Sob os cuidados de Marina Person, um dos títulos mais emblemáticos do cinema brasileiro está pronto para reencontrar o público nas telonas em 26 de fevereiro, com distribuição da Vitrine Filmes. São Paulo Sociedade Anônima (1965), dirigido por Luiz Sérgio Person, teve seu relançamento confirmado em versão restaurada em 4K, como parte das comemorações de seus 60 anos. A nova circulação reforça a relevância histórica e artística da obra, considerada um retrato contundente da modernização urbana no país.
Ambientado na São Paulo das décadas de 1950 e 1960, o filme acompanha Carlos, um jovem da classe média que trabalha na indústria automobilística e enfrenta um profundo vazio existencial. Dividido entre ambições pessoais e a alienação provocada pelo ritmo industrial, ele tenta encontrar sentido em meio a uma sociedade em rápida transformação.
E para aquecer os interessados em revisitar essa obra na tela grande, o Papo de Cinema conversou, de maneira remota, com Marina, filha de Luiz Sergio, que está envolvida no processo de relançamento. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

ENTREVISTA :: MARINA PERSON
Perguntada sobre o significado de relançamento, Marina Person destacou que o filme foi concebido para a experiência da sala escura. Segundo ela, “para além do fato de que foi um filme pensado, feito para ser visto no cinema, porque na época em que foi lançado não existia videocassete”, há algo que nenhuma tecnologia substitui. “Nada substitui a experiência do cinema”, afirmou.
Ela também ressaltou o impacto da dimensão coletiva da exibição. “Tem a experiência de você assistir com pessoas ao seu lado, tem uma pulsação conjunta”, disse, lembrando de uma sessão recente em São Paulo que a surpreendeu. “Foi uma sessão que eu nunca tinha visto tantas pessoas rirem ao mesmo tempo. Tinha uma coisa meio tragicômica naquele personagem do Carlos”.
Para Marina, o riso coletivo revelava também um reconhecimento desconfortável. “Acho que era uma plateia que, de alguma forma, se identificou. Sabe quando você se reconhece e aquilo embala um nervoso? De falar: ‘Nossa, está falando de mim, da minha cidade, sou eu, é esse povo que eu conheço’. É quase uma autocrítica”, analisou.

Ela também enfatizou a importância da imersão proporcionada pela tela grande, especialmente em tempos de hiperconectividade. “Hoje em dia, cada vez mais, a gente precisa desses espaços de contemplação. É o momento em que você abandona o celular, que você dá uma pausa na sua vida conectada para se entregar a uma obra de arte”, afirmou.
Marina também destacou os ganhos técnicos da restauração em 4K, que permitiram novas descobertas mesmo para quem já conhecia o longa. “O som foi todo refeito. Tem coisas que eu nunca tinha ouvido e que eu ouvi com a restauração. Coisas que eu nunca tinha visto também, pequenos detalhes, uma sujeira na cidade, o Ibirapuera gramado cheio de papel no chão. Incrível, incrível”, concluiu.
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