibrar o cuidado com o marido e a mãe enquanto mantém a rotina sob controle. A chegada de uma romancista que passa algumas semanas em seu serviço para pesquisar um livro altera esse equilíbrio cuidadosamente construído. Drama.
Crítica
Quando o filme Caso 137 (2025), de Dominik Moll, participou da competição principal do Festival de Cannes, a atriz Léa Drucker foi apontada como forte candidata ao prêmio de melhor atriz. Acabou perdendo para Nadia Melliti, por A Irmãzinha (2025), mas foi recompensada com o prêmio César na cerimônia deste ano. De volta a Cannes protagonizando La Vie D’Une Femme, de Charline Bourgeois-Tacquet, que abriu a disputa pela Palma de Ouro de 2026, a estrela francesa domina o filme em outra grande atuação, com semelhanças entre os dois papéis.
O título genérico do filme (A vida de uma mulher, em português) também poderia se aplicar à investigadora policial de Caso 137. Só que dessa vez acompanhamos a rotina de Gabrielle, uma bem-sucedida médica de 55 anos especializada em delicadas microcirurgias em pacientes com tumores faciais. Ela chega a participar como palestrante em um simpósio chamado “Como Reconstruir Uma Identidade”, e, metaforicamente, é o que veremos a personagem tentar fazer em relação a uma vida estruturada na dedicação à intensa rotina de trabalho. Tal opção a levou a abrir mão conscientemente da maternidade e de tudo que atrapalhe seu desempenho de excelência.

Quando seu casamento de longa data entra em crise, outros dramas passam a se suceder simultaneamente. A própria mãe chega a um estágio avançado de Alzheimer, e além disso uma escritora que dela se aproximou por meio de uma pesquisa para um livro, e que por isso passa a acompanhá-la nas cirurgias, se sente atraída por ela. Gabrielle começa a perceber que existe um outro mundo em que médicos não vivem 100% do tempo à disposição do trabalho. Como o marido a define, ela sempre se comportou como um Robocop que exige que as pessoas com quem convive sejam perfeitas como ela e não errem nunca. Quando a couraça cai e ela se deixa levar pelo risco e pelo imprevisto, percebemos como a vida dessa mulher (e de tantas outras) é feita de escolhas que muitas vezes não fazem conscientemente.
La Vie D’Une Femme trata do tema com delicadeza, mas sem muito espaço para divagações filosóficas, poéticas ou alguma ousadia formal. Não tem o que se chama “cara de festival”, mas mesmo com Cannes ainda no início, ninguém se surpreenderá se dessa vez Léa Drucker sair premiada como melhor atriz.
Filme visto durante o 79° Festival de Cannes, em maio de 2026
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