Crítica


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Sinopse

Apaixonado por Riza Niro, o líder de uma banda de punk rock nunca se envolveu com uma mulher. Rumo a Espanha em busca de diversão, o rapaz (herdeiro do trono de Tirã) acaba conquistando um terrorista que o persegue.

Crítica

Elementos excessivos de narrativa, estética e trilha sonora prevalecem em Labirinto de Paixões, segundo filme dirigido pelo sempre imprevisível Pedro Almodóvar, ele que ganhou o devido reconhecimento apenas após o êxito internacional de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos (1988). Apoiado no intenso ritmo das screwball comedies norte-americanas, a produção segue a excêntrica clientela de um bar de Madri; traficantes de drogas, viciados, drag queens, adolescentes vanguardistas e por aí vai. Em outra camada, o filme oferece uma análise crítica para a definição cultural (ainda) dominante do desejo erótico, do romantismo, da homossexualidade e do que se concebe como amor verdadeiro.

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É difícil resumir o enredo multiplot de Labirintos de Paixões. Da série de personagens que desfila pela narrativa, temos uma popstar ninfomaníaca, um terrorista islâmico gay, o filho de um imperador tirânico e a filha da dona de uma tinturaria de roupas, todos envolvidos numa desventura sexual quase indescritível ou crível. A trama ainda tem outras dezenas de personagens para apresentar, alguns memoráveis e outro rapidamente esquecíveis, que reiteram a declarada pretensão de Almodóvar em não se aprofundar em demasia nos tipos que apresenta e ainda assim transmitir a impressão de que possui uma imaginação infinita.

Ao compor Labirinto de Paixões como um filme essencialmente contemporâneo, ambientado na Espanha dos anos 1980, Almodóvar assume a influência de Richard Lester e de seus filmes sobre os Beatles, Help! (1965) e Os Reis do Iê-Iê-Iê (1964) – crônicas viscerais e espontâneas que refletem o período e as pessoas de um movimento cultural no mínimo singular. E esta impressão é amplificada porque, por razões artísticas e econômicas, o cineasta compôs e executou pessoalmente a trilha sonora que guia sua narrativa, baseada nos shows e gravações de seu irreverente grupo Almodóvar Y McNamara.

Labirinto de Paixões segue os bizarros habitantes de uma Madri marginal, movida por cafetões, príncipes exilados, ninfomaníacas sensíveis, punks travestis e terroristas raivosos, todos em busca de uma devida expiação em forma de satisfação sexual. O contexto aqui é definitivo: a trama transcorre entre o fim do regime autoritário de Franco e o nascimento da epidemia da AIDS. A abordagem de Almodóvar já se definia dentro de um infinito muito particular, no qual referências, críticas e temas são os mais plurais possíveis e flertam com o ridículo, o inominável e, principalmente, com tudo aquilo que geralmente não temos coragem de ver, sentir e fazer.

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Repleto de personagens juvenis, a produção foi direcionada para impressionar seus reflexos espanhóis, jovens imaturos e desinteressados demais para temas sérios como política e responsabilidade social. Sublimado por produções mais densas e complexas assinadas por Almodóvar, Labirinto de Paixões não é um dos maiores trabalhos do mestre do kitsch, mas, para o tempo que foi feito, o filme é repleto de humor mordaz e satírico, assim como por sequências ultrajantes, tão chocantes quanto divertidas.

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é crítico de cinema, membro da ACCIRS - Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul. Graduado em Publicidade e Propaganda, coordena a Unidade de Cinema e Vídeo de Caxias do Sul, programa a Sala de Cinema Ulysses Geremia e integra a Comissão de Cinema e Vídeo do Financiarte.
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Conrado Heoli
8
Ailton Monteiro
6
MÉDIA
7

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