Dolly: A Boneca Maldita

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Sinopse

Em Dolly: A Boneca Maldita, a jovem Macy, após um passeio com seu namorado, é sequestrada por uma figura perturbada que tenta moldá-la como filha em um ambiente de confinamento. Diante da ameaça constante, ela precisa encontrar meios de resistir e escapar. Horror.

Crítica

Se hoje o circuito de cinemas já não se intimida diante de cartazes que prometem serial killers e carnificina, muito se deve ao impacto de O Massacre da Serra Elétrica (1974), de Tobe Hooper. Foi ali que a violência ganhou contornos mais físicos e sujos. Caminho que o terror exploraria à exaustão nas décadas seguintes. Mas, entre modas, saturações e reinvenções – vide a autoconsciência de sagas como Pânico – o gênero se consolidou como terreno fértil. É nesse cenário que surge Dolly: A Boneca Maldita, de Rod Blackhurst, uma espécie de filho da aposta setentista, que flerta com esse legado, mas prefere caminhar por trilhas bastante seguras, como se temesse olhar além do já conhecido. Há atmosfera e promessa, mas quase tudo soa familiar demais para realmente inquietar.

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Na trama, seguimos Macy, interpretada por Fabianne Therese (Arcade: Você Vai Entrar Nesse Jogo, 2017), moça que viaja com o namorado Chase (Seann William Scott) para um final de semana na floresta. O refúgio romântico rapidamente se converte em pesadelo quando um homem perturbado a sequestra com objetivo bizarro: transformá-la em boneca viva e criá-la como filha. A premissa, por si só, carrega potencial de desconforto, porém, também denuncia, desde cedo, a limitação do que virá a seguir.

Esse desfile de clichês, embalado por sangue e excesso, encontra em Blackhurst um condutor que parece mais interessado em reproduzir fórmulas do que jogar com elas. Indicado ao Emmy pelo documentário Amanda Knox (2016), o diretor já vinha de projetos pouco memoráveis, como Caminhos de Sangue (2023) e Mergulho Noturno (2024), e aqui reafirma certa dificuldade em expandir ideias para além do conceito inicial. A estrutura se apoia no arquétipo da “final girl”, explorado até a exaustão, enquanto a narrativa mal se sustenta para além da própria sinopse. Falta densidade e, principalmente, construção. Em vários momentos, a sucessão de imagens violentas parece existir por si só, como se, com trilha sonora mais marcada, estivéssemos diante de um longo videoclipe de heavy metal.

No campo das atuações, Fabianne tenta extrair o máximo de um material limitado, sustentando Macy com entrega física e algum grau de vulnerabilidade que, por vezes, aproxima o espectador. Já William Scott surge como figura curiosa nesse contexto. Conhecido pelo auge na saga American Pie, seu percurso recente o coloca em papéis cada vez mais periféricos. E aqui não é diferente. Há um contraste inevitável entre o passado de protagonista de grande apelo popular e a atual condição de coadjuvante em projetos pouco ambiciosos.

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Dolly: A Boneca Maldita até pode encontrar espaço em festivais de gênero e dialogar com um público que busca o choque imediato. Mas, para além desse impacto superficial, sobra muito pouco. Em um terreno já amplamente explorado, a repetição de fórmulas sem qualquer impulso de reinvenção não gera medo, pelo contrário: resulta em cansaço. No frigir dos ovos, o desgaste se impõe como sensação dominante, mais incômoda do que qualquer imagem explícita que o filme tenta sustentar.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]
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