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O ator britânico Patrick Stewart morreu nessa quarta-feira, 28, aos 86 anos, em sua casa, em Los Angeles, nos Estados Unidos. A informação foi anunciada nesta quinta-feira, 29, por meio de um comunicado publicado nas redes sociais do artista. Segundo a mensagem, ele enfrentava Alzheimer e demência com corpos de Lewy. Nos últimos momentos, esteve acompanhado pela esposa, Sunny Ozell, por familiares e amigos. “Anunciamos com grande tristeza o falecimento de Sir Patrick Stewart”, diz o comunicado.

Ao longo de mais de seis décadas de carreira, o ator conquistou reconhecimento internacional ao interpretar personagens como o capitão Jean-Luc Picard, da franquia Star Trek, e o Professor Charles Xavier, dos filmes X-Men. Sua trajetória, contudo, começou muito antes de Hollywood, nos palcos britânicos. A seguir, Relembre sua trajetória. 

PATRICK STEWART

INÍCIO E FORMAÇÃO

Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no condado de Yorkshire, na Inglaterra, Patrick Stewart cresceu em uma família de poucos recursos. Filho de um trabalhador têxtil e de um militar que serviu durante a Segunda Guerra Mundial, encontrou no teatro uma forma de expressão ainda na adolescência. Deixou a escola aos 15 anos e passou a se dedicar às artes cênicas, chegando a trabalhar como repórter de um jornal local antes de decidir seguir definitivamente a carreira artística.

Patrick Stewart
Patrick Stewart

Após estudar na Bristol Old Vic Theatre School, iniciou sua trajetória profissional nos palcos em 1959. Em 1966, ingressou na Royal Shakespeare Company, uma das mais importantes companhias teatrais do Reino Unido, onde permaneceu por mais de uma década. Interpretou personagens de Shakespeare e de outros dramaturgos clássicos, desenvolvendo a técnica e a presença cênica que se tornariam marcas de seu trabalho. Sua estreia na televisão aconteceu em 1962, com uma participação em Story Parade. 

PRIMEIROS FILMES E RECONHECIMENTO

A estreia de Stewart no cinema ocorreu em 1975, com O Dia Fatal, no qual interpretou Tilney. No mesmo ano, viveu Ejlert Lövborg em Hedda, adaptação cinematográfica da peça de Henrik Ibsen. Na televisão britânica, começou a ganhar destaque em produções históricas e de espionagem, como Fall of Eagles (1974), Eu, Cláudio (1976) e Tinker Tailor Soldier Spy (1979), nas quais demonstrou sua capacidade de interpretar figuras complexas e de autoridade.

Na década seguinte, ampliou sua presença no cinema com participações em produções de diferentes gêneros. Interpretou Leondegrance em Excalibur (1981), de John Boorman, e Gurney Halleck em Duna (1984), adaptação dirigida por David Lynch. Embora esses trabalhos tenham contribuído para sua projeção, foi na televisão que surgiu a oportunidade que transformaria sua carreira.

STAR TREK

Em 1987, Stewart assumiu o papel do capitão Jean-Luc Picard em Star Trek: A Nova Geração. Inicialmente receoso de se comprometer com uma série de longa duração, o ator acreditava que a produção teria vida curta e que logo poderia retornar ao teatro. A série, entretanto, tornou-se um sucesso e consolidou Picard como um dos personagens mais emblemáticos da franquia de ficção científica. Ao longo de sete temporadas, exibidas entre 1987 e 1994, Patrick construiu um protagonista cuja liderança se apoiava na diplomacia, na reflexão e na defesa da diversidade. O personagem também permitiu que o ator levasse sua experiência teatral para uma produção de grande alcance popular. Ele voltou a interpretá-lo em filmes diversos outros projetos da franquia. 

Patrick Stewart
Patrick Stewart

OS X-MEN

Em 2000, Stewart estreou como Charles Xavier, o Professor X, em X-Men: O Filme. Fundador e mentor dos mutantes, o personagem era um líder cuja luta por convivência pacífica contrastava com a visão de seu antigo amigo Magneto, interpretado por Ian McKellen. A atuação de Patrick ajudou a estabelecer a identidade da franquia cinematográfica e aproximou o ator de uma nova geração de espectadores.

Patrick Stewart
Patrick Stewart

EMMY E OUTROS TRABALHOS NA TELEVISÃO

Apesar da popularidade alcançada com a ficção científica, Stewart continuou trabalhando em produções televisivas de diferentes estilos. Em 1998, interpretou o capitão Ahab na minissérie Moby Dick, papel que lhe rendeu uma indicação ao Emmy de Melhor Ator em Minissérie ou Filme para Televisão. No ano seguinte, viveu Ebenezer Scrooge em uma adaptação de Um Conto de Natal, de Charles Dickens.

Em 2003, interpretou o rei Henrique II em Bárbaros & Traidores, produção televisiva que também recebeu reconhecimento da Academia da Televisão norte-americana. Dois anos depois, surpreendeu o público ao participar da comédia Extras, interpretando uma versão exagerada de si mesmo. A atuação lhe garantiu uma indicação ao Emmy de Melhor Ator Convidado em Série de Comédia. Em 2009, voltou ao universo shakespeariano em uma adaptação televisiva de Hamlet, interpretando o rei Cláudio e o Fantasma. Pelo trabalho, recebeu mais uma indicação ao Emmy, em 2010. 

O TEATRO E AS HOMENAGENS

Mesmo após alcançar fama internacional no cinema e na televisão, Stewart nunca abandonou o teatro. Seu trabalho com a Royal Shakespeare Company incluiu dezenas de montagens, e ele voltou repetidamente aos palcos para interpretar personagens clássicos. Em 2008, viveu Cláudio em Hamlet, ao lado de David Tennant, em uma montagem que lhe rendeu o Laurence Olivier Award de Melhor Ator Coadjuvante. No mesmo ano, recebeu sua primeira indicação ao Tony pelo trabalho na produção da peça na Broadway.

Patrick Stewart
Patrick Stewart

Também dividiu os palcos com Ian McKellen, amigo de longa data e colega na franquia X-Men, em montagens de Esperando Godot e No Man’s Land. Em 2010, foi nomeado cavaleiro pela rainha Elizabeth II por seus serviços às artes dramáticas, passando a ser reconhecido como Sir Patrick Stewart. Entre outras distinções, recebeu um Grammy pela narração de uma gravação de Pedro e o Lobo, de Sergei Prokofiev. 

VIDA PESSOAL E LEGADO

Stewart foi casado com Sheila Falconer, com quem teve dois filhos, Daniel e Sophia. Depois, casou-se com a produtora Wendy Neuss, e, em 2013, oficializou sua união com a cantora e compositora Sunny Ozell, que permaneceu ao seu lado até os últimos dias. Além da atuação, o artista se envolveu em campanhas contra a violência doméstica, tema que abordou publicamente a partir das experiências difíceis vividas na infância. Também apoiou organizações de proteção animal e iniciativas de defesa dos direitos humanos.

Seu último trabalho, aliás, poderá ser conferido no final deste ano, com o blockbuster Vingadores: Doutor Destino, no qual encarna, de forma derradeira, o Professor X.

A carreira de Stewart atravessou gerações sem se limitar a um único universo. Foi um intérprete de Shakespeare antes de se tornar o capitão de uma nave espacial e o mentor de uma equipe de super-heróis, levando aos personagens populares a mesma disciplina e profundidade que cultivou no teatro. 

Obrigado, Patrick Stewart!

Patrick Stewart
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