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Luis Fernando Verissimo faleceu neste sábado, 30, aos 88 anos. O Icônico escritor gaúcho estava internado no Centro de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre, há duas semanas. Nos últimos anos, ele apresentava problemas cardíacos e foi diagnosticado com a doença de Parkinson. Em 2016, foi submetido a uma cirurgia de implante de marca-passo definitivo. 

Já em 2021, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Conforme declaração concedida pela família na época, os maiores impactos que os problemas de saúde geraram ao autor foram motores e de comunicação. 

Filho de Érico Verissimo, Luis Fernando foi escritor, humorista, cartunista, tradutor e músico. Aliás, diversas de suas obras renderam produções populares para cinema e TV. Relembre sua trajetória. 

LUIS FERNANDO VERISSIMO

INÍCIO 

Nascido em Porto Alegre, em 1936, Luis Fernando Verissimo viveu parte de sua infância e sua adolescência nos Estados Unidos, com a família, em função de compromissos profissionais assumidos por seu pai. Como consequência disso, cursou parte do primário em San Francisco e Los Angeles, e concluiu o secundário na Roosevelt High School, de Washington. No período em que viveu em Washington, Verissimo desenvolveu sua paixão pelo jazz, tendo começado a estudar saxofone e, em frequentes viagens a Nova York, assistido a espetáculos dos maiores músicos da época. 

Luis Fernando Verissimo
Luis Fernando Verissimo

PRIMEIRO TRABALHOS 

De volta a Porto Alegre em 1956, Luis Fernando Verissimo iniciou sua carreira no departamento de arte da Editora Globo. Poucos anos depois, integrou o grupo musical Renato e seu Sexteto, que animava bailes na capital gaúcha. Entre 1962 e 1966, viveu no Rio de Janeiro, onde atuou como tradutor e redator publicitário e se casou com Lúcia Helena Massa, mãe de seus três filhos.

Em 1967 retornou a Porto Alegre e começou no jornal Zero Hora como revisor, até conquistar sua própria coluna diária em 1969, marcada pelo humor e pelo olhar pessoal sobre o futebol e o Internacional. No início dos anos 1970 passou pela Folha da Manhã, criou o semanário alternativo O Pato Macho e lançou seu primeiro livro, O Popular.

FAMA NACIONAL 

A partir de 1975, consolidou-se no cenário nacional com colunas no Jornal do Brasil e publicações como A Grande Mulher Nua. Na mesma época, deu vida à série As Cobras e, posteriormente, ao personagem Ed Mort, que se tornou sucesso em quadrinhos e chegou ao cinema em 1997 com Ed Mort. Já na virada da década de 1980, uma temporada em Nova York inspirou o primeiro de seus livros de viagem em parceria com Joaquim da Fonseca.

O sucesso de Luis Fernando Verissimo se consolidou em 1981 com O Analista de Bagé, lançado na Feira do Livro de Porto Alegre e esgotado em apenas dois dias. O personagem, um psicanalista freudiano com sotaque e costumes da fronteira gaúcha, tornou-se fenômeno de vendas e gerou livros, quadrinhos e antologias.

No ano seguinte, o escritor passou a assinar uma página semanal de humor na revista Veja, espaço que manteve até 1989. Já em 1983 apresentou outro personagem marcante: a Velhinha de Taubaté, definida como “a única pessoa que ainda acredita no governo”. Criada no fim da ditadura, a personagem atravessou a redemocratização e voltou a ser usada por Verissimo para satirizar presidentes civis.

Durante a década de 1980, Verissimo atingiu um patamar raro de popularidade entre escritores brasileiros, com colunas em diversos jornais, livros anuais entre os mais vendidos e roteiros para programas de humor da TV Globo. Nesse período, viveu temporadas no exterior – como os seis meses em Roma em 1986, quando também cobriu a Copa do Mundo para a revista Playboy – e publicou seu primeiro romance, O Jardim do Diabo, lançado em 1988.

Luis Fernando Verissimo
Luis Fernando Verissimo

CINEMA E TV 

Como já mencionado, personagens como Ed Mort ganharam as telonas, em adaptações que ajudaram a popularizar ainda mais a obra de Luis Fernando Verissimo. Mas outros projetos do escritor também chegaram às telas, seja em criações originais ou em adaptações de seus textos.

Sua estreia no audiovisual ocorreu em 1970, com o longa Um é Pouco, Dois é Bom, dirigido por Odilon Lopez, baseado em argumento assinado por Verissimo. Na televisão, participou da equipe de roteiristas do humorístico Planeta dos Homens (1976) e, alguns anos depois, colaborou com Viva o Gordo (1981-1987), programa de grande sucesso de Jô Soares na TV Globo.

Nos anos 1990, sua obra inspirou A Comédia da Vida Privada (1995), série televisiva que retratava com ironia e sutileza os dilemas do cotidiano. Já mais recentemente, suas histórias foram revisitadas em longas como Ninguém Entra, Ninguém Sai (2017) e O Clube dos Anjos (2020), ambos reafirmando a vitalidade e a atualidade de seu trabalho junto ao cinema brasileiro.

LEGADO

Reconhecido como um dos maiores cronistas do país, Luis Fernando Verissimo construiu uma obra marcada pelo humor, pela ironia e pela observação perspicaz do cotidiano, que atravessou gerações em livros, jornais, quadrinhos, televisão e cinema. Sua escrita acessível e inteligente o transformou em um dos autores mais populares da literatura brasileira contemporânea. Deixa a esposa, Lúcia Helena, com quem foi casado por mais de seis décadas, a irmã Clarissa Verissimo, e os três filhos: Fernanda, Mariana e Pedro.

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