
Sinopse
Em Anônimo 2, Hutch e a esposa Becca se veem sobrecarregados e distantes. Por isso, decidem levar os filhos para uma pequena viagem de férias, que inclui também o pai dele e avô das crianças. Quando um encontro trivial com valentões locais coloca a família na mira de uma poderosa mafiosa, Hutch vira alvo da chefe do crime mais insana que já enfrentou. Ação.
Crítica
Se o final do século XX em Hollywood ficou conhecido como a época dos grandes astros, quando bastava um nome de destaque no topo do pôster para garantir o sucesso de um filme, o início dos anos 2000 foi marcado por uma mudança nesse comportamento. Estrelas se tornaram menores frente a franquias multimilionárias, super-heróis e uma incansável insistência por remakes e continuações. É o que explica, em parte, a existência desse Anônimo 2: um olhar para o passado e uma pegada no futuro. Sim, pois sua trama não poderia ser mais genérica, concentrando sua energia na simples presença de Bob Odenkirk (quem?) como protagonista. É ele a única e simples razão de ser desse projeto – seguir lucrando em cima de um personagem que, ainda que discretamente, parece ter arregimentado para si uma legião de fãs (um círculo limitado, mas, ainda assim, existente). Ou seja, é um esforço para a volta daquela ideia de que um rosto conhecido era suficiente para fazer valer o preço do ingresso, ao mesmo tempo em que se investe em mais do mesmo, um capítulo dois que pouco se diferencia do anterior, entregando o que já se era de esperar e ousando com parcimônia apenas aqui e ali, terrenos seguros feitos para não provocar maiores alterações no todo.
Bob Odenkirk consolidou-se como coadjuvante na série Breaking Bad (2009-2013). O sucesso do personagem Saul Goodman foi tamanho que lhe rendeu um spin-off, Better Call Saul (2015-2022), que teve seis temporadas. Dono de dois Emmys e à frente de um programa consagrado, mesmo assim sua transição para a tela grande não foi fácil. Após participações em longas como The Post: A Guerra Secreta (2017) e Adoráveis Mulheres (2019), finalmente conseguiu um papel de maior repercussão: o pai de família suburbano Mitch Mansell, em Anônimo (2021). Lançado em meio à pandemia do covid-19, permanece inédito nos cinemas brasileiros, tendo chegado por aqui apenas no streaming. E ainda que o desempenho nos cinemas no resto do mundo tenha sido tímido – pouco mais de US$ 57 milhões nas bilheterias – isso representou um retorno quase quatro vezes superior ao seu orçamento. Investimento baixo e ganho garantido? Como dizer não a uma sequência, portanto? Eis, então, esse Anônimo 2, que segue apenas em parte a linha “um zé ninguém metido ao acaso em uma confusão muito maior do que ele mesmo e que, a despeito de todas as probabilidades contrárias, consegue se safar”. Afinal, ele agora está mais para John Wick do que um mero desconhecido pego desprevenido.
Cada vez mais mergulhado no submundo do crime, uma vez que herdou uma dívida gigante e se vê obrigado a aceitar novos serviços para pagar as contas e garantir que seu pescoço permaneça no lugar, Mansell logo percebe os efeitos colaterais dessa rotina: a insatisfação crescente da esposa, Becca (Connie Nielsen, que não está aqui a passeio), e um afastamento dos filhos, Brady (Gage Munroe, que quando criança participou de A Cabana, 2017) e Sammy (Paisley Cadorath, que entre o primeiro e o segundo filme fez apenas uma ponta no ainda inédito Harland Manor, 2021). A solução? Abandonar todos os compromissos – ainda que por apenas algumas semanas – e partir em férias com a família. Não precisa ser muito esperto para saber que seus problemas o acompanharão, e ao chegar na pequena cidade turística que costumava frequentar com os pais quando pequeno, Mitch descobre que o lugar está tomado pelo crime e não tardará a pisar nos calos da poderosa chefona (Lendina, um bem-vindo retorno de Sharon Stone) que comanda a região. Será ela e seu exército contra ele e mais alguns dispostos a ajudá-lo. Uma luta equilibrada, como se percebe.
Anônimo 2 entrega exatamente o que se poderia esperar de um filme como esse. Sem cachorro, memória, esposa ou filhos para vingar, Mitch Mansell tem apenas a sua honra pela qual lutar, e dela não abrirá mão. Os capangas enviados pela mafiosa servirão apenas para entreter a audiência até o confronto final, e se há uma nota de rodapé por aqui é perceber como talento, de fato, não é hereditário – Colin Hanks, filho de Tom, aparece como um xerife corrupto que em momento algum chega a gerar alguma tensão. Stone, que há anos estava afastada de produções de primeira linha, talvez não encontre aqui um caminho de volta com portas abertas, mas ao menos deixa clara a impressão de ter se divertido do início ao fim das filmagens. Enquanto isso, o diretor indonésio Timo Tjahjanto (Através das Sombras, 2024) entrega um feijão com arroz bem feito, sem maiores invencionices, que não surpreende, mas também não decepciona. E se Bob Odenkirk não chega a ser o Bruce Willis que muitos esperavam, também não há do que reclamar a seu respeito. Eis, enfim, um produto honesto em suas intenções e no que apresenta, que diante um cardápio tão árido de boas ideias como o atual, não chega a causar indigestão.


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Grade crítica
Crítico | Nota |
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Robledo Milani | 6 |
Edu Fernandes | 5 |
Alysson Oliveira | 3 |
MÉDIA | 4.7 |
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