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A Mostra de Cinema de Tiradentes 2026 segue movimentando o centro histórico da cidade mineira até o próximo sábado, 31, reafirmando seu papel como um dos principais espaços de reflexão, encontro e tensionamento do cinema brasileiro contemporâneo. Entre debates, exibições e painéis, um dos nomes que mobilizaram atenção foi o de Gilda Nomacce, atriz fundamental do cinema independente nacional, que participou do painel A Cara do Cinema Brasileiro Contemporâneo no fim da tarde da última quarta-feira, 28. 

Com uma trajetória marcada por personagens intensos e fora do lugar-comum – em filmes como Trabalhar Cansa (2011), Quando Eu Era Vivo (2014) e Meu Nome é Bagdá (2020) – Gilda construiu ao longo dos últimos 15 anos uma presença singular no audiovisual brasileiro, transitando entre o sensorial, o radical e o íntimo. Na cidade mineira, ela conversou com o Papo de Cinema, na manhã desta quinta, 29. Mais do que revisitar a carreira, a atriz falou sobre pertencimento, afeto, atuação e os novos modos de visibilidade no cinema e nas redes. Confira! 

GILDA NOMACCE NA MOSTRA DE TIRADENTES 2026

ENCONTRO DE AFETO E PERTENCIMENTO

Perguntada sobre a experiência de revisitar a própria trajetória no painel, Gilda destacou que o momento foi menos marcado pelas falas em si e mais pelo ambiente de escuta. “Foi tão emocionante participar dessa roda de conversa com o Pedro (Guimarães, professor e pesquisador), não pelo que eu falei exatamente, mas por ter esse espaço de interesse. Quando eu vi aquelas pessoas se aproximando, eu pensei: será que virão? Qual o interesse que eu causo? E foi muito emocionante”.

Ao comentar sua relação antiga com a Mostra de Tiradentes, Gilda lembrou a importância simbólica de ter sido citada, anos atrás, em um texto curatorial assinado por Pedro. “Foi a primeira vez que eu me senti pertencente, pertencendo”, afirmou. Por isso, estar agora associada ao debate sobre o cinema contemporâneo brasileiro ganhou um peso especial. “De repente, a cara do cinema contemporâneo brasileiro… eu fiquei muito emocionada esses dias todos”.

Segundo a atriz, sua participação no painel acabou se concentrando naturalmente no campo da atuação. “Ali foi muito mais um encontro de afeto. Minha fala foi muito focada em atuação, em ferramentas de atuação, porque é o que eu melhor sei”. 

Mostra de Tiradentes 2026 :: Gilda Nomacce. Foto: Leo Lara
Mostra de Tiradentes 2026 :: Gilda Nomacce. Foto: Leo Lara

OLHAR DOS JOVENS

Um dos aspectos que mais marcaram a atriz foi o contato direto com atores e atrizes mais jovens. “Foi um encontro muito importante com jovens atores. Fui olhada com olhos muito brilhantes por muita gente, e isso é o que é um festival, a Mostra de Cinema de Tiradentes”. 

Gilda também ressaltou o papel dos festivais na articulação cultural e política do audiovisual. “Onde é que o cinema acontece? Onde é que se fomenta cinema? Nos festivais, nas mostras. Eu achei muito coerente a minha primeira roda de conversa aqui, porque eu tenho tudo a ver com esse cinema, com as discussões que estão aqui”.

DA GERAÇÃO DO NOVÍSSIMO AO MEME

Em tom mais descontraído, Gilda comentou um fenômeno recente de sua carreira: ter se tornado meme nas redes sociais durante a divulgação do filme de terror Prédio Vazio (2025), após um grito fantasmagórico em um programa de televisão. Longe de tratar o assunto com ironia, ela enxerga o episódio como sinal de atualização. “Eu considero virar meme uma coisa ultracontemporânea. Eu entrei nesse cinema com a geração do novíssimo cinema brasileiro e agora estou na geração do meme”.

Para a atriz, a nova visibilidade tem valor simbólico e político. “Visibilidade é uma coisa que, sem ela, como que você vai ser visto?”, refletiu. Ainda assim, fez questão de reforçar que sua relação com a atuação nunca esteve condicionada ao reconhecimento externo. “Independente de ser vista, de ser considerada ou amada, eu sou uma atriz que precisa exercer esse ofício que eu amo”. E concluiu, celebrando o momento atual: “mas agora também eu tenho esse espaço pra dialogar, pra virar midiática”.

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Fanático por cinema e futebol, é formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Feevale. Atua como editor e crítico do Papo de Cinema. Já colaborou com rádios, TVs e revistas como colunista/comentarista de assuntos relacionados à sétima arte e integrou diversos júris em festivais de cinema. Também é membro da ACCIRS: Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul e idealizador do Podcast Papo de Cinema. CONTATO: [email protected]

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