Adultério por Amor

Crítica


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Onde Assistir

Sinopse

Em Adultério por Amor, casados há três anos, Natália e Guido não tem filhos. A convivência com um casal amigo, Jorge e Flora, cercados pela alegria de seus três filhos, torna Guido cada dia mais frustrado e infeliz. Apaixonada pelo marido e temendo pelo seu casamento, Natália resolve procurar um médico. O resultado dos exames revela que a esterilidade não é dela. Guido não admite a possibilidade de ser estéril e se recusa a fazer um tratamento. Erótico.

Crítica

Engana-se quem pensa que os anos da pornochanchada foram dedicados apenas às simples comédias eróticas normalmente associadas ao gênero. O drama Adultério por Amor passa longe disso, se apresentando como um filme mais sério e bem mais sofisticado do que seus pares, desde os primeiros minutos, fazendo um eficiente estudo de personagem e fugindo quase completamente do componente erótico. O enredo acompanha Natália (Selma Egrei) e Guido (Luiz Carlos de Moraes), casados e tentando conceber há três anos, sem sucesso. A dificuldade de gerar um filho alimenta uma crescente distância entre eles, que passam a sustentar um relacionamento frio e sem demonstrações de afeto, algo realçado pelo contraste com a família feliz e cada vez maior dos amigos Flora (Jussara Freire) e Jorge (Paulo Figueiredo). Após Natália fazer exames de fertilidade e descobrir-se em perfeitas condições para ser mãe, ela aproveita uma viagem que realiza sem o marido para se envolver com o jovem Gustavo (Ewerton de Castro), na esperança de engravidar e salvar seu casamento.

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Embora Natália pareça inicialmente uma espécie de personificação de tudo o que a sociedade da época valorizava em relação à instituição do casamento, a belíssima Selma Egrei consegue fazer dela uma personagem surpreendentemente complexa. Numa espécie de subversão da imagem da esposa perfeita, a protagonista ama o marido acima de tudo, sendo completamente devota a ele, mas é levada a cometer adultério, mentir e fazer coisas muito piores exatamente por essas razões. A narrativa também expõe algumas noções a respeito dos papéis masculinos e femininos que hoje podem soar extremamente retrógradas, destacando-se a maneira como a mulher se culpa (e é culpada) por não ser capaz de dar um filho a Guido e a inicial aversão dele à ideia de fazer exames de fertilidade, como se isso de algum modo pudesse ferir sua masculinidade.

Geraldo Vietri, responsável pela direção e também pelo roteiro, faz um ótimo trabalho, particularmente ao criar uma série de cenas paralelas que funcionam muito bem para contrastar situações parecidas em circunstâncias diferentes. Em dado momento, por exemplo, uma simples conversa telefônica entre Natália e Flora evidencia as situações opostas em que as amigas se encontram: seus respectivos maridos chegam em casa no meio da chamada e, enquanto Jorge cumprimenta a esposa calorosamente e com bom humor, segundos depois é a vez de Guido entrar em cena, tratando Natália com frieza. Há, também, vários paralelos que servem para demonstrar a mudança que a posterior gravidez de Natália trouxe para o casal. Se antes havia indiferença e distância, depois predomina o amor e o carinho entre os dois. Existem muitos momentos em que o diretor se mostra criativo, como no belo plano que emoldura Natália e Gustavo, lado a lado, diante de uma janela, quando os dois estão prestes a se conhecer, além das frequentes brincadeiras com espelhos, presentes em inúmeras sequências.

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O longa, entretanto, ainda tropeça ocasionalmente, apesar da condução precisa de Vietri. Embora a crescente tensão que envolve a protagonista seja bem construída, a transição de mocinho a vilão pela qual Gustavo passa se dá de maneira abrupta. Outros aspectos menores também podem incomodar, como os frequentes usos de zoom in, que de tão dramáticos chegam a ser cômicos, mas nada disso chega a prejudicar a obra como um todo. De maneira geral, este é um filme bem estruturado, focado numa ótima personagem feminina e capaz de levantar diversas discussões a respeito das relações entre homens e mulheres, mais especificamente o casamento heterossexual. Com uma excelente atuação de Egrei e uma direção eficiente, Adultério Por Amor definitivamente merece uma chance, até mesmo daqueles que têm certo preconceito com as pornochanchadas das décadas de 70 e 80.

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cursa Jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo e é editora do blog Cine Brasil.
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