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O cineasta, documentarista e gestor cultural Silvio Da-Rin morreu, aos 77 anos, na madrugada desta quinta-feira, 29, no Rio de Janeiro. De acordo com familiares, ele estava internado havia um longo período. A causa da morte não foi divulgada. Em nota oficial, o Ministério da Cultura manifestou “profundo pesar” pela perda. Carioca, nascido no Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1949, Da-Rin construiu uma trajetória sólida e profundamente ligada à defesa do cinema brasileiro, especialmente do documentário como ferramenta de reflexão histórica, política e social. A seguir, relembre sua trajetória.

SILVIO DA-RIN

Antes de se firmar como diretor, Silvio Da-Rin teve atuação extensa nos bastidores do audiovisual nacional. Como técnico de som, participou de cerca de 150 produções, incluindo títulos importantes da retomada do cinema brasileiro, como Pequeno Dicionário Amoroso (1997), Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão (2000) e Quase Dois Irmãos (2004).

Sua estreia na direção aconteceu em 1980, com o curta Fênix, obra construída a partir de depoimentos de artistas e intelectuais sobre a repressão durante a ditadura militar. Na sequência, dirigiu títulos como O Príncipe do Fogo – premiado no Festival de Gramado – e Igreja da Libertação, ambos em 1985, consolidando-se como um dos principais nomes do documentário nacional.

HÉRCULES 56 E O ENFRENTAMENTO DA MEMÓRIA

O reconhecimento mais amplo veio com Hércules 56 (2006), documentário que reconstitui o sequestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em 1969, episódio emblemático da resistência armada ao regime militar. O filme se tornou referência ao reunir, pela primeira vez, os protagonistas daquela ação histórica para uma reflexão coletiva sobre o período.

Em 2011, lançou Paralelo 10, voltado às dificuldades enfrentadas por povos indígenas na Amazônia, ampliando seu olhar para questões sociais e territoriais contemporâneas. Seu último longa-metragem como diretor foi Missão 115 (2018).

ATUAÇÃO NA POLÍTICA CULTURAL

Além da produção cinematográfica, Silvio Da-Rin teve papel decisivo na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Entre 2007 e 2010, foi secretário do Audiovisual no governo Lula, durante a gestão de Gilberto Gil no Ministério da Cultura. No período, participou da implementação de programas voltados ao fortalecimento da produção independente e à ampliação da presença do conteúdo brasileiro na televisão.

Da-Rin também presidiu a Federação de Cineclubes e integrou a Associação Brasileira de Documentaristas, mantendo diálogo constante entre criação, política cultural e formação de público.

Na área acadêmica, deixou como referência o livro “Espelho Partido: Tradição e Renovação do Documentário Cinematográfico”, de 2004, derivado de sua pesquisa de mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Silvio Da-Rin
Silvio Da-Rin

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