Nesta sexta-feira, 02, a Sessão da Tarde exibe Lisbela e o Prisioneiro, comédia romântica dirigida por Guel Arraes e estrelada por Selton Mello, Débora Falabella, Bruno Garcia e Marco Nanini. Lançado em 2003, o longa vai ao ar às 15h25, na Rede Globo, após a edição especial de Além do Tempo, com classificação indicativa livre.
SESSÃO DA TARDE: LISBELA E O PRISIONEIRO
SINOPSE
Na Sessão da Tarde, Leléu (Selton Mello) é um artista mambembe e conquistador que chega a uma cidade do interior de Pernambuco enquanto tenta escapar da perseguição de Frederico Evandro (Marco Nanini), marido de uma de suas antigas conquistas. No local, ele conhece Lisbela (Débora Falabella), jovem apaixonada por cinema que está prestes a se casar com Douglas (Bruno Garcia), mas acaba se envolvendo com o aventureiro.
MAIS SOBRE
Lisbela e o Prisioneiro é baseado na peça homônima do escritor pernambucano Osman Lins, publicada em 1964. Antes de chegar ao cinema, porém, a história já fazia parte da trajetória de Guel Arraes: o diretor havia adaptado o texto para um Caso Especial da Globo e também para o teatro. A versão televisiva, exibida originalmente em 1993, misturava a história de Lisbela com imagens de filmes antigos, recurso que seria novamente explorado no longa.

O filme de 2003 foi, de fato, o primeiro longa-metragem de Guel Arraes concebido especificamente para o cinema. Seus trabalhos anteriores para a tela grande, O Auto da Compadecida (2000) e Caramuru: A Invenção do Brasil (2001), haviam sido originalmente produzidos como minisséries da Globo antes de receberem versões cinematográficas.
A produção também teve um contratempo pouco comum nos bastidores. Uma lata contendo negativos originais foi perdida no laboratório Mega Color, obrigando Arraes e a equipe a refilmar as cenas que estavam naquele material. O episódio é uma das curiosidades mais conhecidas da produção.
Outro aspecto marcante está no ritmo das filmagens. A produção foi realizada em aproximadamente seis semanas, com Arraes chegando a registrar cerca de 70 planos em um único dia, número bastante superior ao ritmo tradicional de filmagem citado na época. A velocidade combinava com a montagem ágil adotada pelo diretor para a comédia.
A música é outro elemento central de Lisbela e o Prisioneiro. A trilha foi coordenada pelo diretor teatral João Falcão e pelo produtor musical André Moraes, reunindo artistas e estilos bastante diferentes, entre eles Caetano Veloso, Zé Ramalho, Los Hermanos e Sepultura. A própria Cinemateca Brasileira destaca a trilha como um dos pontos fortes da produção.
A canção mais associada ao filme é “Você Não Me Ensinou a Te Esquecer”, interpretada por Caetano. A música, no entanto, não foi composta para o longa: escrita por Fernando Mendes e José Wilson, havia sido gravada originalmente por Mendes em 1978. A nova versão se tornou uma das marcas da produção e chegou a ser indicada ao Grammy Latino de Melhor Canção Brasileira em 2004.

A trilha ainda ganhou uma particularidade curiosa: “A Dança das Borboletas”, de Zé Ramalho e Alceu Valença, aparece em uma versão que reúne Zé Ramalho e a banda Sepultura, combinação que sintetiza a mistura de referências musicais proposta pelo longa.
E o desempenho comercial foi um dos destaques da produção. Lisbela e o Prisioneiro levou mais de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas brasileiros em 2003. O levantamento da Ancine registra 3.146.461 espectadores, colocando o longa na segunda posição entre os filmes brasileiros de maior público daquele ano, atrás de Carandiru (2003).
O sucesso também se refletiu nas premiações. No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de 2004, Lisbela e o Prisioneiro venceu em Melhor Ator, para Selton Mello, e Trilha Sonora. O filme ainda foi indicado a Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, Montagem, Figurino, Maquiagem e Som, além das categorias de Ator Coadjuvante, com Bruno Garcia e Tadeu Mello, e Atriz Coadjuvante, com Virginia Cavendish.
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