20260422 o ano em que o frevo nao foi pra rua papo de cinema 800

O documentário O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 23, carregando no currículo um reconhecimento importante: um prêmio no Cine PE 2025, um dos principais festivais do país. A conquista ganha contornos ainda mais simbólicos por acontecer em Pernambuco, território diretamente ligado à história que o filme retrata. Siga o fio e saiba mais!

O ANO EM QUE O FREVO NÃO FOI PRA RUA

CONTEXTO E PROPOSTA

Maior festa popular brasileira, o Carnaval também foi diretamente afetado pela pandemia, que impediu, por dois anos consecutivos, a realização de blocos e desfiles nas ruas. É a partir desse cenário que O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua constrói seu olhar, acompanhando o vazio deixado pela ausência da festa e, posteriormente, o processo de retomada. As filmagens começaram em 2021, registrando ruas desertas e a frustração dos foliões, e avançam até 2023, quando a celebração retorna com força, marcada por um sentimento coletivo de resistência e celebração da vida.

DEPOIMENTOS E PERSONAGENS

O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua reúne relatos de figuras centrais do Carnaval pernambucano, além de foliões anônimos, compondo um retrato plural sobre o significado da festa. Entre os depoimentos, a cantora Nena Queiroga relembra o impacto emocional da ausência do Carnaval: “quando percebi que não ia ter carnaval, fiquei dois dias de cama”.  Também participam nomes como Fernando Zacarias, Lúcio Vieira da Silva, Carlos da Burra e Spok, todos diretamente ligados à tradição do frevo e aos blocos históricos da região. O filme também incorpora memórias afetivas, como o relato de Rudá Rocha, que associa a retomada do Carnaval à homenagem ao pai, figura importante da cultura local.

RECONHECIMENTO NO CINE PE

Exibido no Cine PE 2025, O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua foi premiado com o troféu de Melhor Trilha Sonora, destacando o trabalho de Diogo Felipe na construção sensorial da narrativa. Em um festival marcado pela valorização do cinema pernambucano e nordestino, o reconhecimento reforça, segundo o evento, o diálogo direto da obra com o território que retrata, ampliando seu impacto antes mesmo da chegada ao circuito comercial.

Em nota enviada ao Papo de Cinema, Diogo Felipe comentou suas escolhas artísticas. Segundo o compositor, “a trilha adota uma abordagem minimalista, baseada em instrumentação solista e construção de ambiências”. Ele destaca que, no período de isolamento, “sobressaem o saxofone de Clênio Lima e o trombone de Thomas Barros, combinados ao uso pontual de percussão grave e reverberações longas, criando uma sensação de vazio e suspensão”.

À medida que a narrativa avança para a retomada das festividades, a proposta sonora acompanha essa virada. “Na transição para o retorno das festividades, a trilha incorpora a canção ‘Um Frevo feito pra pular Fevereiro’, de PC Silva, além de uma versão do ‘Hino do Galo’, interpretada por Augusto Silva na bateria e pelo trio de metais formado por Clênio Lima, Thomas Barros e Augusto França”, explica o compositor. O resultado, segundo Felipe, é uma trilha“que dialoga diretamente com a narrativa, acompanhando o contraste entre o silêncio imposto pela pandemia e a retomada da celebração coletiva”, conclui.

O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua
O Ano em Que o Frevo Não Foi Pra Rua

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