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Participante do 4º Fórum de Tiradentes, Rodrigo Teixeira foi uma das vozes centrais da mesa “Internacionalização do audiovisual brasileiro”, realizada na tarde dessa terça-feira, 27, dentro da programação da Mostra de Cinema de Tiradentes 2026, que segue até o próximo sábado, 31. Produtor de trajetória internacional e um dos coprodutores de Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar 2025 de Melhor Filme Internacional, Teixeira analisou o atual momento do cinema brasileiro, seus limites, conquistas recentes e os desafios estruturais para a continuidade desse protagonismo. Siga o fio e fique por dentro!

RODRIGO TEIXEIRA NA MOSTRA DE TIRADENTES 2026

MOMENTO HISTÓRICO, MAS COM RESSALVAS

Teixeira destacou o impacto simbólico das recentes conquistas internacionais do Brasil. Para ele, a vitória de Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, e as indicações de O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, consolidam um raro momento de projeção global: “cinema hoje é o maior orgulho dessa nação. O futebol já não entrega o que o cinema está entregando”. O produtor lembrou ainda a presença constante do país em festivais como Cannes e Berlim, ressaltando que esse reconhecimento reflete uma potência criativa e técnica construída ao longo de décadas.

Apesar do entusiasmo, ele fez questão de relativizar o cenário atual. Segundo ele, os filmes que hoje colocam o Brasil em evidência são frutos de trajetórias muito específicas: “eu não vejo o cinema brasileiro, nos próximos dois ou três anos, voltando para o Oscar ou ocupando uma posição de destaque como agora com esses dois filmes”. Para o produtor, tanto Walter quanto Kleber construíram, ao longo de mais de duas décadas, perfis autorais absorvidos com consistência pelo circuito internacional: “eles são artistas consagrados no mundo inteiro. Não vejo no Brasil neste momento outros nomes com percursos tão consolidados”.

VAZIO GERACIONAL E SEUS IMPACTOS

Rodrigo também chamou atenção para uma distância geracional no cinema brasileiro. Segundo ele, há um hiato entre diretores consagrados e novos realizadores capazes de ocupar posições semelhantes: “o Walter é de uma outra geração. O Kleber é de uma geração abaixo. Cadê essas pessoas? Cadê os cineastas de 20 a 30 anos?”.

Para o produtor, parte desse vazio é consequência direta da paralisação do setor cultural entre 2016 e 2022, período marcado por políticas contrárias à cultura: “isso vai cobrar seus efeitos agora. É fundamental mantermos governantes aliados da cultura e seguirmos em união, sem sermos inimigos uns dos outros”.

Rodrigo Teixeira no Oscar 2025
Rodrigo Teixeira no Oscar 2025

ONDE ESTÃO OS GARGALOS?

Teixeira defendeu que o problema do cinema brasileiro hoje não está na falta de talento: “o Brasil é um celeiro de excelentes cineastas, aqui na Mostra de Tiradentes a gente vê isso o tempo todo”. Segundo ele, o maior obstáculo está nas condições de desenvolvimento dos projetos. Para contornar esse cenário, o produtor sugeriu que realizadores brasileiros ampliem suas estratégias de financiamento: “buscar coproduções na América Latina, em mercados como Doha e Marrocos, pode ser mais eficiente do que disputar os mesmos espaços já saturados na Europa”.

PRESTÍGIO NÃO SIGNIFICA FACILIDADE

Rodrigo também foi enfático ao lembrar que reconhecimento não elimina dificuldades práticas: “não é fácil. Pergunta qual a facilidade diretores premiados aqui tem de fazer filme hoje. Vê o que eles passam para conseguir viabilizar os filmes”. Ainda assim, reforçou a confiança no potencial do país: “o Brasil tem potencial artístico, tem potencial de investimento e pode gerar muitas possibilidades”.

TIRADENTES COMO ESPAÇO DE DESCOBERTA

Ao final do encontro, Teixeira ressaltou o papel histórico da Mostra de Tiradentes na renovação do cinema nacional: “este festival sempre foi um festival que reconheceu talento”, afirmou, apontando o evento como um espaço fundamental para que novos realizadores possam surgir, circular e se legitimar.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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