O AI Film Awards Brasil acontece de 06 a 08 de novembro de 2026, em São Paulo e também via streaming. A primeira edição brasileira integra uma plataforma internacional dedicada a produções audiovisuais desenvolvidas com inteligência artificial, com iniciativas em cidades como Cannes, Veneza, Dubai, Marrakech, Paris e Bali. Com direção-geral de Vitória Mantovani, o festival tem produção executiva de Carol Guimarães.
De acordo com a seleção oficial publicada pela WeDo! Entretenimento, são 85 filmes de realizadores brasileiros e estrangeiros, distribuídos em dez categorias. As obras incluem longas-metragens, curtas, documentários, animações, videoclipes, comerciais, publicidade e produções verticais. Confira a lista clicando aqui. E para falar mais sobre o evento, o Papo de Cinema conversou com Vitória Mantovani e Carol Guimarães. A seguir, fique com um trecho em texto e, em seguida, com o bate-papo, na íntegra, em vídeo:
AI FILM AWARDS BRASIL 2026 :: ENTREVISTA COM VITÓRIA MANTOVANI E CAROL GUIMARÃES
A inteligência artificial já faz parte dos processos de criação audiovisual, mas seus impactos sobre o cinema ainda despertam dúvidas, debates e controvérsias. Carol e Vitória falaram sobre a programação e a importância de construir um ambiente mais ético e diverso para o uso da inteligência artificial no audiovisual.

Carol destaca que o objetivo é justamente criar um espaço de troca entre profissionais e interessados no assunto, sem ignorar as preocupações que acompanham a chegada dessas ferramentas ao cinema. “Toda novidade, tudo que é novo, dá aquele boom. Todo mundo quer falar, quer conhecer, quer mexer e todo mundo tem medo. Mas depois a gente vai entendendo e movimentando. Essa é a proposta do festival: conseguir trocar e conversar um pouco sobre a chegada da inteligência artificial no cinema, os impactos, o que tem de bom e os riscos que corremos, para criar um ambiente mais ético e sustentável com o uso dela”.
A programação cresceu justamente porque o tema não se limita à utilização de ferramentas tecnológicas na produção de filmes. Vitória explica que discutir inteligência artificial no cinema significa também abordar formação de público, mudanças nos processos de produção, cenografia e apropriação cultural. “Não tem como debater inteligência artificial no cinema sem discutir formação de público, sem falar sobre como serão redesenhados a produção cenográfica e os efeitos especiais. Fora as pautas mais cabeludas, como autoria da IA, deepfakes e apropriação cultural. A gente precisa reprogramar a IA. Ela é nova, mas precisa já ser reprogramada para não reproduzir discursos preconceituosos”.
A decisão de transformar a premiação em um evento com atividades ao longo do dia também veio da percepção de que parte do público poderia resistir à ideia de assistir a produções realizadas com inteligência artificial. “A gente sabia que o pessoal poderia relutar em assistir. Então, pensamos: não vamos só assistir, vamos debater o que está sendo assistido. E aí virou um evento de dia, com vários debates e várias pessoas. Quanto mais a gente faz, mais percebe que faltou falar de alguma coisa. É um estudo de caso constante, porque a inteligência artificial se desenvolve muito rápido. O que existia quando começamos a produzir hoje já não é mais a mesma coisa.”, conta Vitória.
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