El Padre de Gardel

Crítica


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Sinopse

El Padre de Gardel investiga a trajetória de Carlos Escayola, figura central da vida política e cultural de Tacuarembó entre 1860 e 1890. Fazendeiro e chefe político influente, ele construiu um teatro, acumulou poder, viveu romances e deixou como herança um segredo familiar que atravessa gerações — um escândalo silenciado até hoje pela cidade. Documentário.

Crítica

A carreira de Carlos Gardel é pública e notória. Considerado o maior cantor de tangos argentinos, El Morocho teve sua trajetória interrompida por um desastre de avião em 1940. Porém, muito mais que sua voz, o que sempre intrigou a todos foi sua origem. Afinal, ele é argentino, filho de francês ou uruguaio de nascença? Em El Padre de Gardel, o cineasta uruguaio Ricardo Casas busca, através de depoimentos e registros históricos, determinar não apenas sua nacionalidade, mas sim qual sua verdadeira família.

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O documentário segue uma narrativa linear, sem inovações, e que chega a incomodar (e até causar um pouco de sonolência) em seus primeiros trinta minutos, onde é revelada toda a linha da família Escayola, de sua origem catalã até a chegada dos primeiros descendentes às terras uruguaias. Um pouco didático demais, apesar de ser uma linguagem que até se compreende para criar terreno, para o espectador se familiarizar com a suposta descendência de Gardel. Porém, o nome do cantor demora a aparecer, o que pode causar certa estranheza na conexão entre os nomes.

O filme torna-se mais interessante a partir do momento em que Gardel aparece na tela através de gravações e documentos e de sua ligação com o político Carlos Escayola, um fazendeiro e ex-militar que, numa espécie de coronelismo, mandava e desmandava na pequena cidade uruguaia de Tacuarembó. Escayola teve três esposas e o detalhe: todas eram irmãs. Conhecido também por suas várias amantes, o político teve um filho bastardo que, obviamente, acaba por ser Carlos Gardel.

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Apesar de ser prolixo por diversas vezes, El Padre de Gardel conquista o público ao tentar lançar uma luz não apenas sobre a vida dos Escayola e de Gardel, mas também por fazer um registro histórico de toda uma região, não com um novo olhar, porém resgatando as tradições de uma época – concorde com elas ou não. E ao fim, como um dos entrevistados afirma, chega a ser curioso constatar que Escayola não queria que ninguém tomasse conhecimento de seu filho bastardo, ao contrário que o mesmo acabou por se tornar uma das figuras mais famosas e emblemáticas não apenas daquele microcosmo, mas de todo o mundo.

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é crítico de cinema, apresentador do Espaço Público Cinema exibido nas TVAL-RS e TVE e membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Jornalista e especialista em Cinema Expandido pela PUCRS.
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