Alô, Alô, Terezinha!

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Sinopse

Alô, Alô, Terezinha! resgata os anos 1950 e 1980, quando Chacrinha foi o apresentador de programas de auditório mais famoso do Brasil. Irreverente e com um estilo próprio, comandou programas que se tornaram recordistas de audiência e atraíram o gosto popular. Ao mesmo tempo lançou diversos artistas que depois se firmaram na música brasileira. Documentário.

Crítica

Alô Alô Terezinha!, filme de Nelson Hoineff, despertou minha curiosidade muito cedo. Um documentário sobre um personagem tão grande quanto o Chacrinha? Um tremendo desafio de realização. Criei muita expectativa para o filme. Tão logo ele entrou em cartaz, fui correndo conferir. Na fila da sagrada pipoca, encontrei com um primo. Após um cumprimento rápido (a sessão já estava para iniciar) ele perguntou:

– Que filme você vai ver?

– O documentário do Chacrinha. – respondi na mesma hora.

Ele pensou um pouco, olhou bem para mim e tascou.

– Ah! Deve ser bom pelas Chacretes, né?

Eu soltei uma gargalhada e logo fui me despedindo. Meu primo foi genial, provavelmente sem saber nada sobre o filme. E não é que ele estava certo? Elas (as Chacretes) são o que há de melhor de Alô Alô Terezinha!. Na verdade elas são mesmo o filme. Poderia ser o filme das Chacretes. Acho até que seria mais indicado. “Roda roda e avisa”? Ok. Vamos ao filme então. Há bons e maus momentos em Alô Alô Terezinha!. Os bons, primeiro.

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Se alguém espera uma obra biográfica narrando início, meio e fim da vida do “Velho Guerreiro”, vai se desapontar. Claro que Chacrinha está sempre presente, mas ele não domina o filme. Nem é desmistificado. O universo que criou e a marca que deixou são citados por alguns músicos (entre os artistas, Gilberto Gil, sempre ele). No mais são as Chacretes que tomam conta. E elas contam de tudo. Desde as paqueras, os inúmeros namoros e programinhas que tiveram com “famosos” (entre eles Fernando Collor, embora algumas neguem que faziam programas). É engraçado ver aquelas senhoras repetindo coreografias, tentando vestir trajes sensuais ou cantando os tradicionais bordões criados (“Abelardo Barbosa está com tudo e não está prosa!”).

De cara percebemos que elas não souberam conviver com o glamour e todo aquele ambiente festivo e libertino proporcionado pelo programa. Todas elas são saudosas e amáveis quando se lembram do velho Chacrinha. É tocante saber que muitas vivem hoje de trabalhos simples e moram em casas humildes. Exceção para Rita Cadilac. Ela é citada no filme como uma das únicas que conseguiu aproveitar a oportunidade. Cadilac dá uma canjinha à produção recebendo um fã na sua casa. Claro, uma canjona para dizer a verdade, pois o fã deita na sua cama e ganha o direito a beijinhos no bumbum da Musa. Ainda há um momento muito divertido, um quase “acidente” enquanto Biafra canta. Não preciso contar detalhes, pois o You Tube e o programa Pânico já mostraram isso para todo mundo.

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Além das Chacretes, o documentário apresenta um verdadeiro desfile dos personagens típicos do programa (Russo, Elke Maravilha, jurados etc..) e também de ex-calouros (alguns ainda traumatizados pelos eternos buzinaços) relatando a dor da experiência. Outros, grandes figuraças que fazem você rir muito. Isso se trata de um mérito inquestionável do filme. Ter reunido toda uma infinidade de artistas e pessoas comuns que se apresentaram no programa deve ter sido um tremendo esforço de produção. O sujeito aparece numa imagem de arquivo e logo depois o vemos atualmente ou vice-versa. A mesma coisa rola com as Chacretes também. Essa relação se dá durante quase toda a projeção. Quem assistia ao O Cassino do Chacrinha na TV fará um tremendo mergulho na memória revendo performances hilárias.

As imagens de arquivo são históricas. Mostram um Chacrinha incontrolável. Diretores e cinegrafistas penavam em suas mãos. Aquele humor caústico, popularíssimo, endiabrado e sacana do velho Abelardo Barbosa foi algo que não se viu igual. O cara era mesmo um mestre que podia colocar uma máscara brega em Roberto Carlos, jogar o que aparecesse em sua frente na platéia e se vestir daquilo que desse na cabeça. Qualquer artista, por melhor que fosse, queria se apresentar na Discoteca do Chacrinha. Você revê as imagens e pensa “Como brincavam tanto”? Como podiam fazer TV chutando o balde daquele jeito? Divertiam-se ao mesmo tempo. E o melhor é que dava muito certo.

O velho deixou um legado e tanto. Isso está evidente no filme e, portanto, merece consideração. Mas apesar disso, há problemas que comprometem o documentário. Se o filme não poupa ninguém (Nelson Hoineff deixou a câmera rolar e teve muita coragem para colocar tudo que disseram no filme), o resultado final oscila entre o revelador e o irregular. A fotografia é ruim, não tem padrão algum. Alô Alô Terezinha! é engraçado, mas não consegue emocionar. Além disso, não mostra uma única imagem bonita sequer, em toda a projeção. Uma das Chacretes deslumbrada com a presença da equipe, exibe-se nua na fonte da cidade. Uma imagem cafona e até constrangedora. Por vezes você se cansa das cantorias desafinadas de ex-calouros que, de tão malucos ou sem noção, se consideram talentos que não foram descobertos. Falam e cantam sem parar. Mas não dizem nada de relevante. Soa patético.

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Ainda um tanto decepcionante é uma música chorosa no clipe curtinho bem próximo do final do filme. Um momento desarmônico com uma intenção contraditória com tudo que aconteceu antes. Saindo do cinema questionei qual seria, afinal de contas, a proposta real do documentário? Onde o filme nos levou? Um olhar sobre o personagem? Ou um olhar sobre o seu mundo a partir dos participantes? Ou finalmente, um olhar sobre tudo isso a partir dos relatos de cada um? Não sei responder. O que dá para afirmar é que Chacrinha, um dos maiores fenômenos que a nossa televisão já proporcionou, ainda carece de um filme do tamanho de seus feitos. No final o meu primo é que estava certo. O melhor de Alô Alô Terezinha! são as chacretes. Confira.

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é diretor de cena e roteirista. Graduado em Publicidade e Propaganda com especialização em Cinema (Unisinos /RS). Dirige para o mercado gaúcho há 20 anos. Produz publicidade, reportagem, documentário e ficção. No cinema é um realizador atuante. Dirigiu e roteirizou os documentários Papão de 54 e Mais uma Canção. E também dois curtas-metragens: Gildíssima e Rito Sumário. Seus filmes foram exibidos em vários festivais de cinema e na televisão. Foi diretor de cena nas produtora Estação Elétrica e Cubo Filmes. Atualmente é sócio-diretor na Prosa Filmes.
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