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Selecionado para o Festival do Rio 2026, e com data de estreia no circuito convencional de cinemas marcada para 12 de novembro, o documentário Nação Ubuntu: A Voz dos Silenciados é a mais nova aposta de Paulo Henrique Fontenelle. Com distribuição da Downtown, o projeto retrata a realidade do campo de refugiados de Dzaleka, no Malawi.

Criado em 1994 para receber cerca de 10 mil pessoas, o local passou a abrigar uma população muito maior. Diante das condições de vida precárias e das restrições impostas aos refugiados, quatro jovens recorrem à filosofia Ubuntu para desenvolver iniciativas voltadas à dignidade, ao trabalho e à educação, buscando transformar a realidade da comunidade.

E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Paulo Henrique. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

NAÇÃO UBUNTU :: ENTREVISTA COM O DIRETOR PAULO HENRIQUE FONTENELLE

Fontenelle conta que o documentário nasceu de uma conversa com a produtora Yafa Brits, que havia retornado de um trabalho social no Malauí. “A inspiração sempre vem de uma conversa, algo que você viu ou uma coisa que você leu. Nesse caso, foi uma conversa que eu tive com a Yafa Brits. Ela tinha acabado de voltar de um trabalho social no Malauí e me contou, muito empolgada, o que tinha visto lá. Primeiro, a crise humanitária que estava acontecendo, mas também o trabalho de quatro refugiados congoleses que estavam fazendo um trabalho social revolucionário dentro do campo. Falei: ‘Você tem que conhecer’. Então, vamos marcar uma viagem para o Malauí para conhecer essa história.”

Nação Ubuntu, Paulo Henrique Fontenelle
Nação Ubuntu: A Voz dos Silenciados

A viagem, realizada em 2020, colocou o diretor em contato pela primeira vez com uma realidade que desconhecia e com os quatro personagens que conduzem o filme: Feli, Mike, Prince e Frank. “Eu nunca tinha estado na África. Não conhecia nada daquela realidade. Chegando lá, foi como estar em um lugar que eu realmente nunca imaginaria estar. Conhecer a realidade daquelas pessoas foi uma viagem muito emocionante, impactante, primeiro pela condição que os refugiados são tratados, todo o preconceito que eles sofrem, a crise humanitária que está acontecendo em vários países da África, principalmente no Congo, na República Democrática do Congo. E depois, principalmente, pelo encontro com esses quatro jovens congoleses.” 

Para Paulo, individualizar essas trajetórias era fundamental para não reduzir os refugiados a uma massa anônima: “Quando a gente fala de refugiado, geralmente as pessoas pensam naquela massa de gente. Mas ali não é uma massa de gente, são histórias que acontecem. São histórias de vida que, por questões políticas ou questões das grandes empresas, acabaram trazendo esse caos humanitário que juntou todas aquelas pessoas num campo onde todos perderam sua cidadania, alguns perderam a esperança.”

O documentário levou cinco anos para ser concluído, período marcado pela pandemia e pela dificuldade de financiamento para retornar ao Malauí. Quando finalmente conseguiu voltar, Paulo encontrou os personagens em novas circunstâncias e pôde registrar a transformação provocada pelo trabalho iniciado por eles. 

“A gente passou os últimos cinco anos tentando arrumar um jeito de voltar para lá, para terminar o filme. Porque a gente tinha feito entrevistas tão impactantes. Depois de cinco anos, a Yafa conseguiu uma maneira da gente voltar para lá, e a gente voltou. Foi muito emocionante a gente rever aquelas pessoas em outras condições e ver como o projeto cresceu. Quantas coisas, quanta modificação que eles transformaram naquela sociedade, e que expandiu também para outros países. Um deles conseguiu voltar para o Congo, montou um orfanato dentro do Congo para crianças, filhos de refugiados, órfãos da guerra”. 

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Nação Ubuntu, Paulo Henrique Fontenelle

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é crítico de cinema, presidente da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (gestão 2016-2018), e membro fundador da ABRACCINE - Associação Brasileira de Críticos de Cinema. Já atuou na televisão, jornal, rádio, revista e internet. Participou como autor dos livros Contos da Oficina 34 (2005) e 100 Melhores Filmes Brasileiros (2016). Criador e editor-chefe do portal Papo de Cinema.

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