Adeus, Minha Rainha

Crítica


7

Leitores


2 votos 8

Onde Assistir

Sinopse

Em Adeus, Minha Rainha, em 1789, no início da Revolução, Versalhes continua a viver na despreocupação e desenvoltura, longe do tumulto que agita Paris. Quando a notícia da tomada da Bastilha chega à corte, o castelo esvazia, nobres e serviçais fogem... mas Sidonie Laborde, jovem leitora inteiramente dedicada à Rainha, não quer acreditar nos rumores que ouve. Romance.

Crítica

É sempre delicado quando decidem transportar a história de Maria Antonieta para as telas do cinema. Como já ocorreu, é possível errar feio através de uma direção egocêntrica que transforma a profunda história de uma mulher em um buffet de cupcakes. Porém, bem longe de tentar mostrar a vida e a morte da monarca francesa e se valer dos grandes clichês que envolvem a figura de Antonieta está o recente Adeus, Minha Rainha (Les adieux à la reine, 2012).

adeus minha rainha papo de cinema 02

Dirigido por Benoît Jacquot, a produção é uma adaptação do romance de Chantal Thomas, que conta a história de Maria Antonieta (Diane Kruger) pela ótica de uma serviçal, Sidonie Laborde (Léa Seydoux). Sidonie possui uma paixão platônica pela rainha e essa por sua vez, é apaixonada pela Duquesa de Polignac (Virginie Ledoyen). Esse triângulo amoroso lésbico, um tanto irreal para a história que conhecemos, irá estourar exatamente no momento em que as cabeças de Antonieta e Polignac estão prometidas à guilhotina.

Sem buscar uma verdade, Jacquot e Thomas nos revelam uma faceta não tão conhecida da rainha da França, por mais ficcional que possa ser. Frágil, delicada e perdida em meio ao caos da paixão e dos maneirismos políticos, Diane Kruger faz um trabalho excelente apresentando essa Antonieta quase oposta ao que se passou através da história, conhecida como uma verdadeira megera. Mas o belíssimo trabalho, em termos de performance, fica por conta de Léa Seydoux. Assistimos todo o decorrer da história do filme pelos olhos da sua personagem, que é órfã de mãe e pai e a responsável pelas leituras da rainha. A atriz entrega a exposição da corte e o retrato de Antonieta da forma que enxerga, platonicamente. E nos torna voyeurs nessa imensa corte.

adeus minha rainha papo de cinema 01

Vale destacar ainda a belíssima e sóbria direção de arte que não extrapola ou pesa a imagem de Antonieta como essa figura mítica interessada em roupas e estar “na moda”. Existem esses momentos, mas colocados de maneira sutil. Sutileza também é mostrada através do simbolismo que o filme carrega em alguns momentos. O relógio de Sidonie que some, pode muito bem retratar o fim de uma era para a França e certamente o fim de Maria Antonieta. Assim como os ratos mortos que aparecem em diversos momentos, e que além de ser um reflexo das péssimas condições sanitárias que o país passava, não deixam de simbolizar também o fim da monarca.

É interessante expor também que Adeus, Minha Rainha não é um filme perfeito em todos os aspectos. Em alguns momentos, através do roteiro, pesam a mão ao direcionarem aos personagens coadjuvantes, um tipo de apoio didático. Estão ali para tornar a história menos complicada para os espectadores, explicando cada detalhe e acontecimento, mas ao mesmo tempo acabam se tornando um tanto incômodos, como se subestimassem a plateia.

adeus minha rainha papo de cinema 03

Independente disso, a produção flui e realiza um ótimo recorte para desenvolver a sua trama. Não tem pretensão em contar toda a vida e ainda a morte da arquiduquesa austríaca e rainha da França, mas sim mostrar suas diferentes facetas e seu lado mais frágil: o coração.

As duas abas seguintes alteram o conteúdo abaixo.
avatar
é graduado em Cinema e Animação pela Universidade Federal de Pelotas (RS) e mestrando em Estudos de Arte pela Universidade do Porto, em Portugal.
avatar

Últimos artigos deRenato Cabral (Ver Tudo)

Grade crítica

CríticoNota
Renato Cabral
7
Ailton Monteiro
7
MÉDIA
3.5

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *