Durante os anos 90, jornalistas culturais da China cunharam a palavra “Hallyu” para descrever o fenômeno de crescimento da cultura sul-coreana no país. Pouco tempo depois, o termo foi adotado mundialmente para explicar a estratégia da Coreia do Sul de criar cultura para exportação. Foi daí que nasceram os sucessos dos doramas, K-Pop e dos filmes coreanos.
Agora, décadas depois, parece que finalmente os chineses estão prontos para começar a “Onda Chinesa” na cultura mundial. E o cinema da China terá papel central nisso.
Sucesso em festivais e nas bilheterias
Nos últimos anos, os filmes chineses se tornaram altamente competitivos nos principais festivais de cinema do mundo. Quer ver alguns exemplos?
Em 2024, o longa Black Dog, do diretor Guan Hu, venceu a mostra Un Certain Regard em Cannes e foi apenas o segundo filme do país a ser premiado na Un Certain Regard na história.
O chinês ‘Black Dog’, de Guan Hu, venceu o Prêmio de Melhor Filme da mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar) do Festival de Cannes 2024.
Na trama, à beira do deserto de Gobi, no noroeste da China, Lang regressa à sua cidade natal depois de ser libertado da prisão. 🇨🇳 pic.twitter.com/QqdNubj5Bx
— Oxente Pipoca (@oxentepipoca) May 25, 2024
Por isso mesmo, surpreende o fato de que Resurrection, do diretor Bi Gan, tenha vencido o Prêmio Especial do Júri no mesmo Festival de Cannes apenas um ano depois, em 2025. E essa nem foi a única vitória do cinema chinês em 2025: Living the Land, de Huo Meng, levou o Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim.
Ou seja: os filmes chineses chegaram com tudo no circuito de festivais no mundo todo, mas não se limitaram e também querem ganhar as bilheterias.
Nos últimos anos, vimos uma série de projetos chineses aparecendo com destaque nas bilheterias mundiais, ainda que ausentes dos cinemas brasileiros. The Wandering Earth, por exemplo, está na Netflix e fez US$697 milhões em todo o mundo, a partir de um orçamento de apenas US$48 milhões.
Em 2017, Wolf Warrior 2 faturou US$870 milhões nas bilheterias mundiais, ganhando mais do que filmes de super-heróis americanos.
A “Onda Chinesa” também aparece em outras áreas
Assim como a Hallyu não ficou só restrita ao cinema, a onda da cultura chinesa também se expande em vários outros nichos do entretenimento.
Um exemplo é o mercado de iGaming, onde símbolos da cultura da China abundam em títulos para os jogadores. Um exemplo é o slot Fortune Rabbit, criado pela PG Soft. O jogo se inspira no horóscopo chinês (mais especificamente no signo do Coelho) e acaba promovendo símbolos da cultura chinesa pelo mundo.
Outro fantástico exemplo, dentro do audiovisual, são as “micronovelas” chinesas. Com episódios de 1 minuto, gravados na vertical, essas obras se popularizaram nas redes sociais com mais de 1 bilhão de downloads em 2025.
Nas livrarias, o livro “O Problema dos Três Corpos”, de Cixin Liu, foi um dos mais vendidos de 2024, impulsionado pelo sucesso da série homônima da Netflix.
Além de produtores, também consumidores
O que “assusta” nesse projeto chinês é que, diferentemente do projeto de expansão sul-coreano, ele não nasce da necessidade de alcançar novos públicos para sobreviver. O mercado interno na Coreia era pequeno e era necessário mirar no exterior.
Já na China, o mercado interno é, literalmente, o maior do mundo: em 2020, o país se tornou o maior mercado do planeta, com mais de 80 mil telas.
Ou seja, o mercado interno chinês deve ser o suficiente para sustentar toda essa onda cultural que deve varrer os cinemas ocidentais.
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