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Em Maria Vitória, Mariana Cardoso vive a personagem-título, uma menina que joga em um time juvenil masculino e treina arduamente com o seu pai, Nacho, focada em tornar-se goleira de futebol profissional. O frágil equilíbrio dessa rotina desaba com o regresso inesperado de seu irmão mais velho, Bruno, que havia partido após o incêndio trágico que vitimou a mãe deles. Às vésperas da partida mais crucial da sua vida, ela passa a confrontar a autoridade do pai, iniciando uma jornada intensa e poética de autodescoberta.

Exibido na competição principal do Festival de Tóquio 2026 e, recentemente, premiado como Melhor Filme pelo Júri Popular (Mostra Expectativa) no Festival do Rio 2026, o drama português é escrito e dirigido por Mário Patrocínio. E para falar mais sobre o longa, o Papo de Cinema conversou com Mário e Mariana durante o evento carioca. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:

Mariana Cardoso em Maria Vitória, de Mário Patrocínio
Mariana Cardoso em Maria Vitória, de Mário Patrocínio

MARIA VITÓRIA :: ENTREVISTA COM MÁRIO PATROCÍNIO E MARIANA CARDOSO

Maria Vitória é resultado de seis anos de desenvolvimento. Mário conta que o roteiro foi ganhando novas camadas durante o tempo, período em que visitou a Serra da Estrela, região que inspirou a história. Depois de realizar projetos como Complexo Universo Paralelo (2010), filmado no Rio de Janeiro, e I Love Kuduro (2013), rodado em Luanda, Angola, o cineasta voltou o olhar para seu próprio país. 

“Foram seis anos visitando o lugar em si, a Serra da Estrela, onde fui descobrindo várias histórias que eram muito tocantes, e também histórias que eu já tinha dentro de mim, que queria colocar para fora, falar de família. Foi tudo um processo de seis anos de construção. Também foi o primeiro processo em que retratei Portugal. Então, foi um processo de olhar para o meu próprio país de uma forma mais profunda. E, às vezes, é mais difícil olhar para um lugar que está muito próximo”.

Para Mariana, que está recém em seu segundo longa feito para o cinema (o primeiro: Na Mata dos Medos, 2024), o primeiro contato com a protagonista foi marcado pelo misticismo da personagem e pela possibilidade de descobrir aspectos novos sobre ela. “Queria muito saber mais sobre ela. Muitas vezes, nos roteiros, já sabemos tudo, está tudo explicado. Adorei o fato de que, mesmo gravando todos os dias, eu descobria coisas novas sobre a Maria Vitória. Foi incrível”. 

Maria Vitória :: Mariana Cardoso e Mário Patrocínio. Foto: observador.pt
Maria Vitória :: Mariana Cardoso e Mário Patrocínio. Foto: observador.pt

Essa descoberta também passou pela construção da relação com Nacho, o pai que tenta protegê-la, mas acaba limitando sua liberdade. Para a atriz, compreender a complexidade desse vínculo exigia reconhecer a existência do afeto por trás dos conflitos. “Eu acredito muito que, para fazer uma relação de ódio, que não é ódio, quanto mais ódio, mais amor tem de haver. Penso que o ódio aparece quando há falta desse amor, e temos primeiro de conhecer a parte boa para saber o que é a parte má. Acho também que, quanto melhor for a relação com o ator, melhor vão funcionar as partes mais tensas”. 

Mariana também destaca a parceria com Miguel Borges, intérprete de Nacho, como fundamental para esse processo. “Para mim, ele é o melhor ator português. Sempre achei que havia algo muito especial nele. Anos antes de gravar Maria Vitória, um amigo me perguntou se eu pudesse escolher alguém para fazer essa personagem, quem seria. Eu disse, na hora, Miguel Borges. Quando o Mário me disse que seria ele, fiquei: ‘Não pode, não pode!’. Era meu sonho trabalhar com ele. E acho que a relação com o pai foi muito fácil de construir, porque o Miguel é um ator muito bom”.

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Maria Vitória, Mário Patrocínio, Mariana Cardoso, Festival do Rio 2026

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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